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O filósofo Jean Paul Sartre tinha uma fase que se tornou célebre:
 “O Inferno são os Outros”. 

Segundo ele, são os “outros” quem afinal, nos trazem a maior parte dos desgostos e dissabores na vida.

Apesar de discordar deste ponto de vista, por acreditar que também são os “outros” que muita vezes nos trazem alegrias e momentos felicidade, concordo que em toda história da humanidade, pintar o “outro”, como o inimigo a ser erradicado, é a tônica do discurso.

Tornou-se lugar comum, ao longo da história o processo de “satanizar” aquilo que é diferente e muitas vezes incompreensível. Mesmo nas escrituras são fartos os exemplos em que divindades de outros povos são tratados como “coisa do demônio”. 

Por outro lado, é inútil exorcizar os demônios que nos espreitam via ativismo. 

Esses fantasmas se atiçam ao nos perceberem entregues à volúpia da conquista e do poder. 

Melhor viver em contato com dores, angústias e sombras do que passar pela existência perdido em delírios alucinatórios. 

Frequentemente, muita correria não passa de fuga. 

Para que a graça se reflita nos espelhos, precisamos de sossego. 

Esse papel de carregar o mundo nas costas não é nosso!!!

Nessa maldita correria de querer achar o diabo em todo lugar, deixo alguns conselhos:

Fertilizem o diálogo; alimentem-se de biografias para acompanhar a trajetória de Gandhi, Martin Luther King Jr., Madre Teresa, Nelson Mandela e Zumbi dos Palmares; familiarizem-se e apoiem ONGs envolvidas com comunidades carentes; visitem hospitais e escolas para crianças com necessidades especiais; conversem com homossexuais para entender suas reivindicações. (Estou em divida com algumas)

Enfim...o diabo no minimo somos nós...

Ps1: em 99% dos casos que vejo de manifestações demoníacas por ai, não tem Deus é muito menos o diabo. (Puro emocionalíssimo) #prontofalei

Ps2: o que precisamos entender de fato é o que fez de anjos demônios.

Ps3: Não consigo imaginar um Evangelho que não seja todo inclusivo.

O "vá, e não peques mais" só pode ser dito, sem pedras nas mãos, e depois do "nem eu te condeno"... 

Pedras nas mãos revela o quanto de demônio nós temos... fica a dica.

[A imagem abaixo deixa claro que entre anjos e demônios a linha é muito tênue.]


Juliano Fabricio
se exorcizando...


Fico me perguntando se a igreja não adotou um enfoque completamente equivocado ao tratar do sexo. 
(fui bem bonzinho...) 

Com demasiada frequência, a igreja tem tratado a sexualidade como uma ameaça, uma rival da espiritualidade. Se você está sobrecarregado com sexo, reprima sua sexualidade e sublime essa energia num anseio por Deus.

*Por séculos a igreja preferiu não tocar nesse assunto, chegando a proibi-lo.*

Questiono a motivação por trás disso. Será que podemos substituir de forma tão direta um impulso (o da união espiritual) por outro (o da união física)?

Duvido disso. Afinal, no jardim do Éden, quando Adão tinha perfeita comunhão espiritual com Deus, mesmo naquela época sentiu solidão e anseios que não encontraram alívio antes de Deus criar Eva.

Em vez de contrapor a sexualidade à espiritualidade, uma rivalizando com a outra, eu as vejo profundamente relacionadas. Quanto mais observo a obsessão de nossa sociedade com a sexualidade, mais percebo nisso uma sede de transcendência.

Nesse ponto de vista, o sexo não e um rival da espiritualidade, mas, em vez disso, aponta para ela. Quando a sociedade obstrui de forma tão abrangente a sede humana por transcendência, devemos nos surpreender que tais anseios se redirecionem para uma expressão de mero apego ao físico? 

Talvez o problema não seja que as pessoas estejam se despindo, mas que elas não estejam se despindo o suficiente: paramos na pele em vez de ir mais fundo, de ir até a alma.

