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Olhando para a história, tropeçamos em uma profunda verdade: a igreja estava destinada a ser, em primeiro lugar, uma organização de voluntários. O poder da igreja verdadeiramente é o poder de todos, como homens e mulheres, jovens e velhos, oferecerem seus dons para o cumprimento do plano redentor de Deus. 

Jesus propositalmente tomou uma decisão estratégica ao convidar Pedro, Tiago, João e outros discípulos para que o ajudassem a propagar as novas do Reino. Ele poderia ter construído seu ministério de outras formas. Poderia ter continuado a agir sozinho. 

Poderia ter insistido para que todos os seus seguidores fizessem um estágio em missões de tempo integral de dois ou três anos durante sua primeira década de discipulado. 

Entretanto, Jesus preferiu promover sua obra contando, primeiramente, com pessoas comuns que vivem no mundo real da família, dos negócios e da comunidade. Ele acreditava que as mesmas habilidades usadas para fazer vasos de barro, arrebanhar animais e assar pão poderiam promover o Reino de Deus. 

O apóstolo Paulo sentiu tão fortemente o chamado para ser um voluntário que, em I Coríntios 9, fez as pessoas se lembrarem de que ele mesmo era um voluntário. Ele se sustentava fazendo tendas para que pudesse servir como pastor e líder sem se tornar um dreno financeiro para a igreja. 

O Reino de Deus não pode avançar só por meio dos esforços das estruturas engessadas. Creio que a Igreja é a esperança do mundo. Mas essa esperança está na disposição de voluntários de todos os estilos de vida — médicos, professores, mães que ficam em casa, executivos, universitários, enfermeiros, avós, engenheiros aposentados, carpinteiros, dentistas, cabeleireiros, colegiais, balconistas de mercearias — de serem mobilizados, capacitados e usados por Deus. 

Juliano Fabricio


O Bicho 


Vi ontem um bicho 

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

(Manuel Bandeira)

Ver minha cidade na perspectiva dos viadutos, casarões, esculturas, praças, prédios é lindos cenários, é de encantar qualquer pessoa.

Mas fui mais fundo, profundo, vi pessoas.

Vi – prostitutas, mendigos, velhos, vejo a cidade que tem um enorme contigente de pessoas morando nas ruas.

Não vi – Igrejas trabalhando efetivamente por essas pessoas.

Como cristão cresci, fui criado, aprendi meus preceitos, li meu livro predileto (a Bíblia).

Com esses preceitos cri que a vida poderia ser diferente, mais amena, menos sombria.

Sei que se as igrejas unissem forças, elas poderiam vencer a escuridão, ser amparo, refúgio, ser impulso! E olha que hoje dinheiro e gente não falta.

Creio ainda assim, minha esperança ainda não morreu.. mas não creio mais na união de forças da igreja, creio sim na união de um povo escolhido por Deus, cristãos que seguem preceitos, sabem que a vontade de seu Criador é a unidade independente de rótulos, mesmo que a sociedade os chamem de loucos.

Acreditar que podemos ser igreja de verdade, ser povo, junto, escolhido para ajudar uma geração que está padecendo de amor, paz, amparo e vida!

Vida que é mostrada pelo amor do Cristo através da nossa vida!

LUTEMOS JUNTOS!

É sempre possível!

Que se ajuntem a nós todos aqueles que precisam.

“Davi retirou-se dali e se refugiou na caverna de Adulão; quando ouviram isso seus irmãos e toda a casa de seu pai, desceram ali para Ter com ele. Ajuntaram-se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens.” I Samuel 22:1,2.

Ps: Esse post foi uma maneira de desabafar, pois dia desses conduzi uma força tarefa na minha empresa para ajudar de alguma forma uma mãe que foi surpreendida a 10 meses com a chegada de trigêmeos e também com o terrível diagnostico de um câncer. Foi conseguido uma creche para os filhos para que ela tivesse tempo para fazer a quimioterapia, porem como as crianças estão gripadas a creche preferiu não recebê-las. O que mais me choca é o fato de que nenhuma igreja se sensibilizou com a história dessa família. E olha que no bairro precário que essa mulher mora, só em uma rua, tem várias “igrejas”. 

Por isso insisto na minha tese: "toda igreja deveria ser um centro comunitário".

Juliano Fabricio - ainda  crendo
 mas de forma altamente subversiva.


Todas as estruturas da igreja devem revelar a marca do amor de Cristo dedicado aos pobres. Ao ignorar essa árdua sentença, a própria igreja se torna empobrecida, assim como bem pouco confiável e bem pouco convincente para pregar o evangelho com clareza e visão, e também infantilmente presa às quinquilharias da reputação, às conversas vazias da diplomacia, aos favores degradantes dos ricos, à idolatria das estruturas e à posição de proeminência. 

*** 

Lembrete: Há mais de dois mil versículos na Bíblia falando sobre o cuidado com os pobres e aproximadamente seis tratando sobre homossexualidade, por exemplo. Pense nisso e mude seu foco. 

No entanto, não temos visto nenhuma ênfase nessas questões que são prioritárias, pelo contrário, vemos as discussões se perdendo em outras demandas que não conseguem atender a quem sofre. 

Precisamos com urgência calcar nossos passos de volta nesse caminho. Fica ai mais uma provocação. 

