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Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui. Lucas 12:15 

Estamos obcecados com "o melhor". 

Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor". Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho. Bom não basta. 

O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor". 

Isso até que outro "melhor" apareça e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer. 

Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter. 

O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego. 

Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos. (lembre-se do que Paulo disse: “Mas, andemos segundo o que já alcançamos” Filipenses 3:16) 

Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários. 

Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis. 

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente. 

Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência? 

Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa? 

E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto? 

O restaurante onde sinto saudades da comida de casa ou o que tem o "melhor chef"? 

Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro? 

O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"? 

Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixados ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos. 

A casa que é pequena, mas nos acolhe. 

O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. 

A TV que está velha, mas nunca deu defeito. 

A relação que tem defeitos (como as nossas), mas nos faz mais felizes do que as relações "perfeitas". 

As férias que não vão ser na praia, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar à chance de estar perto de quem amo... Ps: estou vivendo esse momento!!!!

O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem. 

O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer. 

Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso? 

Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu? 

"Sofremos demais pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos". Shakespeare 

Juliano Fabricio – Vi sobre isso em um programa de TV com a jornalista Leila que optou por viver uma vida mais simples.


O historiador romano, Tácito (que nasceu em 55 dC), escreveu em seus Anais (15:44) uma explicação de como o Nero, o imperador (que morreu em 68 dC) acusou os cristãos pelo grande incêndio de Roma em para desviar rumores de que ele tinha começado o incêndio. Nesta passagem, Tácito faz alusão a um fato que ninguém disputava: Cristo foi crucificado sob as ordens de Pôncio Pilatos: 

"Todos os esforços humanos. . . do imperador, e as propiciações dos deuses, não baniram a crença sinistra de que o incêndio foi resultado de uma ordem. Consequentemente, para se livrar disso, Nero fixou a culpa e infligiu as mais terríveis torturas em uma classe odiada por suas abominações, chamados pela população de cristãos. 

Christus, de onde se originou o nome, sofreu a penalidade extrema durante o reinado de Tibério, nas mãos de um de nossos procuradores, Poncio Pilatos, e uma superstição mais danosa, sob controle até o momento, se alastrou de novo, não só na Judéia, a primeira fonte do mal, mas mesmo em Roma, onde todas as coisas horríveis e vergonhosas de todas as partes do mundo a encontram seu centro e se tornam populares." 

Era do conhecimento comum e incontestável na segunda metade do primeiro século que Jesus Cristo foi crucificado. Se houvesse qualquer dúvida de que ele tinha morrido desta forma, teria sido avidamente disputado onde quer que os cristãos pregavam. Mas não foi. O fato de sua morte por crucificação não foi questionada. 

Extrato de The Great Offense: Was Jesus Really Crucified?" por John Piper. © Desiring God. 

desiringGod.org (used by permission)


Os conservadores e reformados – disse o dono do haras ao jangadeiro – afirmam que a missão é fazer com que as pessoas abracem o nome do seu mestre de modo a evitarem o inferno e ganharem o céu; para eles, trata-se de salvar as almas não para este mundo, que é irremediável, mas para a vida eterna. 

Os liberais e libertários afirmam que a missão é transformar este mundo a partir do exemplo revigorante do seu mestre, de modo a construir nesta vida uma estirpe honorária de céu; para eles, trata-se menos de prometer o reino de Deus para a vida futura do que implementá-lo contra todos os impedimentos nesta existência. Qual é a sua opinião? Qual dos dois pensamentos está certo?

O jangadeiro terminou de fazer o nó que o incomodava e aspirou a maresia.

O que sei sobre a vida eterna é que ela é para ser um presente, e presente a gente não deve cobrar e não deve esperar. 

O mesmo, você deve entender, posso dizer desta vida. A vida futura que deve me ocupar é o momento seguinte, porque o momento seguinte depende do que faço neste. Salvar as pessoas ou transformar o mundo? Se você pensar, qualquer um desses seria fácil demais, porque tanto o mundo quanto as pessoas estão fora de mim; a metamorfose deles nada exige de mim e para mim nada implica além daquilo em que me beneficia. O desafio do legado de Jesus é eu transformar a mim mesmo. É natural que transformando a mim mesmo estarei transformando o mundo, mas essa não é a questão.

A alma que me cabe salvar continuamente é a minha.

Muito bem postado
 pelo Paulo Brabo


O homem na foto já passou fome, foi tido como inimigo de Deus e da pátria, e hoje é considerado ícone e pensador notável da história da pedagogia mundial.

O sofrimento que experimentou trouxe força a seus ideais. Tornou-se secretário de educação e coordenação geral do "plano nacional de alfabetização de adultos". Acima da educação na letra, Paulo Freire visava o formação crítica da sociedade e o desenvolvimento da consciência dos que classificava como oprimidos.

Sua maior preocupação era o que chamava de "cultura do silêncio". A condição de ignorância e de passividade na qual são submergidas as grandes massas. Com frases como: "os negros no brasil nascem proibidos de ser inteligentes.", Paulo idealizava a conscientização dentro de um processo educacional que faz com que o sujeito primeiramente perceba com exatidão sua realidade e depois atue para transformá-la.

Permita-me ampliar um pouco mais o raciocínio, vale à pena. Paulo contrastava duas visões de educação. a primeira: a "
educação narrativa", assim chamada pois envolve o conceito de um narrador (professor) e os objetos pacientes que escutam (alunos). Nela os alunos são meros receptáculos do saber. Recipientes sem luz preenchidos por comunicados do professor, não por comunicação propriamente estabelecida. A educação torna-se o ato de depositar. A relação é entre depositório e depositor. Esse é o conceito de "depósitos bancários" da educação. Já o conceito alternativo chama-se "postular problemas" e não "fazer depósitos". A situação proposta é um diálogo, no qual professor e aluno juntos confrontam a realidade e ajudam-se mutuamente a refletir e interagir com a realidade de modo crítico.
Em seu famoso livro "pedagogia do oprimido", uma citação resume muito bem as idéias acima: "ao passo que a educação "bancária" anestesia e inibe o poder criativo, a educação da postulação de problemas envolve o desvendamento constante da realidade. aquela procura manter a submersão da consciência; esta esforça-se em favor da emergência e da intervenção crítica na realidade."