Quando Deus repreendeu os israelitas por sua idolatria, não estava condenando a ânsia de adoração deles. Também não estava desaprovando as ânsias mais imediatas que os impulsionavam na direção dos ídolos: desejo por fertilidade, por bom clima, por sucesso militar. Em vez disso, ele os condenou por buscar essas coisas em amontoados inertes de madeira e ferro, em vez de buscá-las nele.

O que o Antigo Testamento chama de idolatria, 
nós chamamos de "vícios"

Estes, da mesma forma, são frequentemente coisas boas (sexo, comida, trabalho, chocolate) que extrapolam seu devido lugar e passam a controlar a vida de uma pessoa. Para muitos o sexo representa um "ídolo" no qual ele ou ela investe todos os sonhos e esperanças. O ídolo do sexo, assim como o bezerro de ouro, não consegue suportar o peso de tal comprometimento. Ele sempre decepciona.

Não foi a toa que uma "proscrita" mulher samaritana cheia de problemas nessa área foi a primeira pessoa a quem Jesus abertamente se revelou como Messias.

Enfim... “A sexualidade continua a ser o último tabu do cristianismo. Nada do que é humano nos deveria ser estranho (Terêncio). Os cristãos continuam a estranhar a natureza, ou, na visão de Rubem Alves, não querem ouvir “as vozes do corpo””. Ouvi isso em uma palestra do saudoso Robinson Cavalcanti

Juliano Fabricio
*contrariando a ótima cantora Rita Lee: 
Amor é cristão, Sexo TAMBEM.
(Ps:Ouça Rita Lee)


{Eis mais um tabu da religião a ser quebrado.}

Ora, o que regula uma relação afetiva não é a submissão, mas o amor! 

O mandamento é amar, não subjugar, é acolher, não amedrontar, é cuidar, não esmagar, pois em meio a essa questão da submissão da mulher o que mais se vê são os exageros e o uso perverso do texto sagrado para justificar desmandos inaceitáveis. 

Jesus não tratou desta questão, deixando claro, para mim, que o tema deve ser abordado de maneira consensual. 

Quando Paulo estabelece o postulado, na Epístola aos Efésios, ele trata de um ponto de vista da cultura patriarcal judaica, numa sociedade onde a mulher não tinha outra escolha a não ser aceitar o mando do marido. Seria absurdo, nesta perspectiva, o apóstolo ensinar qualquer outra coisa! 

Mas alguém vai dizer que esse é um princípio inamovível, inegociável. Bem, olhar para certas passagens das Escrituras requer coragem e bom senso. 

Alerta: Nós sabemos que o texto é inspirado, mas também precisamos compreender que, alguns deles, expiraram! 

É o caso da submissão da mulher. Uma análise básica sobre o extrato social atual já desmonta a doutrina. É dado do último censo do IBGE que, cerca de 60% das famílias das classes C e D hoje, são mantidas pelo trabalho das mulheres. Nos dias de Paulo, mulheres pariam filhos e cuidavam do marido e da casa. Nos nossos dias, elas dirigem nações! Um outro olhar pode lançar alguma luz sobre o tema. 

Quando Jesus trata da questão da autoridade, ele ensina que quem a exerce deve fazê-lo com a consciência de quem presta um serviço, ou seja, eu cativo a submissão de alguém porque, antes de tudo, cativei a pessoa pelo amor e pelo cuidado para com ela. 

O próprio Paulo já deixou plantada esta ideia quando usou a metáfora no texto de Efésios 5:25: “Maridos amai as vossas esposas como Cristo amou a igreja e sacrificou-se por ela”. Então, eu penso que este é um tema que deve ser abordado de forma honesta e buscando a luz da verdade para este tempo. 

Não vejo qualquer problema em haver igualdade de autoridade na relação, pois, onde há amor sincero, os conflitos são sempre resolvidos buscando o melhor para o outro. Onde não há, todavia, o código religioso será usado como mordaça existencial, como instrumento de opressão, como meio de chantagem, e tudo isso em nome de “deus”... 