Juliano Fabrício na nova série #provocações
Ps: toda segunda feira uma nova provocação


"Abomino e desprezo vossas celebrações solenes. 
Corra, porém, a justiça como um ribeiro impetuoso. . ." (Amos, 5.24).

"Eles enganam o meu povo dizendo que tudo vai bem quando nada vai bem. Pretendem esconder as rachaduras na parede com uma mão de cal. . ." (Ezequiel, 13.10).

Ê provável que os profetas* (estranha estirpe de líderes religiosos) tenham sido os primeiros a compreender a ambivalência da religião: ela se presta a objetivos opostos, tudo dependendo daqueles que manipulam os símbolos sagrados. 

Ela pode ser usada para iluminar ou para cegar,
para fazer voar ou paralisar,
para dar coragem ou atemorizar,
para libertar ou escravizar.

Daí a necessidade de separar o Deus em cujo nome falavam, que era o Deus dos oprimidos, e que despertava a esperança e apontava para um futuro novo, dos ídolos dos opressores, que tornavam as pessoas gordas, pesadas, satisfeitas consigo mesmas, enraizadas em sua injustiça e cegas para o julgamento divino que se aproximava. . . 

Mas esta lição foi esquecida. 
A memória do Deus dos oprimidos se perdeu. . .

E não é difícil compreender por quê. Visões semelhantes às suas, só aparecem em meio aos pobres e fracos. 

Mas os pobres e os fracos vão de derrota em derrota. . .

Quem preservaria suas memórias?
Quem acolheria suas denúncias?
Quem registraria as suas queixas?

Não se pode esperar tanta generosidade dos vencedores. São os fortes que escrevem a história e esta é a razão por que não se encontram ali as razões dos derrotados. Já notaram como os derrotados são sempre descritos como vilões? O que restou, como história, foram os relatos da religião triunfante, mãos dadas com os conquistadores, fez de si mesma e daqueles que foram esmagados. 

E, assim, em nossa memória restou apenas a religião dos fortes,
[Justamente aquela que os profetas denunciaram]

Quanto à religião dos profetas*, ela continuou emergindo aqui e ali. Mas aqueles que empunharam suas esperanças foram derrotados. E, para efeitos práticos, foi como se tal religião nunca tivesse existido... E as evidências, assim, pareciam se ajuntar para levar à conclusão de que a religião nada mais é que alienação, narcótico, ilusão. Foi então que uma série de fatores coincidentes permitiu que se reconstruísse a perdida visão profética da religião como instrumento de libertação dos oprimidos.

Enfim... aquilo que os opressores denunciam nos oprimidos não é a verdade dos oprimidos, mas aquilo que os opressores temem.

[Deus sempre foi o DEUS dos oprimidos, que estejamos do lado de DEUS]

Profeta* (uma breve definição): dedicava, com paixão sem paralelo, a ver, compreender, anunciar e denunciar o que ocorria no seu presente. Tanto assim que suas pregações estavam mais próximas de editoriais políticos de jornais que de meditações espirituais de gurus religiosos. Eles pouco ou nada se preocupavam com aquilo que vulgarmente consideramos como propriamente pertencendo ao círculo do sagrado: o cultivo das experiências místicas, das atitudes piedosas e das celebrações cerimoniais está praticamente ausente do âmbito dos seus interesses. Na verdade, boa parte de sua pregação era tomada pelo ataque às práticas religiosas dominantes em seus dias, patrocinadas e celebradas pela classe sacerdotal. E isto porque eles entendiam que o sagrado, a que davam o nome de vontade de Deus, tinha a ver fundamentalmente com a justiça e a misericórdia. Em suas bocas tais palavras tinham um sentido político e social que todos entendiam. Para se compreender o que diziam não era necessário ser filósofo ou teólogo. Sua pregação estava colada à situação dos homens comuns. 

Instaurou-se com os profetas* um novo tipo de religião, de natureza ética e política, e que entendia que as relações dos homens com Deus têm de passar pelas relações dos homens, uns com os outros. - "Abomino e desprezo vossas celebrações solenes. Corra, porém, a justiça como um ribeiro impetuoso. . ." (Amos, 5.24).

Ps: A fé cristã sobreviveu os últimos dois milênios devido a incapacidade do clero de calar os profetas.

Juliano Fabricio
querendo ser contado como profeta
[lendo Rubem Alves]


A medida que a população do mundo continua aumen­tando assustadoramente e os problemas econômicos das nações se tornam cada vez mais complexos, os ricos continuam ficando mais ricos e os pobres, mais pobres. Não podemos mais fechar os olhos diante dos fatos. 

A antiga complacência do Cristianismo burguês foi perturbada. (será!!!)
A adormecida consciência social de muitos já foi despertada. (amém!!!)

Redescobriu-se que o Deus da Bíblia está do lado dos pobres e necessitados.

Os cristãos responsáveis sentem desconforto quando pensam na abundância e estão pro­curando desenvolver um estilo de vida simples, que seja adequado face às necessidades do mundo e, por lealdade, de acordo com os ensinamentos e o exemplo do seu Mestre.

Enfim... Não fiquem bravos com o Papa Francisco e nem o chamem de comunista, ele só esta nos lembrando o que de fato honra o noso DEUS!!! [Provérvios 14:31]

Juliano Fabricio
Despetando pra tudo isso!!!
Muitos tentam esconder esse desconforto!!!