Paulo Freire me ensina mais do que conceitos sociais de educação. Este paradoxo ocorre também em nossa realidade espiritual. As igrejas estão repletas de "recipientes" passivos em busca de mero preenchimento. "Cristãos depositários" que passam pela vida sem estabelecer comunicação e interação eficaz com o Depositor. Sem a percepção da realidade é impossível transformá-la. na "teologia de Paulo freire" é necessário o
desvendamento constante da realidade e uma intervenção crítica atuante. Aluno e Mestre trabalhando juntos para transformar.

Será que o texto necessita mesmo de aplicação? Que você possa postular seus problemas e aplicar à consciência a ação perfeita de Deus. Estabeleça diálogo com Aquele que pode desvendar, trazer significado e transformar sua realidade hoje. Peça esta percepção a Ele e seja grato também ao marxista Paulo pelos conceitos motivadores.

"Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações: para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação." > efésios 1.16 e 17 (de um outro Paulo)

Juliano Fabricio


Senso de UBUNTU – nossa humanidade, nosso cuidado, nossa hospitalidade, nosso senso de conexão, a noção de que a minha humanidade está atrelada à sua humanidade.

Quero sugerir algumas medidas que nos leve novamente ao exercício desse senso tão negligenciado.

• A primeira é que todos nós devemos ajudar a desenvolver a cultura da tolerância:

VIVA E DEIXE VIVER...

• Em segundo lugar vamos praticar o lema:

“discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”.

• Em terceiro lugar vamos aprender a concordar em discordar. Aqueles que discordam de nós não são, necessariamente, inimigos; se assim fosse, haveria pouquíssimos casais ainda juntos por aí!

• Em quarto: nossa diversidade... precisamos sempre celebrar e reafirmar, pois nossa diversidade se constitui de raças, de culturas, de religiões e de opiniões. Queremos que nossa sociedade seja caracterizada pelo debate vigoroso e pela diferença de opiniões, em que discordar é parte de uma comunidade vibrante, uma comunidade na qual chutamos a bola, não a pessoa; na qual não consideramos que aqueles que discordam, que expressam uma visão diferente são desleais ou inimigos. (Sempre será impossível que haja unanimidade em um determinado assunto. Enfim... não concordar com alguém não te faz inimigo dela.)

• Quinto: A verdade nunca sofrerá por ser desafiada e examinada.

• Sexto lugar: Vamos colocar um sorriso no rosto de DEUS. 

Enfim... a tradição africana usa a expressão ubuntu para identificar essa tradução do princípio do amor ao próximo. 

UBUNTU é uma palavra usada pelos povos Bantos, nas línguas zulu e xhosa, e pode ser traduzida mais ou menos como “sou o que sou pelo que nós somos”. Desmond Tutu, arcebispo anglicano na Africa do Sul, diz que “uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível aos outros, não preocupada em julgar os outros como bons e maus, e tem consciência de que faz parte de algo maior e que é tão diminuída quanto seus semelhantes que são diminuídos ou humilhados, torturados ou oprimidos”. 

Faz sentido dizer que uma pessoa com ubuntu também se reconhece honrada e respeitada em sua dignidade sempre que seus semelhantes assim são reconhecidos e respeitados.

Juliano Fabricio
pelo senso de UBUNTU
[tentando colocar um sorriso no rosto de DEUS]


“A verdadeira dificuldade não está em aceitar ideias novas, mas em escapar das ideias antigas”. Keynes 

“Sábio é aquele que se espanta com tudo”. André Gide 

“Todos os jogos são educativos, menos os jogos educativos”. André Lapierre 

“Pensa como pensam os sábios, mas fala como falam as pessoas simples”. Aristóteles 

“Tudo que se ensina à criança a impede de inventar ou de descobrir”. Piaget

“A maneira mais simples de corromper um jovem é ensiná-lo a respeitar mais aqueles que têm opiniões iguais às suas que aqueles que têm opiniões diferentes das suas. ” Nietzsche

“a origem dos nossos males está na comparação”. Kierkegaard

“A tragédia da vida é o que morre dentro do homem enquanto ele vive”. Albert Schweitzer

“Em oposição àqueles que ensinam leitura dinâmica, Schopenhauer afirma que a leitura só é boa quando é bovina, quando leva à ruminação”.

“Podemos ter um grande talento e sermos estúpidos de sentimentos e moralmente imbecis. ”

"Somos humildes na esperança de um dia sermos poderosos."

“Pelo que me diz respeito, jamais de bom grado me entregarei, nem outorgarei a minha confiança a um condutor de povos que não esteja penetrado da ideia de que, ao conduzir um povo, conduz homens, homens de carne e osso, homens que nascem, sofrem e, ainda que não queiram morrer, morrem; homens que são fins em si mesmos e não meios...”

“As lâmpadas valem pelas cenas que iluminam. ”

“Sacramento é uma presença na qual mora uma ausência. ”

“Não existe amor que sobreviva só de sentimentos, sem a conversa mansa. ”

“Simplicidade é caminhar com uma mochila leve”

“Só são verdadeiramente felizes aqueles que procuram ser úteis aos outros”.

“Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única”.

“Felicidade é nada mais que boa saúde e memória ruim”.

“Ouvir é se colocar do lado de fora” - “É preciso saber ouvir”. 

“O segredo do amor é a androginia: somos todos, homens e mulheres, masculinos e femininos ao mesmo tempo”. 

“Deixar que o outro entre dentro da gente”. 

“Nada mais fatal contra o amor que a resposta rápida. Uma resposta rápida é um alfanje que decapita. Escutar demanda tempo. Há pessoas muito velhas cujos ouvidos ainda são virginais: nunca foram penetrados”.