Boa reflexão do
Carlos Moreira

Pois bem, se você se encaixa neste perfil, meu amigo(a), o que você precisa ouvir é que a motivação legítima para abandonar a ins­ti­tui­ção deve ser:

A custosa cons­ci­ên­cia de não ser melhor do que ninguém, e não a gostosa conclusão de ter alcançado maior com­pre­en­são do que alguns; 

A insana dis­po­si­ção de abraçar a comunhão com todos, não a elite com uns poucos; deve nascer de uma nova capa­ci­dade de encontrar sensatez em todas as tradições reli­gi­o­sas, e não de uma velha habi­li­dade de apontar ade­qua­da­mente os defeitos da sua. 

Deve estar: rela­ci­o­nada à vontade de abrir todas as portas, e não ao alívio de ver fechada uma. Antes de decidir deixar de fazê-lo, é preciso sacar que fre­quen­tar uma igreja é pro­va­vel­mente o menor dos seus problemas.

A verdade, incri­vel­mente, é que Jesus não veio libertar você ou quem quer que seja daquilo que costumo chamar de igreja formal ou institucional.

Ele deixou claro, e disso não deve haver dúvida, que cada seguidor seu deve ser capaz de abraçar simul­ta­ne­a­mente o peso da liberdade e a graça da res­pon­sa­bi­li­dade.

Ele chegou a dizer que este seria um caminho estreito, adotado por poucos ou com muito custo, mas não chegou a dizer onde o caminho levaria ou o que exigiria, pro­va­vel­mente porque cada um teria de encontrar sua própria resposta, e no final haveria uma resposta para cada pessoa. 

Ele sem qualquer dúvida denunciou espe­ta­cu­lar­mente as arma­di­lhas e tentações da reli­gi­o­si­dade formal e mostrou-se inva­ri­a­vel­mente pronto a criticar os reli­gi­o­sos pro­fis­si­o­nais em sua missão autoim­posta e diabólica de semear a culpa e endossar a opressão. 

Por outro lado, e deve ser a hora de enfa­ti­zar­mos isso, Jesus não chegou a convidar uma única pessoa, fosse um judeu trêmulo ou um carola romano pagão, a abandonar ou rejeitar sua própria tradição religiosa.

A tremenda sin­gu­la­ri­dade dos evan­ge­lhos não está na revelação de que Deus não exige os sacri­fí­cios da reli­gi­o­si­dade e não encontra prazer neles; isso os profetas haviam deixado sufi­ci­en­te­mente claro qua­tro­cen­tas páginas antes. A revi­ra­volta trazida pelo exemplo, pela palavra e pela pessoa de Jesus é, como em tudo que diz respeito a ele, ao mesmo tempo mais exigente e mais sutil; é ao mesmo tempo mais pessoal e mais universal. Jesus não veio libertar o homem religioso das ins­ti­tui­ções reli­gi­o­sas, veio libertar a huma­ni­dade inteira de um paradigma ainda mais debi­li­tante e infan­ti­li­zante, de uma visão de mundo.
......

E estou intei­ra­mente convicto (e já devo ter deixado sufi­ci­en­te­mente clara essa posição) de que a fide­li­dade de uma pessoa ao ensino, à herança e às expec­ta­ti­vas de Jesus não tem nenhuma relação com a assi­dui­dade da par­ti­ci­pa­ção dessa pessoa nas ati­vi­da­des de uma agre­mi­a­ção religiosa de sua escolha. Fica a dica!!!