*Estou sem palavras*

Shakespeare zombava da ideia de que a pobreza está na raiz da maldade. Para eles, a maldade levanta sua feia cabeça mais monstruosamente dentro das classes mais altas.

Em Rei Lear ele faz a melhor das afirmações: 

"Os buracos de uma roupa esfarrapada não conseguem esconder o menor vício; mas as togas e os mantos de púrpura escondem tudo. Cobrem o crime com placas de ouro..." 

Lear aprendeu essa lição da forma mais difícil. Expulso de seu próprio castelo por suas avarentas filhas, ele perambulou sozinho no meio de uma terrível tempestade, encontrando finalmente abrigo numa caverna com um exilado. A experiência revelou-lhe a "teologia do avesso", e pela primeira vez ele entendeu os apuros por que passam o pobre e o desabrigado:

Pobres desgraçados nus, onde quer que se encontrem, Sofrendo o assalto desta tempestade impiedosa. Com as cabeças descobertas e os corpos esfaimados, Cobertos de andrajos feitos de buracos. Como se defendem vocês de uma intempérie assim? Oh! Eu me preocupei bem pouco com vocês! Pompa do mundo, e este o teu remédio; Expõe-te a ti mesmo no lugar dos desgraçados, E logo aprenderás a lhes dar o teu supérfluo.

Mostrando um céu mais justo.

Essa cena em Rei Lear apresenta uma semelhança subjacente com a Encarnação de Jesus.

Parece que os personagens de Shakespeare tendem a implicar Deus:

"Pudeste, ó Deus, apartar-te de tais gentis cordeiros e arremessá-los para as entranhas do lobo? Estavas dormindo quando tal feito se tez?", clama alguém depois de um assassinato. "O Deus, vês tu isto, e suportas por tão longo tempo?", lamenta-se outro.

Esses clamores angustiados ironicamente revelam a crença na Providência que subjaz a todas as peças de Shakespeare. Só levanta os punhos contra Deus quem ainda acredita que ele está ativo. 

Juliano Fabricio
“...Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer...”
Oswaldo Montenegro


Parece que o Criador valoriza o que nós temos a tendência de desprezar. 

As Escrituras registram por vezes que Ele escolheu situações, pessoas e realidades simples, fez-se simples quando humano em Jesus. Tal, levou o irmão Paulo a afirmar em uma carta escrita aos cristãos de Corinto que "Deus escolhe os simples para humilhar os que se pensam importantes".

E isso ocorre com quase tudo. A beleza é simples; o que faz bem à saúde brota mais facilmente; a sabedoria é popular; os que têm menos recursos, são mais solidários.

Aliás, Jesus falou sobre uma viúva pobre que foi mais generosa que os ricos. 

De fato, a rede de solidariedade que movimenta o mundo depende mais de quem tem menos e na sua simplicidade é generoso do que do pequeno grupo de abastados, mas escravos de sua própria riqueza.

Não é de hoje que sempre que se analisa o movimento de doações para qualquer causa, instituição ou pessoa, nota-se que proporcionalmente os que têm menos dão mais do que os que têm mais. A generosidade habita a liberdade, porque quem é escravo do que tem, temendo ter menos, dá menos também.

E quem tendo mais dá menos, dá do que sobra. Comparativamente, quem tendo menos dá mais, dá com esforço e isso pode demonstrar amor.

Não se engane, quando perceber que os mais simples são os mais generosos, sinta-se amado e valorizado; e quando planejar empreender algo, não nutra maiores expectativas sobre quem tem mais, porque ao Criador soou melhor contar com os que não têm, os que não são, os que não podem, para realizar seus planos na história.

E se você tem menos e se constrange pensando que o que tem pra dar não faz diferença, seja encorajado e não se envergonhe, cumpra sua missão, o pouco que você dá e faz, nas mãos do Criador, sustenta um mundo inteiro.

Juliano Fabricio concordando 


Em nosso weltanschauung africano, nossa visão de mundo, temos algo chamado UBUNTU. Em xhosa, dizemos: “Umntu ngumtu ngabantu” É difícil passar essa expressão para outras línguas, mas poderíamos traduzi-la dizendo: “Uma pessoa é uma pessoa por intermédio de outras pessoas”. Precisamos de outros seres humanos para aprendermos a ser humanos, pois ninguém vem ao mundo totalmente formado. Não saberíamos como falar, andar, pensar ou comer como seres humanos a não ser que aprendêssemos como fazer essas coisas com outros seres humanos. Para nós, o ser humano solitário é quase uma contradição.

Ubuntu é a assência do ser humano. Ela fala de como a minha humanidade é alcançada e associada à de vocês de modo insolúvel. Essa palavra diz, não como Decartes, “Penso, logo existo”, mas “Existo porque pertenço”. Preciso de outros seres humanos para ser humano. O ser humano completamente auto-suficiente é sub-humano. Posso ser eu só porque você é completamente você. Eu existo porque nós somos, pois somos feitos para a condição de estarmos juntos, para a família.

Somos feitos para a complementaridade. Somos criados para uma rede delicada de relacionamentos, de interdependência com os nossos companheiros seres humanos, com o restante da criação. 