Aforismo é um texto breve que enuncia uma regra, um pensamento, um princípio ou uma advertência. É um estilo de sentença que articula literatura e filosofia em que a percepção da vida, da sociedade, ou tudo que venha a ser objeto de pensamento, é realçado pela expressividade de uma mensagem verdadeira e concisa.

Aforismo é qualquer forma de expressão sucinta de um pensamento moral. Do grego “aphorismus”, que significa “definição breve”, “sentença”.


Por que sou cristão? Uma razão é a cruz de Cristo. Na verdade, eu jamais poderia crer em Deus se não fosse pela cruz. É a cruz que dá credibilidade a Deus. O único Deus em quem eu creio é aquele que Nietzsche, filósofo alemão do século 19, ridicularizou, chamando-o de ‘Deus sobre a cruz’. No mundo real da dor, como adorar um Deus que fosse imune a ela? Em minhas viagens, entrei em vários templos budistas em diferentes países da Ásia. Permaneci neles em atitude respeitosa diante de uma estátua de Buda, que tinha as pernas cruzadas, os braços dourados, os olhos fechados, o fantasma de um sorriso nos lábios, sereno e silencioso, com um olhar distante na face, desligado das agonias do mundo. Em cada uma dessas vezes, depois de um tempo eu tinha de dar as costas. E, em minha imaginação, voltava-me para aquela figura solitária, retorcida, torturada sobre a cruz, com pregos lhe atravessando as mãos e os pés, com as costas dilaceradas, distendidas, a testa sangrando nos pontos perfurados por espinhos, a boca seca, sedenta ao extremo, mergulhada na escuridão do esquecimento de Deus. O crucificado é Deus por mim! Ele colocou de lado a sua imunidade para sentir a dor. Ele entrou em nosso mundo de carne e sangue, lágrimas e morte. Nossos sofrimentos se tornam mais suportáveis à luz do Cristo crucificado. Há ainda um ponto de interrogação no sofrimento humano, mas sobre ele estampamos ousadamente outra marca – a cruz, símbolo do sofrimento divino. 

John Stott em seu livro Por Que Sou Cristão


Fonte da imagem: jimlepage


Parece ser uma necessidade do homem a classificação. 

O desejo de conferir adjetivo a tudo e todos. Trata-se de uma satisfação, pois supre a preguiça de quem narra e a curiosidade de quem ouve. Engraçado perceber como nos contentamos em descrever uma pessoa repleta de particularidades infinitas com um único qualificador tal qual “simpático”, “sistemático” ou seja lá o que for.

Se a classificação traz os benefícios já mencionados, o fato é que também revela alguns iminentes perigos. 

Isto porque a adjetivação não respeita a complexidade do indivíduo. Por considerar o homem, equivocadamente, como que comportando-se de maneira linear e previsível. Deste modo, um sujeito insensível sempre se comportará de maneira insensível. Cria-se um rótulo que justifica e limita condutas. Uma classificação que espera que o classificado sempre se comporte como então designado. É por assim dizer, das tarefas mais difíceis, derrubando conceitos já previamente formados. Primeiro porque eles possuem fundamentos verdadeiros ainda que parciais. Depois porque toda tentativa de desvencilhar-se do conceito soará anti-natural ou se perderá no anonimato. Cria-se um círculo vicioso.

Você já reparou como toda jogada de um atleta de futebol consagrado é normalmente descrita como genial, ainda que desprovida de qualquer anormalidade? Ou talvez como as palavras de um sábio derrame consentimento mesmo proferidas por uma boca pecadora? De um lado porque aquele que incorpora o rótulo precisa, a todo o momento, justificá-lo a fim de satisfazer os olhos gulosos. Não se admite a trivialidade. Espera-se a jogada dos sonhos, o pensamento original, o conselho ideal. Qualquer movimento precisa ser calculado e todas as palavras desenhadas com minúcia antes de serem ditas. Por outro lado, o esforço por engolir comportamentos de forma uniforme por quem observa. Por arquitetar genialidade forçada na normalidade de uma frase despretensiosa.

Todo rótulo é cruel. 

Por não respeitar a dinamicidade do homem e seu processo de santificação. Por escravizar quem o recebe e quem o cultiva. Porque o sábio pode dizer absurdos. O insensível pode praticar atos de misericórdia. O egoísta, ser transformado. O preguiçoso pode estar lutando bravamente para fazer-se servo… A classificação zomba do poder do Espírito Santo. Afasta pessoas, endurece corações. E você? Quais rótulos tem colocado em si mesmo e nos outros? Quais deles tem cultivado? Liberte-se.

Juliano Fabricio
*vide o verso*


[Algumas pessoas tentam isolar a tentação de suas vidas.] 

Só freqüentam festas “seguras”, assistem filmes “seguros” e têm amigos “seguros”. Ficam distantes dos desafios e dos compromissos "não-cristãos". Estabelecem uma série de regras e padrões comportamentais para seguir rigidamente, de modo que a tentação jamais encontre uma brecha em sua personalidade. 

Todas essas coisas podem ser apropriadas ocasionalmente para manter a porta da tentação fechada. Mas qualquer solução real também tem de lidar com o cérebro. Se seus pensamentos estiverem livres da tentação você poderá resistir aos problemas que amigos e situações trazem a sua vida. 

Acho a analogia abaixo muito útil. 

A pressão física, real, assemelha-se à pressão da tentação. 

Você pode “escapar” dela ate certo ponto. Você acha que um submarino, por ser à prova d’água, pode descer tão fundo quanto deseje? Não pode. Até mesmo os submarinos atômicos construídos com reforço suficiente para atravessar o gelo do Pólo Norte possuem um limite de profundidade. 

Um submarino conhecido como Thresher ultrapassou essa profundidade alguns anos atrás. Quando a pressão ficou muito grande, a água do mar triturou seu casco de aço como se o submarino fosse um modelo de plástico. Os pesquisadores encontraram apenas fragmentos daquele enorme submarino. O tremendo peso do mar havia esmagado seu caso de aço.