Enfim... concordo com as palavras do Paulo Brabo:
“POR QUE IR À IGREJA É O MENOR DOS SEUS PROBLEMAS”

Lido, mastigado, remoído e claro... surrupiado do @saobrabo
Texto original aqui


“Mudei-me da casa dos eruditos e bati a porta ao sair. Por muito tempo, a minha alma assentou-se faminta à sua mesa. Não sou como eles. Treinados a buscar o conhecimento como especialistas em rachar fios de cabelo ao meio. Amo a liberdade. Amo o ar sobre a terra fresca.  É melhor dormir em meios às vacas, que em meio às suas etiquetas e respeitabilidades.” [Nietzsche]

Quanto a Nietzsche, não disse o que disse por ele ser o fantástico filósofo louco anti cristão…, mas apenas porque vejo nas lutas dele contra o cristianismo histórico uma aflição devocional, presente apenas em quem adoraria encontrar com Jesus. Só isto! E Isaías diz que no Caminho Santo há lugar até para o louco.

Ora, se tal misericórdia me cobre, creia, cobre a Nietzsche também!

E se me cobre e cobre a Nietzsche, que não dizer de sua grandeza sobre os pobres e os seres desprezados da Terra, dos quais Jesus se diz irmão e neles também se confessa imanente?

“As palavras ditas ao ladrão na cruz contêm todo o Evangelho. Este foi, em verdade, um homem divino, um ‘filho de Deus’, diz o ladrão. Se tu sentes isso – responde o Redentor –, então também estás no Paraíso, és tu também um filho de Deus… Não se defender, não se encolerizar, não tornar responsável, não opor resistência, nem sequer ao mau, amá-lo. ” [Nietzsche]

“Aos que desprezam o corpo tenho uma palavra a dizer. Não lhes peço para mudar de opinião e de doutrina, mas somente para se desfazerem de seu próprio corpo e dessa maneira se tornarão mudos” [Nietzsche, Assim falava Zaratustra]

“O ‘reino de Deus’ é um estado do coração – não algo situado ‘acima da terra’ ou a que se chegue ‘depois da morte’ –, a hora, o tempo, a vida física e suas crises não existem em absoluto para o Mestre da Boa Nova… O reino de Deus não é algo que se aguarde, não tem um ontem, nem um “além de amanhã”, não chega ‘dentro de mil anos’ – é uma experiência em um coração, está em toda parte, não está em lugar algum. ” [Nietzsche]

"O homem de fé [...] é necessariamente um homem dependente - alguém que não pode colocar a si mesmo como fim [...]. O crente não pertence a si mesmo, pode ser apenas meio, precisa ser consumido, precisa de alguém que o consuma. [...] Toda espécie de fé é uma expressão de auto-renúncia, de alienação de si mesmo..." [Nietzsche, O Anticristo]

O homem que imagina ser completamente bom é um idiota. [Nietzsche]

Todo idealismo perante a necessidade é um engano. [Nietzsche]

No amor sempre existe algo de loucura e na loucura sempre existe algo de razão. [Nietzsche]

Enfim...como disse um amigo um dia desses: “Ao criticar violentamente o cristianismo, Nietzsche compreendeu a essência do Cristianismo. ”

Juliano Fabricio 
em: O deus que Nietzsche matou, também mato.
[lendo O ANTICRISTO]


Como é fácil se juntar à política da polarização e se ver gritando através das filas contra o “inimigo” do outro lado. [isso vocês fazem bem]

E como é difícil lembrar que o reino de Deus chama para amar a mulher que acabou de sair da clínica de abortos (e, sim, até o seu médico), a pessoa promíscua que está morrendo de AIDS, o rico proprietário de terras que está explorando a criação de Deus. Se você não consegue demonstrar amor a tais pessoas, então deve questionar se realmente entendeu o evangelho de Jesus.

Um movimento político traça linhas por natureza, faz distinções, enuncia julgamentos; em contrapartida, o amor de Jesus cruza as linhas, transcende diferenças, dispensa graça. Apesar dos méritos de dada questão — quer um lobby pró-vida da direita ou um lobby de paz-e-justiça da esquerda — os movimentos políticos arriscam-se a puxar sobre si o manto do poder e abafar o amor. Com Jesus aprende-se que, seja qual for o ativismo em que me envolvo, não devo expulsar o amor e a humildade, caso contrário trairei o reino do céu.