Eu tenho dons que você não tem, e você tem dons que eu não tenho. Somos diferentes para entender as necessidades uns dos outros. Ser humano é ser dependente. Ubuntu fala de atributos espirituais como generosidade, hospitalidade, compaixão, dedicação, partilha. Você pode ser rico em posses materiais, mas ainda assim não ter ubuntu. Esse conceito fala de como as pessoas são mais importantes que os objetos, os lucros, as posses materiais. Ele fala sobre o valor intrínseco das pessoas como não dependentes de coisas alheias, como condição social, raça, credo, gênero ou grandes feitos.

Os que tinham ubuntu eram compassivos e gentis, usavam sua força em beneficio dos fracos, e não tiravam vantagem dos outros, tratavam os outros como aquilo que eram: seres humanos. 

Ubuntu nos ensina que nosso valor é intrínseco a quem somos. Temos importância porque somos feitos à imagem de DEUS. Ubuntu nos lembra de que pertencemos a uma única família, a família de DEUS, a família humana. Na visão de mundo africana, o maior dos bens é a harmonia da comunidade, Tudo que subverta ou questione esse bem é, IPSO FACTO, errado, mau. A raiva e o desejo de vingança subvertem essa coisa boa. 

Hoje, ubuntu ainda é muito admirado, buscado e cultivado.

O ubuntu é de alguma forma uma justiça restauradora, não abre mão de ninguém. Não existe um só caso de total inutilidade e que não possa ser redimido. Todos nós, mesmo os piores de nós, somos filhos de Deus. Todos nós temos chance. Para nós, cristãos, o paradigma foi estabelecido com nosso Senhor e com o ladrão penitente na cruz. O ladrão havia levado uma vida de crimes até o momento da sua crucificação. Talvez algumas pessoas se espantem pelo arrependimento e pela conversão do ladrão em seu leito de morte, mas isso não ocorre com Deus, a figura que procuramos imitar. “sejam perfeitos, como perfeito é o pai celestial de vocês” (Mateus 5:48), exorta Jesus. Não podemos afirmar categoricamente que esta ou aquela pessoa já tem um bilhete de ida para o inferno. 

Ficaremos muitos surpresos com quem encontraremos no céu e que jamais esperávamos encontrar ali, o mesmo acontecendo quando não encontrarmos algumas pessoas que esperávamos encontrar.

Os trechos a seguir são as compilações de discursos sobre  um
 modelo de tolerância e inclusão feito por Desmond Tutu

*Uma estátua em tamanho natural retratando Jesus como um sem-teto - Timothy Schmalz

Existe um dito que diz:
“No pobre deveríamos ver a face de Jesus disfarçada”.

Me parece que o Novo Testamento também deixa claro que Jesus está ao lado dos pobres, e que serviremos mais adequadamente se elevarmos os excluídos à posição de Jesus.

Por isso a motivação da caridade/ação social não é a condescendência, mas a ascendência: ao servir o pobre e fraco, temos o privilégio de servir o próprio Deus.

Também há outro dito que diz: onde estão os pobres está Cristo, e onde está Cristo está a Igreja.

 Só que não é verdade que onde está o pobre está a Igreja. Ela está mais perto do palácio de Herodes do que da gruta de Belém. 

Ministramos aos necessitados não apenas para levar Jesus até eles, mas também para encontrar Jesus dentro deles.

Jesus disse: "bem-aventurados são os pobres", e não "bem-aventurados são os que cuidam dos pobres".

A Igreja precisa ver qual é o seu lugar na sociedade.

Pense nisso se tiver coragem!!!

Juliano Fabricio
#detonando toda ØRTODOXA não generosa


Agora vejo mais claramente que não apenas as consequências da Grande Comissão, mas a Grande Comissão em si precisa ser entendida no sentido de incluir a responsabilidade tanto social quanto evangelística, para que não nos tornemos culpados de distorcer as palavras de Jesus. [John Stott]

O mal não está apenas no coração humano, mas também nas estruturas sociais (…) A missão da igreja inclui tanto a proclamação do evangelho quanto sua demonstração. Precisamos, pois, evangelizar, responder a necessidades humanas imediatas e pressionar por transformações sociais. [Declaração de Weathon, 1983]

O propósito primeiro das missiones ecclesiae não pode, por consequência, ser simplesmente a implantação de igrejas e a salvação de almas; pelo contrário, ele deverá ser o serviço à missio Dei, representar a Deus no e diante do mundo (…) Em sua missão, a igreja é testemunha da plenitude da promessa do reino de Deus e é partícipe da batalha contínua entre esse reinado e os poderes das trevas e do mal. [David Bosch]

Não há dicotomia bíblica entre a palavra falada e a palavra que se faz visível na vida do povo de Deus. Os homens olharão ao escutarem, e o que eles virem deve estar em consonância com o que ouvem (…) Há tempos em que nossa comunicação pode dar-se apenas por atitudes e ações, e há outros em que a palavra falada estará só: mas precisamos repudiar como demoníaca a tentativa de meter uma cunha entre a evangelização e a preocupação social. [René Padilla]

A missão histórica de Jesus somente pode ser entendida em conexão com o Reino de Deus. Sua missão aqui e agora é a manifestação do Reino como uma realidade presente em sua própria pessoa e ação, em sua pregação do evangelho e em suas obras de justiça e misericórdia. [René Padilla]

Por meio da Igreja e de suas boas obras o Reino de Deus se torna historicamente visível como uma realidade presente. As boas obras, portanto, não são um mero apêndice da missão, mas uma parte integral da manifestação presente do Reino: elas apontam para o Reino que já veio e para o Reino que está por vir. [René Padilla]

A missão da igreja é manifestar aqui e agora, como anúncio profético do novo céu e da nova terra, a maior densidade possível do reino de Deus que se consumará ali e além. [Robinson Cavalcanti]

Facebook do ED


#qual das lâminas de uma tesoura é a mais importante???