 Isso é >>pressão<< 

E se você quiser ir mais fundo para alcançar o fundo do mar? Há estruturas construídas especialmente para isso. Elas são estritamente para pesquisa – bolas de aço que descem no oceano através de um cabo. Somente um pesquisador cabe dentro delas, protegido pelo pesado revestimento de aço. Enquanto desce, ele espreita por uma placa grossa de vidro, procurando nas profundezas do oceano pela vida que pode sobreviver debaixo de uma pressão dessas. 

Ele vê peixes. Você poderia supor que esses peixes, vivendo em tamanha profundidade, tivessem a constituição de um tanque do exercito. Mas não tem. Enquanto o pequeno submarino tem polegadas de aço para protegê-lo, esses peixes têm pele normal, com uma fração de polegada de grossura. Eles nadam livremente, curiosos, ao redor do escafandro. Às vezes emitem luzes de néon. Eles possuem um segredo: uma pressão igual e contrária dentro de si mesmos. 

Na vida real, alguns cristãos lidam com a pressão revestindo-se com polegadas de aço. Eles se protegem do mundo exterior e se encurralam em um espaço estreito, tateando na escuridão. Eles estão seguros ali dentro.

Mas o tipo de liberdade de Deus é mais como a do peixe. 

Mantemos nossa forma não por meio de aço, mas por meio do Espírito Santo de Deus, que nos dá força interior para lidar com cada ponto de pressão em nossa vida. 

Romanos 12:2, uma conhecida passagem da Bíblia, diz essencialmente isto: “não se deixem comprimir no molde deste mundo, mas sejam transformados pela renovação de suas mentes”. A pressão exterior quer fazer que você se amolde – que seja como todo o mundo. O Espírito de Deus contra-ataca a partir do interior, através de sua mente. 

Sempre haverá pressões “tentações” enquanto viver nessa terra, mas quanto mais se aproximar de DEUS, menos vai querer decepcioná-lo.

Juliano Fabricio
aprendendo com um peixe


O que as suas mãos tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força, pois na sepultura para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria. Eclesiastes 9.10 

O trabalho é um projeto da alma. É uma questão espiritual. Não à toa, em Gênesis 3 se diz que uma das conseqüências da rebelião humana foi a perda do sentido espiritual do trabalho, tornando-o uma experiência sofrida de trocar o suor do rosto pelo pão de cada dia. 

Saber que seu trabalho melhora o mundo é uma maneira de sentir-se cooperador de Deus. Fato é, no entanto, que a maioria de nós não tem a oportunidade de ver tanta nobreza no resultado de seu trabalho. 

Então precisamos encontrar sentido no que fazemos a despeito da sensação de despropósito. E mais, fazemos parte de um sistema regido pelo capital e caso você não tenha se convencido até agora a largar tudo e viver numa montanha entre Hippies, vai precisar descobrir o que fazer na próxima segunda-feira. 

Seguindo Salomão, eu diria: se puder, trabalhe por amor, onde ama, fazendo integralmente o que ama fazer, aliás, se você sabe exatamente o que ama na vida, você é um raro felizardo, esqueça o resto de nós e pare de ler por aqui; mas se você precisa trabalhar em lugares de que não gosta tanto, em tarefas não tão extraordinárias e nem sabe bem o que gostaria de ser na vida, então assuma isso, não se cobre tanto e faça o seu melhor onde você está, faça o que ama em horas livres, ganhe o quanto puder, de modo legítimo, não gaste mais do que precisa, poupe apenas quando souber o que fazer com a reserva, divida o que tem, desfrute sem culpa do seu conforto e sobreviva às estações de escassez. 

Sobretudo, trabalhe sempre, pois emprego nem sempre temos, quase nunca como sonhamos, mas trabalho podemos arrumar a qualquer momento, até mesmo dentro de casa. Nunca pare de trabalhar, nem quando se aposentar. Quem não trabalha, nem que seja numa simples tarefa de consertar coisas em casa, mata a própria alma. 

Alexandre Robles da Série “Coisas que eu gostaria que tivessem me contado”.



Consiste em que se um dia alguém, para ajudar um faminto, sedento, doente, preso, estrangeiro ou nu, se aproximou dele de cima para baixo, achando-se ele mesmo o messias, esse não O achará.

Por outro lado, aqueles que, para ajudar, se aproximaram de um faminto, sedento, doente, preso, estrangeiro ou nu, despretensiosamente, de baixo para cima, O acharão, sem nem saber ou procurar.

Curiosamente o Messias estará na pele do necessitado e não na do caridoso, na do fraco e não na do forte, na do salvado e não na do salvador (Mt 25:35).

Juliano Fabricio via
 


A vida em torno do falso “eu” gera o desejo compulsivo de apresentar ao público uma imagem perfeita, de modo que todos nos admirem e ninguém nos conheça.

A vida dedicada à sombra é uma vida de pecado. Pequei em minha recusa covarde — por temer ser rejeitado — de pensar, de sentir, de agir, de responder e de viver a partir do meu “eu” autêntico. Recusamos ser nosso verdadeiro “eu” até mesmo com Deus — e depois nos perguntamos por que nos falta intimidade com ele.

O ódio pelo impostor é na verdade o ódio de si mesmo. O impostor e eu constituímos uma só pessoa. O desprezo pelo falso “eu” dá vazão à hostilidade, o que se manifesta como irritabilidade geral — irritação pelas mesmas faltas nos outros que odiamos em nós mesmos. O ódio próprio sempre redunda em alguma forma de comportamento auto-destrutivo.

Aceitar a realidade da nossa pecaminosidade significa aceitar o nosso “eu" autêntico. Judas não conseguiu encarar sua sombra; Pedro conseguiu. Este fez as pazes com o impostor interior; aquele que se levantou contra ele. Quando aceitamos a verdade do que realmente somos e a rendemos a Jesus Cristo, somos envoltos em paz, quer nos sintamos em paz, quer não. Quero dizer com isso que a paz que ultrapassa o entendimento não é uma sensação subjetiva de paz; se estamos em Cristo, estamos em paz, mesmo quando não sentimos nenhuma paz.