Com o tempo, o proprio padrão de comportamento de Jesus desapontou todos os que procuravam um líder nos moldes tradicionais. Ele se inclinava a fugir dos grandes grupos, em vez de apreciá-los. Insultou os dias de glória de Israel, comparando o Rei Salomão a um lírio corriqueiro. Uma vez que a multidão tentou coroá-lo rei à força, misteriosamente desapareceu. E, quando Pedro finalmente brandiu uma espada para protegê-lo, Jesus curou os ferimentos da vítima.

Para decepção da maioria, tornou-se claro que Jesus falava acerca de um tipo de reino estranhamente diferente. Os judeus desejavam o que as pessoas sempre desejaram de um reino visível: um frango em cada panela, emprego certo, um exército forte para deter os invasores. Jesus anunciou um reino que significava negar-se a si mesmo, assumir uma cruz, renunciar às riquezas, até mesmo amar seus inimigos.

Jesus sempre indicou que o reino de Deus vem com um poder resistível. Ele é humilde, discreto e coexistente com o mal, uma mensagem que certamente não agrada os religiosos de plantão. (é só lembrarmos da intenção de revolta dos judeus patriotas da sua época)

Juliano Fabricio
contra toda forma polarização*
*concentração em extremos opostos de grupos, interesses, atividades, etc. *


Amor exige liberdade. 

Sempre exigiu e sempre exigirá. Nós somos livres para resistir, recusar e nos rebelar contra os caminhos que Deus traçou para nós. Podemos ter todo o inferno que quisermos. 

Vamos fazer uma pausa e perguntar o óbvio: Alguém poderia escolher outro caminho, tendo um universo de amor, alegria e paz bem diante de si?

A resposta é: “Sim, poderia”

Eu vejo isso todo dia, e você também. As pessoas escolhem viver em seus próprios infernos. Nós agimos assim sempre que nos isolamos, reagimos a uma agressão, dizemos uma palavra rude ou endurecemos o nosso coração.

Você já teve uma discussão com alguém e sabia exatamente o que não deveria dizer? Mesmo sabendo que iria ferir aquela pessoa, que traria o sue passado à tona e que a magoaria profundamente, você resolveu dizer aquelas coisas?

As pessoas escolhem os piores caminhos o tempo todo. Esse impulso está oculto em todos nós. 

Será que isso significa que aqueles que disseram não para DEUS nesta vida continuarão a dizê-lo na próxima? Amor demanda liberdade e a liberdade concede essa possibilidade. Se as pessoas fazem essa opção agora, podemos presumir que a farão no futuro.

Se alguém deseja se isolar e ter o direito de ser o seu próprio deus, o Senhor lhe garante essa opção. Se uma pessoa insiste em usar o poder e a força dados por DEUS para fazer um mundo à sua própria imagem, DEUS lhe concede essa liberdade. Se alguém não quer a luz, a esperança, a graça e a paz, DEUS respeita esse desejo e lhe permitirá ter uma existência sem qualquer um desses atributos. Quanto menos uma pessoa se interessar pelas coisas de DEUS, maior será a distancia entre ela e o Pai. Foi assim na historia do filho pródigo.

A escolha é sua e Ele estará sempre diante de você!!!!

Ps: O problema é que eu acredito que o amor vence, e a natureza do amor é a liberdade. 

Acho extremamente interessante é que, como cristãos, devemos lidar com o que está escrito em uma das cartas a Timóteo: “Deus quer que todos sejam salvos.” Ora, isso é fascinante. 

Deus quer que todos sejam salvos, então talvez a pergunta mais importante é: “Então será que Deus é um universalista?” 

Como cristãos, nosso dever é desejar as coisas que Deus deseja, e querer fazer as coisas que Deus quer. Fica a reflexão...

"Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada.
Somente podem gozar a liberdade aqueles que têm coragem." Rubem Alves 

Juliano Fabricio
#love wins.