Os cristãos sempre tiveram o costume de polemizar sobre o que conduz o cristão à sua morada: se as boas ações ou se a fé em Cristo. Na verdade, não tenho o direito de falar sobre um assunto tão difícil, mas me parece que é como perguntar qual das lâminas de uma tesoura é a mais importante.

A Bíblia encerra a discussão quando junta as duas coisas numa única sentença admirável. A primeira metade diz: "Ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor" - o que dá a ideia de que tudo depende de nós e de nossas boas ações; mas a segunda metade complementa: "Pois é Deus que efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar" o que dá a ideia de que Deus faz tudo e nós, nada. Esse é o tipo de coisa com a qual nos defrontamos no cristianismo. Fico perplexo, mas não surpreso.

Enfim... Essa é a lógica:

Você não está fazendo essas coisas para ser salvo, mas porque Ele já começou a salvá-lo. 

E não está esperando ganhar o Paraíso como recompensa das suas ações, mas quer inevitavelmente agir de uma determinada forma porque já tem dentro de si os primeiros e tênues vislumbres do Paraíso.

lendo C. S. LEWIS
em CRISTIANISMO PURO E SIMPLES


Provérbios 14:31 diz que quem oprime o pobre insulta quem o criou. É como se o DEUS da bíblia dissesse: 

“Eu sou o pobre no seu caminho, eu sou o pobre em sua vizinhança. Sua postura para com eles revela qual é a sua real postura para comigo.

Ps: O cara está falando de Missão Integral ou estou enganado????



A Bíblia fala de uma grande rebelião. Um dos três seres mais poderosos criados por Deus se rebelou contra o Todo-Poderoso. Era um ser cheio de glória (Ez 28.13-19), mas se deixou dominar pela iniquidade e afrontou o Eterno. Quis subir ao monte da congregação, lugar espiritual da Trindade, e ser semelhante ao Altíssimo (Is 14.13-15). 

De todas as criaturas de Deus, somente a raça humana tem o privilégio de ser semelhante ao Altíssimo (Gn 1.26). Somente a humanidade tem presença na Trindade: Jesus Cristo, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem (Ap 22.1). De fato, nenhum anjo jamais ouviu o que foi dito a Jesus Cristo, porque os anjos são seres usados por Deus para abençoar a humanidade (Hb 1.13,14). 

Será, então, que esse ser soube disso e se recusou a ser um prestador de serviço para a humanidade, por saber que o ser humano teria a glória que ele (o ser caído) tanto almejava e, por isso, rebelou-se contra o Criador, não aceitando o papel que lhe estava designado no reino de Deus?

Quando o adversário de nossa alma nos atraiu para a sua rebelião (Gn 3.1; Ap 12.9), juntamente com os outros seres que o seguiram (Ap 12.4), não estava tentando construir um reino paralelo ao de Deus, uma vez que nada nem ninguém podem sobreviver sem a permissão e o sustento vital de Deus. Antes, estava tentando provocar o juízo de Deus que destruiria tudo e todos. Era um ato suicida, do tipo: “Já que não posso ter ou ser o que quero, então que ninguém consiga ser ou ter o que deseja”. Esse plano, no entanto, foi frustrado pela presciência de Deus que, antes de dizer: “Haja luz”, disse: “Haja cruz”, sabendo que, se não dissesse a segunda frase, não poderia dizer a primeira (Cf.1Pe 1.18-20).

Por isso, a queda não foi um simples ato da vontade que traria a emancipação da humanidade. A queda foi uma tomada de partido. Uma escolha pela rebelião. Por tudo isso, pecar é mais do que uma falha moral, ou titubeio diante da fraqueza, ou mera quebra da lei. Pecar é tomar partido do rebelde. 

A ira de Deus é plenamente justificada (Jo 3.36). A raça humana se uniu à rebelião apoiando, assim, o ato de afronta ao Senhor Deus. Ainda bem que a ira divina foi mediada pelo amor demonstrado na cruz do Calvário.

A proclamação do reino de Deus — uma realidade na qual somente a vontade de Deus é feita (Mt 4.17) — nos adverte o seguinte: toda e qualquer rebelião vai ter fim. Deus não vai mais tolerar a insurreição. E exige, como fruto da oportunidade que nos é concedida, que todos, em todos os lugares, arrependam-se. Isto é, abandonem a rebelião e se submetam ao reinado de Deus. E essa oportunidade é oferecida na história antes que a história tenha fim. A história como a conhecemos.

Evangelizar é levar esse ultimato, que nada mais é do que fruto do amor de Deus, que retardou o juízo e, à custa de si mesmo, providenciou uma possibilidade de arrependimento, de volta, para a humanidade.