Jesus revela os verdadeiros sentimentos de Deus em relação a nós. Ao virarmos as páginas dos evangelhos, descobrimos que as pessoas que Jesus lá encontra são você e eu. O entendimento e a compaixão que ele oferece a elas, ele também estende a você e a mim.

Quanto maior o tempo na presença de Jesus, mais você ficará acostumado com sua face e de menos adulação necessitará, porque terá descoberto por si mesmo que ele é suficiente. E, nessa Presença, você se encantará com a descoberta do que significa viver pela graça e não pelo desempenho.

Juliano Fabricio um impostor  lendo
"O impostor que vive em mim" (Brennan Manning)


Dobrando-se aos poderes do mundo, a mente deformou o evangelho da graça em cativeiro religioso e distorceu a imagem de Deus em forma de um guarda-livros eterno e cabeça-dura. A comunidade cristã lembra mais uma bolsa de valores, na qual a elite é honrada e os comuns ignorados. O amor é reprimido, a liberdade acorrentada e o cinto de segurança da justiça-própria devidamente apertado. A igreja institucional tornou-se alguém que inflige feridas nos que curam, em vez de ser alguém que cura os feridos. 

Dito sem rodeios: a igreja evangélica dos nossos dias aceita a graça na teoria, mas nega-a na prática.

 Dizemos acreditar que a estrutura mais fundamental da realidade é a graça, não as obras – mas nossa vida refuta a nossa fé. De modo geral o evangelho da graça não é proclamado, nem compreendido, nem vivido. Um número grande demais de cristãos vive na casa do temor e não na casa do amor. 

Nossa cultura tornou a palavra graça impossível de compreender. Repercutimos frases do tipo “Nessa vida nada é de graça” ou “Sem dúvida, dê a cada um o que merece – e nem um centavo a mais”. 

Estamos vivendo a era dos sermões “toma lá, dá cá”, isso fica a impressão que uma espiritualidade “faça-você-mesmo” é a nova onda evangélica. 

Embora as escrituras insistam que é de DEUS a iniciativa na obra da salvação – que pela graça somos salvos, que é o formidável Amante quem toma a iniciativa – freqüentemente nossa espiritualidade começa no “eu”, não em Deus. A responsabilidade pessoal substitui a resposta pessoal. Falamos sobre adquirir a virtude como se ela fosse uma habilidade que pudesse ser desenvolvida, como uma bela escrita ou uma jogada de mestre. 

Enfim...precisamos entender e não sermos ludibriados....pois DEUS tem um único posicionamento inflexível com relação a nós: Ele nos ama. 

**Só tem um problema: Isso é naturalmente incrível demais para aceitar e não é para gente barulhenta e cheia de si que manipula o cristianismo a ponto de torná-lo um simples apelo ao emocionalismo ou ainda um duro julgo a se carregar... 

Juliano Fabricio lendo
 Brennan Manning


“As coisas se constituíram assim…”. “Constituíram…”. 

Usaram essa expressão comigo há algumas semanas e não consegui me desgrudar dela. Talvez esteja mais apaixonado pela sonoridade do que pelo que ela pode mudar se comparada a outras, sinônimas. Soa diferente falar que as coisas se construíram assim, se formaram assim. Mas o que quero mesmo dizer é que nessa frase existe alguma redescoberta sobre o passado sempre que penso nela outra vez. Dizer “as coisas se constituíram assim” é olhar para os acontecimentos com mais leveza, como se os erros tivessem que merecer apenas atenção suficiente – não pouca, que nos faria cair na ilusão, ou muita, nos levando uma culpa desgastante. O certo, mesmo, é que faz uma diferença danada levar as coisas com mais leveza.

“Serenidade é um movimento de dança diante do caos”

Serenidade é um tipo de benção que deveria ser considerada mais seriamente. A gente enxerga melhor algumas coisas e outras a gente nem nota, só porque não vale a pena dar atenção àquilo. Não deixa de ser um movimento espiritual progressivo que se faz: às vezes vai ser necessário “transcender” pra escapar e se manter longe a fúria batendo à porta. Aí se canta até com mais propriedade que “sereno é quem tem a paz de estar em par com Deus”.

Não se trata exatamente de um lugar para estar e que se consiga habitar toda hora – isso a gente tem certeza que não se alcança, pelo menos não aqui, agora. Mas visitar com certa frequência cai bem, muito bem. Diferente de ser calmo ou de obedecer certas rotinas que demonstram fisicamente este sentimento, serenidade é mais um movimento de dança diante do caos. Esbarrar no caótico toda hora (não é assim, hoje?) deveria funcionar mais como aquela contemplação em “Melancolia”, do Von Trier. É escolher entre ser sugado pela gravidade do planeta prestes a esbarrar no nosso ou só respirar. E parar para apenas respirar, hoje, não é uma posição de passividade frente ao turbilhão. Como ouvi um tempo atrás e ainda carrego comigo: se ficar estressado resolvesse, era um mundo belo que teríamos hoje.

É desse scary world que a gente morre de medo. De quem não tem receio de pisar no outro pra garantir o seu (esqueça os políticos, tô falando de gente), de quem garante muito que seu juízo é sempre acima do bem e do mal, por motivos inexplicáveis (ou não). A gente se assusta toda hora com as atrocidades do outro, tão perto de nós. Ou mesmo porque nós agimos assim, sem pensar. Confesso que deve me faltar mais “transcendência cristã” pra suportar isso. Se as vivências e sentimentos muitas vezes andam frágeis neste sentido, lembro da música que talvez tenha sido a mais espiritual de todas que ouvi nos últimos meses. É nesse tipo de confiança numa eternidade (atemporal, infinita, só pra lembrar), cantada por Marcelo Camelo, que parece valer a pena apoiar a busca pela serenidade: “já não tenho medo do mundo, sou filho da eternidade”. O eterno sereno que a gente tanto quer, porém, passa e a gente não vê. Às vezes, as coisas se constituem assim, mas não é por isso que elas devam ser assim pra sempre.

via: catavento


Uma vez cheguei em casa e ela me perguntou:

– Você, que é padre, você já viu Deus?