As igrejas que frequentei enfatizavam os perigos do prazer tão exageradamente que perdi qualquer mensagem positiva que elas pudessem estar passando. 

Guiado por Chesterton, passei a ver o sexo, o dinheiro, o poder e os prazeres sensoriais como boas dádivas de Deus. Todos os domingos, posso ligar o rádio ou a televisão e ver pregadores censurando as drogas, a libertinagem sexual, a ganância e o crime que estão "crescendo assustadoramente". 

Em vez de simplesmente balançar nosso dedo diante de tão óbvios abusos das boas dádivas de Deus, talvez devêssemos demonstrar ao mundo de onde esses presentes realmente vêm e por que eles são bons. O maior triunfo do mal pode ser seu sucesso em retratar a religião como uma inimiga do prazer, quando, na verdade, a religião aponta para sua fonte: todas as coisas boas e agradáveis são invenção do Criador, que doou liberalmente esses presentes ao mundo.

É natural que, num mundo distanciado de Deus, até mesmo as coisas boas devem ser tratadas com cuidado, como se fossem explosivos. Perdemos a imaculada inocência do Éden, e todo o Bem representa também um risco, possuindo dentro de si o potencial para o abuso. Comer se transforma em glutonaria, o amor se torna desejo e, durante o processo, perdemos de vista Aquele que nos deu o prazer. 

Os antigos transformavam as coisas boas em ídolos; nós, modernos, chamamo-las "vícios". Em ambos os casos, aquele que deixa de ser servo transforma-se num tirano.

"Sou ordinário no exato sentido da palavra", diz Chesterton, "o que significa aceitação de uma ordem, um Criador e uma Criação, o senso comum de gratidão pela Criação, vida e amor como dádivas permanentemente boas, com o casamento e o cavalheirismo como leis que o controlam de maneira adequada".

Sob sua influência, também percebi a necessidade de me tornar mais "ordinário". Havia concebido a fé como um mudo e severo exercício de disciplina espiritual, uma mistura de ascetismo e racionalismo na qual a alegria não tinha espaço. Chesterton restaurou em mim uma sede pela exuberância que flui de uma ligação com o Deus que planejou todas as coisas que me dão prazer.

Deixo essa frase de pura provocação do polêmico Caio Fabio: 

“Uma sociedade que só introjeta pecado vai produzir só tarados! Não tem jeito dos evangélicos melhorarem enquanto eles piorarem o mundo para todos.” 

Juliano Fabricio
...em todo o prazer que houver nessa vida
Dica: Leia Chesterton


[Ele mostra que a Torá é marginal. A única lei é a do AMOR.]

Com isso o trabalho de Jesus é de libertação.

Como pode Paulo, então, se tornar um legalista e um campeão da lei quando a questão são instituições sociais e políticas?

O dever dos cristãos é testemunharem o que eles acreditam ser verdade. Isso porque acreditamos que as autoridades estão nas mãos de Deus que temos a possibilidade (raramente utilizada) de dizer a elas o que pensamos ser justo. 

Se Paulo também nos diz que devemos obedecer, não por coação, mas por uma questão de consciência, isso significa que a nossa obediência não pode ser cega ou resignada. A consciência pode nos levar a desobedecer, obedecendo mais a Deus do que aos humanos, como Pedro diz (Atos 5:29). Isso poderia acontecer por razões que os políticos não podem entender.

Por fim, o ponto mais importante de Maillot é o seguinte. Paulo escreve isso quando ele já havia sido preso várias vezes. Ele não usa os políticos como coro. Ele seria em pouco tempo executado pelas autoridades romanas. 

Sua vida difícil e morte “deslegalizam” o capítulo 13.

Ps: Obediência verdadeira não é uma mera cópia de outra obediência! Pense nisso!!!

Alphonse Maillot 
[um dos melhores comentaristas vivos da Bíblia]


O mundo religioso ocidental preocupa.