Os filhos de Deus são os que, por meio de Jesus Cristo, romperam com a rebelião, voltando, de joelhos, para o Pai, reconhecendo que o Universo é fruto do amor divino e que qualquer coisa fora da vontade de Deus é disfuncional. Por isso, a oração dos filhos de Deus é para que venha o seu reino e só a sua vontade seja feita. E para que o Pai lhes dê força, para que não cedam às pressões do inimigo, para que rejeitem a rebelião (“não nos deixes cair em tentação”) e para que não haja entre eles e o maligno nenhum ponto de contato (“livra-nos do mal”).

A ação salvadora de Cristo, mais do que um ato de libertação, é um ato de reordenação do Universo: repondo as coisas nos seus devidos lugares, segundo os desígnios do Criador, e tendo Cristo como o grande centro orbital de todas as coisas (Ef 1.10).



NÃO DEIXE AQUILO QUE é urgente tomar o lugar daquilo que é IMPORTANTE em sua vida. Spurgeon

Tenho visto uma urgência, um ativismo, uma profusão de formulas para enfim conquistarmos nossas metas. Isso tem se tornado em uma loucura sem procedentes na igreja em todo o mundo. E com tantas demandas e metodologias estamos esquecendo que nosso mestre gostava mesmo era de uma boa conversa, uma mesa cheia e de contar historias. Infelizmente não temos mais tempo para tanta historia, afinal de contas estamos conquistando o mundo. Esquecemos que a importância do reino esta de certa forma escondido e essa foi à dica deixa por Jesus em suas parábolas. Porque não são somente historias em si, mas algo que aponta em uma direção, para um novo sentido. Vou tentar explicar melhor...

Sim Jesus escondeu sua mensagem em parábolas.

“O Reino de Deus é como um homem que saiu a semear (...).

É como um homem que tinha dois filhos (...).

É como uma mulher que escondeu fermento na massa (...).”

..........

Mas sua mensagem criou raízes (como aquela semente).

Ocasionou reconciliações (como a daquele pai como seu filho mais jovem),

E começou a se infiltrar e a transformar a humanidade (como o fermento).

Isso tudo começa a fazer sentido?

Você é capaz de perceber como a mensagem de Jesus não foi feita somente para ser ouvida ou lida, mas para ser vista na vida de pessoas, e em comunidades radicalmente inclusivas e reconciliadoras? 

Escrita não em paginas de livros somente, mas na vida e nos corações de amigos em comum?

Percebe como o Reino, originalmente escondido em parábolas, começou a ser escondido em novos lugares, na historia de pessoas reais e de comunidades reais?

Consegue imaginar, a si mesmo e sua comunidade de fé, como uma parábola viva na qual a mensagem original de Jesus pudesse estar escondida, contada e vivenciada?

Isso nos traz uma situação radicalmente nova, com novos problemas, novas perguntas, novas oportunidades e novas demandas. Uma coragem de recomeçar, uma nova compreensão!!!!

Enfim... Estejam preparados para não estarem na TV, nem no rádio, para serem discretos, para não escreverem livros, nem precisam, porque seus dias são paginas do mais importante livro de todos os tempos. 

Que tenhamos coragem!!!!!
Juliano Fabricio
Apenas um convite



Já vimos que Deus Se revela através das Escrituras, da Criação, da Igreja, e sobretudo, através de Seu Filho Jesus Cristo. Ele é a revelação definitiva de Deus.

Porém, resta-nos uma última fronteira, onde para muitos, Deus Se mantém escondido.

Não se trata dos mistérios do Cosmos, como os buracos negros, quasares, galáxias longínquas, super-novas, etc. Também não se trata do mundo subatômico, quântico.

Trata-se, antes, daqueles com quem Cristo Se identifica de maneira mui peculiar: Os pobres e excluídos da sociedade. É lá que Deus Se mantém velado, à espera de quem O busque.

Não basta encontrar Deus nas Escrituras, na Igreja, na Criação, se não nos dispusermos a buscá-lO nos pequeninos. É assim que Ele os chama.

Veja o que Jesus diz sobre isso:

“Quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória. Todas as nações se reunião diante dele, e ele apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas. Ele porá as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Pois tive fome, e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era forasteiro e me hospedastes; estava nu, e me visitastes; preso e fostes ver-me. E perguntarão os justos: Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou preso e fomos ver-te? Ao que lhes responderão Rei: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt.25:40).

Ao sairmos ao encontro desses pequeninos, é com Cristo que nos deparamos. Engana-se quem imagina poder encontrá-lO nas catedrais dos grandes centros urbanos. Seria como se os magos esperassem encontrar o Messias recém-nascido no palácio de Herodes. Cristo está sob as marquises dos prédios abandonados; atrás das grades das prisões públicas; nas palafitas construídas às margens das valas negras.

Não vamos simplesmente para lhes dar algo que não tenham. Vamos ao encontro de algo de que necessitamos desesperadamente.

Muitos se dedicam às obras de caridade por um desencargo de consciência. Alguns até para driblar a culpa que lhes tira o sono. Ajudar aos pobres faz com que se sintam confortáveis consigo mesmos, pertencentes a uma classe superior, ricos, qualificados. Quando deveriam, sim, sentir-se envergonhados. A pobreza denuncia nossa arrogância, nossa prepotência, a injustiça imperante no sistema do qual tiramos nossa subsistência.

Deus Se esconde de tal maneira nos pobres, que nem mesmo Seus escolhidos dão conta de reconhecerem-No. Daí a pergunta: Quando, Senhor?