– Mãe, a gente não vê Deus.

– Mas como, você, tantos anos padre, não viu Deus? Isso é uma vergonha para o padre!

– Mãe, a senhora vê?

– Lógico que eu vejo Deus. De vez em quando tem o pôr-do-sol, aquelas nuvens, fico olhando e ele passa com aquele manto, sorrindo, e atrás vem teu pai que já morreu, sempre olhando pra mim e rindo, e eu fico uma semana inteira com alegria no coração. – E me olhava com tristeza infinita – Como é possível que os padres não vêem Deus?

Leonardo Boff, falando sobre sua mãe.


[Meu pai] dizia:

– Deus inventou os padres, o sacerdócio. O diabo inventou o clero. O clero tem de ser enforcado com a tripa do último padre, porque a desgraça é o clero na Igreja (risos).
Então, ele já nos ensinava essas coisas desde pequeninos. Eu fui para o seminário dizendo:

– Olha, o clero tem de ser enforcado (risos).
Quase me mandam de volta! Uma frase que sempre guardo dele é:

– A Igreja Católica vive daquilo que Jesus não quis – isto é, poder, instituição, aparato. – A referência nossa tem de ser a Bíblia, porque ela é a palavra de Jesus, lá você não vê poder, não vê nada disso.

Leonardo Boff, falando sobre seu pai.


Vire à direita e não saberás o que tem na esquerda. Vire à esquerda e não saberás o que tem na direita. Não adianta, todas as escolhas deixam algo para trás.

Após a eleição de 2010, num artigo em Ultimato, reclamei do nível do debate político entre evangélicos de classes média e média alta. Não era a opção pela direita de alguns que me preocupava, mas sim a maneira como o debate era conduzido. É natural haver defensores evangélicos de várias posições políticas; e eu esperaria ver, da parte dos evangélicos mais favorecidos no sentido educacional, uma discussão madura e não-maniqueísta, que ajudasse a comunidade evangélica a amadurecer politicamente e a exercer seu papel na sociedade com mais seriedade. Em vez disso, em 2010, víamos análises alarmistas, apocalípticas e maniqueístas.

Ao entrarmos no ano eleitoral de 2014, o que podemos esperar?

Infelizmente, os indícios não são positivos. Ultimamente, no meio evangélico, têm aparecido vários artigos virulentos contra a esquerda, usando as formas mais espúrias de argumentação, como ataques à moral e às motivações dos que pensam de modo diferente, e a caracterização da esquerda em termos das suas piores manifestações históricas e da direita em termos apenas dos seus ideais.

Estranhamente, uma das caracterizações mais comuns é a da esquerda como autoritária. Além de ignorar os exemplos — muito mais numerosos — de autoritarismo de direita, essa caracterização também ignora o profundo compromisso democrático de seus irmãos na fé que se consideram de esquerda. Pior ainda, não se percebe quão irônico é querer defender a democracia com insultos.

O autoritarismo não se combate insultando e descaracterizando — e, em alguns casos, literalmente demonizando — os que pensam de outra maneira. Pelo contrário, o destempero no “debate” político é inimigo da democracia e pode até preparar o terreno para futuros autoritarismos.

Nossa principal preocupação, então, é com o “estilo” dos ataques à esquerda e o dano que fazem à comunidade evangélica. Os evangélicos mais bem formados, seja qual for a posição política deles, têm o dever de “educar politicamente” a comunidade evangélica por meio de um debate conduzido “de maneira cristã”. Isso significa não insultar o outro lado. Evangélicos de formação privilegiada têm a responsabilidade de fazer uma contribuição evangélica séria ao debate político nacional e de aprofundar o debate político no meio evangélico. Deveriam justificar a sua opção pela direita (perfeitamente legítima) em linguagem sóbria e ponderada, e não em linguagem apocalíptica que coloca em dúvida o “status” evangélico de quem pensa diferente. Deveriam liderar o amadurecimento evangélico num debate político mais sério e condizente com a democracia. Porém, até agora, infelizmente, vemos negligenciadas as virtudes cristãs de busca da verdade e de não distorcer as ações e intenções de nossos opositores.

Além de protestar contra a maneira anticristã como o debate tem sido conduzido, queremos também afirmar a importância desse debate. A metáfora espacial “esquerda-direita” é útil por dois motivos: para a representação simbólica de teorias políticas e para ambos os lados se definirem um em contraposição ao outro. O espectro político esquerda-direita está longe de ser superado. Contudo, as divisões não devem ser vistas como camisa de força, mas sim como uma questão de valores políticos.

A linhagem teórica que reúne a esquerda, de acordo com o cientista político Norberto Bobbio, é o seu ideal de igualdade social, em contraste com a direita que enfatiza o ideal da liberdade individual. Esses termos podem ser imprecisos, mas constituem o ponto de partida para a distinção. Existem casos em que os dois ideais são compatíveis e complementares, outros em que podem excluir-se reciprocamente, e existe a terceira possibilidade: a de buscar o equilíbrio. Com efeito, nenhum dos ideais pode ser realizado completamente sem limitar o outro. No entanto, a esquerda democrática está longe de propor a negação da liberdade. Antes, considera que a liberdade efetiva para todos é possível somente por meio de um certo grau de igualdade.

A democracia tem como elemento central a igualdade “política”. O paradigma liberal afirma que o livre mercado e a democracia não entram em contradição, que existe uma afinidade de valores entre os dois. No entanto, existe um problema fundamental no paradigma liberal, pois o livre mercado limita os que não têm força social para afirmar a sua liberdade. Esta é a crítica mais contundente que a esquerda propõe: quem não tem escolha real está submetido à precariedade e à vulnerabilidade. Portanto, segundo a esquerda, há uma tensão inerente ao paradigma liberal, pois a desigualdade econômica mina os direitos políticos e civis.

