“Eu, o mestre, o rei de Israel em Jerusalém. Dediquei-me a investigar e a usar a sabedoria para xplorar tudo o que é feito debaixo do céu.” Eclesiastes 1:12-13
“Confusão não é sempre algo ruim. Se nada nos confunde, provavelmente estamos aferrados a uma verdade insignificante.” Larry Crabb
É tentador examinar as conclusões e considerações do Eclesiastes e simplesmente dar de ombros. Afinal, a vida sem reflexão não faz sentido. Mas a vida com reflexão é o quê? O Eclesiastes diz que é canseira, enfado, é correr atrás do vento. Então que diferença faz?
Mas preste atenção no que o Eclesiastes faz e continua fazendo. Ele investiga e explora, mesmo depois de chegar a conclusão de que a vida é um absurdo. Ele continua pensando, mesmo depois de chegar a conclusão de que a vida é um absurdo. Ele continua pensando, mesmo depois de descobrir que pensar dói. Precisamos ouvir suas palavras, mas também precisamos imitar seu comportamento. Há outros que seguiram a mesma trilha.
Para John Stott: Crer é também pensar é perguntar o que não sabe e verificar se as verdades apreendidas resistem a um teste mais rigoroso. Como seria bom se as pessoas pensassem mais. Elas estariam mais prontas a aceitar o convite que Deus faz ao profeta Isaías (1:18): “Venha, vamos refletir juntos“. Deus não tem nenhum problema com esse negócio de pensar, duvidas e questionar, pois sabe que a fé sem arestas é uma fé que se acomodou no confortável, isolou-se em um mundinho cor-de-rosa que inventou para si, é uma fé que já morreu mas ainda não foi enterrada.
Quer mais um motivo para não colocar as dúvidas no cofre? Lá vai: o oposto da fé não é a dúvida, é o medo. Quando o Novo Testamento menciona o medo, é o medo de ser julgado e condenado (cf. Rm 8.15 e I Jo 4:18). Achamos que ter dúvidas sobre fé é errado, e que a pergunta é passível de condenação. Mas são exatamente esses questionamentos “proibidos” os mais relevantes para a vida. Vamos seguir o exemplo do Eclesiastes e engatar a segunda marcha. Seria vaidade não seguir seu exemplo.
Ed René Kivitz em seu ‘O livro mais mal-humorado da Bíblia”