Ficamos embebecidos com o espetáculo da natureza. É relativamente fácil enxergar a majestade divina num pôr-do-sol, num arco-íris, e até no canto de um passarinho. Tudo isso é muito belo, e, de fato, aponta para Deus, manifestando Seus atributos invisíveis.

Encontrá-lO nas Escrituras é uma questão de fé. Nossos olhos são desvendados pela ação do Espírito Santo, que nos faz compreender o testemunho de Deus registrado nas páginas sagradas (Pv.1:23). Porém, buscá-lO e encontrá-lO no pobre, no indefeso, no preso, no enfermo, somente através das lentes do amor.

Esta é, por assim dizer, a última fronteira na qual Deus Se mantém escondido.

Como a igreja primitiva lidou com esta verdade indiscreta e perturbadora? Ninguém melhor que Tiago, irmão do Senhor, para nos responder:

“Glorie-se o irmão de condição humilde na sua alta posição. O rico, porém, glorie-se na sua insignificância, porque ele passará como a flor da erva” (Tg.1:9-10).

O Evangelho do Reino é a mais subversiva de todas as mensagens já anunciadas entre os homens. O que os homens chamam de sabedoria, Deus chama de loucura. O que chamamos de fraqueza, Deus chama de força. O que acreditamos ser riqueza, Deus afirma que é miséria.

Seguindo a lógica do Reino, Tiago diz que o irmão de condição humilde deveria gloriar-se em sua alta posição. Não se trata de posição social, mas espiritual, uma vez que Deus o escolheu.

Paulo reverbera o mesmo ensino, quando nos conclama a conferir: “Ora, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que ninguém se glorie perante ele” (1 Co.1:26-29).

Gloriar-se em sua condição humilde é o mesmo que gloriar-se em Deus, em vez de em si mesmo e em seus recursos naturais.

Tiago não faz média com os ricos do seu tempo. Pelo contrário, ele os confronta. “O rico, porém, glorie-se na sua insignificância” (Tg.1:10a). Que golpe na arrogância de quem se acha importante. Que insulto à sua vaidade!

Recentemente, uma pesquisa feita pelo instituto britânico New Economics Foundation revelou que pessoas que trabalham fazendo faxina em hospitais têm mais valor para a sociedade do que os funcionários de alto escalão de um banco. Enquanto o faxineiro gera cerca de R$ 30 de valor para cada R$ 3 que recebe, o bancário com salário anual a partir de R$ 1,5 milhão) é um peso para a sociedade, custando cerca de R$ 21 para cada R$ 3 que ganham. O faxineiro rende dez fez o que ganha. O bancário dá prejuízo de sete vezes o que ganha.

Como uma igreja em nossos dias receberia o executivo de um banco? E como receberia um faxineiro? Seriam tratados de igual maneira?

Infelizmente, nos adequamos ao espírito deste mundo, e abandonamos a mensagem subversiva do reino.

Muitas igrejas têm se especializado em alcançar a classe média alta, desprezando completamente as classes mais baixas e necessitadas. Este se tornou o sonho de consumo de praticamente todos os ministérios hoje em dia. Todos querem as classes A e B. Ninguém quer as classes D e E.

As grandes denominações querem ter Sedes nos bairros mais abastados da cidade. Enquanto isso, as favelas são relegadas a segundo plano. Quando surge alguma igreja nelas, geralmente é por iniciativa dos próprios moradores. Alguns pastores até investem em igrejas nestas comunidades carentes, para evitar que seus moradores desçam para o asfalto e freqüentem seus templos luxuosos, trazendo incômodo aos seus membros mais distintos.

Este não é um problema recente. Tiago teve que enfrentá-lo nos dias da igreja primitiva.Veja o que ele diz:

“Meus irmãos, como crentes em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, não façais acepção de pessoas. Por exemplo: Se na vossa reunião entrar algum homem com anel de ouro no dedo, e com trajes de luxo, e entrar também algum pobre andrajoso, e atentardes para o que tem os trajes de luxo, e lhe disserdes: Assenta-te aqui em lugar de honra, e disserdes ao pobre: Fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do estrado dos meus pés, não fazeis distinção entre vós mesmos, e não vos tornais juízes movidos de maus pensamentos? Ouvi, meus amados irmãos. Não escolheu Deus aos que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam? Mas vós desonrastes o pobre” (Tg.2:1-6a).

Parece que Tiago estava falando diretamente com os pastores de nossos dias, alguns dos quais chegam a destacar alguém para o ministério local por causa de suas vultuosas contribuições. Quantos diáconos precoces? Presbíteros despreparados, que mal se converteram, e logo foram içados a uma posição na igreja. Já o pobre, o que não usa roupas de grifes famosas, não só são ignorados, como às vezes são até rechaçados. Há quem até sugira: Procure outra igreja, onde as pessoas sejam do seu nível social. Aqui não é pra você.

É lamentável ter que admitir isso. Mas é a mais pura verdade. As pessoas valem o quanto pe$am.

Desonrar ao pobre é desonrar Àquele que o criou, e o escolheu para ser Seu esconderijo.

É bom que se diga que Deus não tem nada contra os ricos. Deus igualmente os criou. O que ofende a Deus é o fato de muitos se estribarem em suas riquezas materiais.

A única maneira do rico agradar a Deus é reconhecer seu estado de miséria espiritual. Ou no dizer de Tiago, sua “insignificância”. Reconhecer que todo o seu dinheiro é incapaz de garantir-lhe uma vida de significado e propósito.