Podemos colocar a mesma crítica em termos bíblicos. Uma das caracterizações mais centrais da Bíblia a respeito do ser humano é a condição “caída” dele, ou seja, seu afastamento de Deus e consequente tendência ao pecado e à desintegração interior. Essa é uma das condições mais niveladoras da humanidade: “todos nós” somos pecadores. Essa “comunhão” universal humana no pecado é uma das grandes justificativas da democracia: ninguém merece ter poderes ilimitados e não supervisionados sobre os seus semelhantes.

Apesar disso, o cristianismo, no decorrer da história, foi frequentemente usado para defender ideais de desigualdade. Porém, o princípio da igualdade é como a medicina para nós: é boa, não porque seja necessariamente agradável, mas porque estamos doentes. Devido à natureza caída do ser humano, onde houver desigualdade, haverá opressores e oprimidos. Por isso, “amar ao próximo como a si mesmo” inclui, na medida do possível, o esforço para quebrar as estruturas desiguais que engendram a opressão.

No campo da esquerda política, o valor principal é a busca pela igualdade social. Afinal, a liberdade somente se torna efetiva em conjunto com um certo grau de igualdade. Somente assim, o princípio fundamental da democracia, a saber, a igualdade política, se realiza. Porém vemos, cada vez mais, as instituições globalizadas não eleitas ditando as regras para governos nacionais, muitas vezes à custa do bem-estar da população. E vemos governos se tornando reféns cada vez mais do poder financeiro e econômico. Não é difícil perceber como a desigualdade prejudica a democracia.

Há muitos outros argumentos cristãos que podem ser usados a favor de posições políticas que se costuma chamar de “esquerda”. Há, também, argumentos cristãos para defender posições de direita. Tenhamos, então, um debate adulto no meio evangélico, sem questionar a sinceridade e, muito menos, a condição cristã do outro lado. Entre a revelação bíblica e as opções políticas de hoje, há uma longa “ponte hermenêutica” a atravessar, e, ao atravessá-la, podemos tentar compartir com os outros caminhantes um pouco da luz que temos e estar abertos para receber deles um pouco da luz que talvez possuam.

Paul Freston e Raphael Freston, na Ultimato


Mas enquanto a maioria dos filósofos e comentaristas da sua época saudava essa grande nivelação da cultura como sinal da democratização da sociedade, Kierkegaard acreditava que ela poderia representar um declínio na coesão social, um festim de reflexão interminável e desinteressada, o triunfo de uma curiosidade intelectual infinita mas rasa que acabaria impedindo um compromisso profundo, significativo e espiritual com qualquer questão particular.

“Nem mesmo um dos que pertencem ao público tem um compromisso essencial com o que quer que seja”, Kierkegaard observava amargamente em seu diário. De repente as pessoas começavam a interessar-se por tudo e por nada ao mesmo tempo; todos os assuntos, não importava quão ridículos ou sublimes, estavam sendo equalizados de tal modo que nenhuma causa importava mais o bastante para se dar a vida por ela. A terra estava se tornando plana, e Kierkegaard odiava a ideia. Para ele, todas as conversas produzidas nos cafés só estavam levando “à abolição daquela distinção apaixonada entre ficar quieto e falar”. E o silêncio para Kierkegaard era importante, porque “só a pessoa capaz de ficar essencialmente quieta é capaz de falar de modo essencial”.

Para Kierkegaard, o problema com a crescente conversação — epitomada pela “absolutamente desmoralizante existência da imprensa diária” — era que ela existia do lado de fora das estruturas políticas e exercia muito pouca influência sobre elas. 

A imprensa forçava as pessoas a desenvolver opiniões veementes a respeito de todos os assuntos, mas raramente motivava o impulso de agir em conformidade com elas. 

Com frequência as pessoas encontravam-se tão inundadas de opiniões e de informação que acabavam adiando indefinidamente qualquer decisão importante.

A falta de compromisso, ocasionada pela multiplicidade de possibilidades e pela fácil disponibilidade de rápidos paliativos espirituais e intelectuais, é que era o verdadeiro alvo da crítica de Kierkegaard. Ele acreditava que era só fazendo compromissos (um de seus termos favoritos) arriscados, profundos e autênticos; que era só discriminando entre diferentes causas e lidando com os triunfos e os desapontamentos dessas escolhas e aprendendo com as experiências resultantes, que as pessoas alcançavam a sabedoria e enchiam suas vidas de significado. “Se você é capaz de ser um homem, o perigo e o severo julgamento de existir irrefletidamente irá ajudá-lo a tornar-se um” é como ele resumia a filosofia que viria a ser conhecida como existencialismo.

Não é difícil imaginar o que Kierkegaard teria pensado da cultura da internet dos nossos dias, dominada por um ciclo de 24 horas de sabichonice e de um compromisso fluido com ideias e relacionamentos. “O que Kierkegaard via como a consequência de uma cobertura irresponsável e descomprometida por parte da imprensa alcançou sua plena concretização na internet”, escreve Hubert Dreyfus, filósofo da Universidade da Califórnia em Berkeley. Um mundo em que professar o comprometimento pessoal com a justiça social não requer mais do que redigir um status socialmente consciente de Facebook teria despertado em Kierkegaard o mais profundo rancor.

Evgeny Morozov, em The Net Delusion via


Somos menos humanos do que gostaríamos, porque não sabemos ainda o que é ser humano.

Os genes que nos faz humanos são os mais recentes, não estão tão adaptados e sedimentados.

Muitos genes animais com o tempo serão desligados, como 90% do genoma humano que é lixo genético que nós carregamos sem necessidade.

Fidelidade masculina é um comportamento humano recente, um gene por assim dizer ainda em desenvolvimento.

Faz muito mais sentido hoje um homem ser sexualmente fiel, do que gastar o seu tempo em motéis seduzindo mulheres e torcendo para que elas nunca engravidem.

Mas nem todos adquiriram o gene da fidelidade, ou ainda tem o gene da promiscuidade animal ligado, por isto talvez ele tenha sofrido tantas recaídas, perdendo a sua batalha com os genes animais.

Somos menos humanos do que gostaríamos, porque não sabemos ainda o que é ser humano.

Mais um exemplo que discutiremos em detalhe mais adiante.

Muitos intelectuais brasileiros, sociólogos e historiadores fazem suas ciências com a premissa de que o ser humano é egoísta.

Que o ser humano é ganancioso, que só busca o lucro, danem-se os outros.

Rose Marie Muraro, é mais do que taxativa, “homem é egoísta, mulher é altruísta”.

Uma frase ofensiva aos homens, o que provavelmente era a intenção da autora, mas que não se justifica no mundo acadêmico, pautado como deveria ser na ciência.

Hoje, geneticista sabe que um antepassado nosso egoísta não sobreviveria sequer um único dia, ninguém conseguiria caçar mamutes sozinho.

Até hoje, quem quiser produzir tudo sozinho produzindo bens somente para si morrerá de fome.

É o triste futuro de todos que acreditam no “artesanato”, na “economia solidária”, no professor de universidade que dá aula “sozinho”.

O que nos faz humanos não é o gene do egoísmo é o gene da cooperação.

Cooperação que vai desde a relação homem mulher na família até a cooperação das 200 pessoas que trabalham no hospital do seu bairro.

Se tiver um funcionário egoísta ou se o marido for egoísta e a mulher também, nem preciso dizer o que irá acontecer.

Cooperamos porque queremos o bem de todos, e é assim que nós avançamos, pela cooperação e não pelo egoísmo.

Por isto, a Ciência da Administração está lentamente substituindo a Economia, a Política e a Sociologia. Administração lida com a cooperação de pessoas estranhas entre si, 2.000 a 30.000 delas.

Não que ela seja uma ciência superior, mas a Administração sempre partiu do princípio da cooperação como força motriz que rege o movimento civilizatório, e o administrador sempre se preocupou em aprimorá-la, estimulá-la e incentivá-la.

Hoje, a ciência da administração é a terceira opção do jovem brasileiro, depois de Medicina e Advocacia.

Se o seu futuro marido ou esposa é formado em Administração, seu casamento já começou na trilha certa.

Você terá alguém que acha que a essência do ser humano é a cooperação, e não a centralização do poder na mão de um dos dois, do homem provavelmente.



A Bíblia Sagrada fala da experiência espiritual cristã como “passagem das trevas para a luz” e anuncia a irrupção do Reino de Deus na pessoa de Jesus. A descrição é clara: “O povo que estava em trevas viu uma grande luz”, e por essa razão aqueles que seguem a Jesus não andam em trevas. Quem nasceu de novo, isto é, recebeu o toque do Espírito Santo e acolheu o reinado de Deus em sua vida, foi iluminado e passou a ver, como o cego curado por Jesus: “Eu era cego, agora vejo.”

Jesus disse que o olho é a lâmpada do corpo. Assim, se você tiver um olho bom, todo o seu corpo será repleto de luz, mas se tiver um olho mau, tudo em você estará repleto de escuridão. E, continua, “caso a luz que está em você seja escuridão, quão terrível será essa escuridão”.

No judaísmo, “ter um olho bom”, um ayin tovah, significa ser generoso, e ter “um olho mau”, ou ayin ra’ah, significa o contrário — ser mesquinho. A cegueira é comparada ao egoísmo, a visão, à solidariedade, à compaixão e também à autodoação voluntária e ao serviço abnegado. Enxergar é servir. Andar na luz é praticar as “boas obras, preparadas de antemão para que andássemos nelas”, e sem as quais “a fé é morta”.

Aproveitando o dito popular que afirma que “o pior cego é aquele que não quer ver”, podemos crer que a pior cegueira é a cegueira da cegueira. Quem transforma a fé em Cristo numa crença inconsequente é cego que pensa que vê. E é cego de sua própria cegueira, isto é, o pior dos cegos. A distância entre a cegueira e a visão é a mesma que separa a indiferença do engajamento. Quem recebe a graça de ver recebe a missão de servir.

fonte: Facebook


"Duas coisas peço que me dês antes que eu morra: Mantém longe de mim a falsidade e a mentira; Não me dês nem pobreza nem riqueza; dá-me apenas o alimento necessário. 

Se não, tendo demais, eu te negaria e te deixaria, e diria: ‘Quem é o Senhor? ’ Se eu ficasse pobre, poderia vir a roubar, desonrando assim o nome do meu Deus. Provérbios 30:7-9

Desde muito cedo que presto atenção nos últimos desejos das pessoas que estão chegando perto da morte. Servem-me de filtro. Geralmente, quando se sabe que vai morrer, valoriza-se a vida de um modo diferente. Sentimos saudades, arrependimentos, nos alegramos com boas recordações e temos certezas que antes não tínhamos.

Em tais situações as pessoas tendem a valorizar amigos, sabores, cheiros, trivialidades. Dificilmente alguém ainda se importará com aparências e vaidades.

A oração de Salomão é um exemplo disso. Vou pedir a Deus que me dê uma vida cheia de significado, verdade, realidade, sinceridade. Não quero mentiras e falsidades, quero ser eu mesmo, quero ter ao meu lado pessoas reais, verdadeiras, não quero o que é virtual, ilusório, falso.

Também quero equilíbrio, serenidade, perenidade. “Não quero nem luxo nem lixo”, quero o suficiente, o bastante, apenas para que eu não seja exposto aos perigos dos pólos, nem da riqueza, que gera o fastio na alma, nem da pobreza, que massacra a alma forçando-a a lutar por aquilo que é aquém de tudo o que fomos feitos para viver e realizar.

Quero isso, verdade e equilíbrio.

@provérbios Adaptado das meditações do ®Alexandre Robles

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