Assim como há ricos que são “pobres de espírito”, há pobres que são arrogantes, e que tentam passar uma imagem de abastança. Como diria o adágio: Comem sardinha, arrotam caviar. O sábio Salomão os denuncia:“Uns se dizem ricos sem ter nada outros se dizem pobres, tendo grandes riquezas” (Pv.13:7).

Pobreza de espírito é manter-se na total dependência de Deus. Jamais jactar-se em seus próprios recursos, sejam eles parcos ou abundantes.

Se a Igreja almejar ser canal através do qual Deus Se revele ao mundo, ela terá que admitir sua pobreza. E isso equivale a tomar a contramão da postura adotada pela igreja de Laodicéia.

Leia atentamente o que Cristo diz aos laodicenses:

“Dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta. Mas não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu. Aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, para ungires os teus olhos, a fim de que vejas” (Ap.3:17-18).

De acordo com a doutrina da confissão positiva, tão apregoada em nossos dias, a igreja de Laodicéia estava corretíssima em fazer tais “declarações de fé”. Entretanto, Cristo reprovou sua postura arrogante e auto-suficiente. Se fosse verdade que palavras positivas seriam capazes de atrair prosperidade para quem as proferisse, as Escrituras não diriam: “Em todo trabalho há proveito, mas meras palavras só conduzem à pobreza” (Pv.14:23).

Cristo chega a usar de sarcasmo com aquela igreja prepotente. Era como se Ele dissesse: Já que vocês são tão ricos, prósperos, auto-suficientes, vou lhes dar um conselho: Usem seus recursos para adquirir o que vocês ainda não têm: A verdadeira riqueza.

Paulo usa sarcasmo semelhante ao escrever para outra igreja que achava não ter falta de coisa alguma: Corinto.

“Pois quem tem faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido? Já estais fartos! Já estais ricos! Sem nós reinais! E oxalá reinásseis para que também nós reinemos convosco! Pois tenho para mim que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte. Somos feitos espetáculos ao mundo, aos anjos e aos homens. Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo! Nós fracos, mas vós dois fortes! Vós sois ilustres, nós desprezíveis (...) Até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos” (1 Co.4:7-10,13b).

Qual o auto-intitulado apóstolo de nossos dias que pode apresentar-nos as mesmas credenciais? Se lermos os versos que omiti (11-12), veremos o quanto Paulo sofreu pela causa do Reino.

Precisamos descer de nossos pedestais ministeriais e admitir nossa profunda pobreza. E quando a admitimos, já não nos ofendemos quando Deus usa o mais humildes dentre os homens para nos abençoar com um prato de comida, ou qualquer outra provisão. Pergunte a Elias como ele se sentiu quando percebeu que o canal escolhido por Deus para alimentá-lo era uma viúva pobre de Sarepta.

Jesus disse que devemos aprender d’Ele que é manso e humilde de coração. Manso para repartir seu próprio pão, humilde para receber sem sentir-se constrangido. A palavra traduzida por “manso” tem a conotação de “desapegado”. Manso é aquele que já não faz questão de coisa alguma. Aquele que vê sua túnica sendo repartida entre os soldados romanos, e não a reclama para si. Já o ser humilde significa está sempre pronto a receber, mesmo quando o canal usado por Deus é de condição mais humilde que a nossa.

O chamado de Deus para a igreja deste tempo é um chamado à pobreza. Não estou falando de um voto de pobreza semelhante ao feito por monges franciscanos. Mas de uma pobreza em que admitimos que nossa suficiência vem do Senhor.

Aí poderemos nos apresentar como Paulo: “Pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo” (2 Co.6:10).

O que constrangerá o mundo quanto ao amor de Deus não serão testemunhos de pessoas que se enriqueceram depois que abraçaram a fé em Jesus, e sim de pessoas que abriram mão de tudo por amor ao seu semelhante.


“Infelizmente, o conceito verdadeiramente cristão de amor às vezes tem sido desacreditado por quem o sentimentaliza ou formaliza de uma forma ou de outra. 

Uma disposição subjetiva sincera de amar a todos não dispensa ninguém de uma ação social enérgica e sacrificial destinada a restaurar os direitos violados dos oprimidos, gerar trabalho para os desempregados, de modo que o faminto possa comer e que todos tenham uma possibilidade de ganhar um salário decente. 

Infelizmente, no passado era fácil demais para o homem bem alimentado nutrir os sentimentos mais louváveis de amor ao próximo, ignorando, ao mesmo tempo, o fato de seu irmão estar lutando para resolver problemas trágicos e insolúveis.

Já não é mais adequado apenas dar esmolas, especialmente se for só um gesto que parece dispensar qualquer outra ação social mais eficaz. Isso nem sempre resulta de uma real falta de sinceridade: mas as ‘boas obras’ que atendiam às necessidades de pequenas comunidades medievais não servem mais na fantástica crise mundial que varre toda a humanidade hoje, quando a população mundial se conta em bilhões e duplica em quarenta, vinte e até quinze anos. 

Neste caso, as dimensões do amor cristão devem se expandir e se universalizar na mesma escala do problema humano a ser enfrentado. O gesto individual, embora louvável, não será mais suficiente.”

[Reflexão em Amor e Vida, Thomas Merton]

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