As principais religiões monoteístas enfatizam as exigências - rigorosas – de um Deus [Pai] difícil de ser agradado. Judeus, muçulmanos e cristãos jamais concordariam com Gilberto Gil: 

“Se eu quiser falar com Deus, Tenho que aceitar a dor. Tenho que comer o pão, Que o diabo amassou. Tenho que virar um cão. Tenho que lamber o chão.” 

Contudo, os cultos e conteúdo da espiritualidade, no dia a dia, confirmam a música. A espiritualidade que se difunde, e prevalece, atualmente deixa os crentes com fardos pesados sobre os ombros. No Brasil, multiplicam-se igrejas especializadas em não deixar as pessoas esquecerem suas dívidas perante um Deus implacável.

Nesse conceito religioso, não se descansa.

As inadequações da vida se tornam o motivo para os revezes existenciais. Os contratempos passam a ser vistos como resultado do pecado ou de eventuais brechas por onde o diabo chega. Multidões lotam igrejas, mesquitas e sinagogas, ávidas por saberem como agradar esse Deus melindrado. Cultuam sem jamais esperar afetos ou compaixão na relação com o divino. Tudo se resume ao como: 

como conseguir afastar o mal e alcançar bênçãos; 
como saber a senha do milagre; como acertar com o centro da vontade de Deus. 

Nesses espaços, se alguém almeja conquistar o amor divino, tem que fazer sacrifício, passar por ritos punitivos e, lógico, dar dinheiro.

Acontece que a vida, por si só, já é desgastante.

Ninguém precisa de mais um peso. O Evangelho avisa o contrário: Deus não desiste de amar. Seu amor é leal. Nada diminui o seu compromisso de se doar.

Na parábola do Pródigo, o Pai respondeu ao filho mais velho: Tudo o que tenho é seu. Essa frase precisa ser pedra angular nos que se atrevem a falar de Jesus. Deus não nos estima por mérito. O amor verdadeiro não depende do desempenho em cumprir mandamentos ou de alcançar níveis excelentes de pureza.



Eles não têm mais vinho.
Essa foi a fala de Maria em João 2.

O que a igreja precisa não é tanto de uma renovação,
mas de uma substituição. (Jesus fez isso)

Pense bem: 

O que fazemos com um desgastado e envelhecido odre?

Continuaremos colocando vinho novo em odres velhos?

Deus não tem compromisso com odres, ele tem compromisso com o Vinho e isso deve servir de sinal para nossa caminhada, a fim de que nos dediquemos mais à essência de tudo e cada dia menos às embalagens efêmeras da existência.

Que Deus nos livre de querer impor descuidadamente nosso próprio modelo de organização eclesiástica (ODRES) e que possamos ter a coragem de descartar toda nossa bagagem institucional (ou ao menos, de abrir nossas bolsas e vistoriar nossas malas), para que possamos aprender a ler a Palavra com olhos renovados e bem abertos.

Precisamos analisar com urgência a demanda de um novo odre.

Dica: Não dilua o vinho da vida espiritual nem o deixe confinado em odres velhos.

*se você viu uma taça vazia na imagem acima isso já é um bom começo.

Juliano Fabricio
Que o Senhor nos ajude a reconsiderar o odre.


As mulheres freqüentemente foram silenciadas, controladas, diminuídas e tratadas como subumanas nas mais diversas sociedades humanas. Todavia, houve um homem que lutou sozinho contra o império do preconceito. Ele foi incompreendido, rejeitado, excluído, mas não desistiu dos seus ideais. 

Ninguém apostou tanto nas mulheres como ele. 

Fez das prostitutas rainhas, e das desprezadas, princesas. Muitos dizem que ele é o homem mais famoso da história, mas poucos sabem que foi ele quem mais defendeu as mulheres. Seu nome é Jesus Cristo, o Mestre dos Mestres na arte de viver.

Nos tempos de Jesus os homens adúlteros não sofriam punição severa. Todavia, a mulher adúltera era arrastada em praça pública, suas vestes rasgadas e, com os seios à mostra, eram apedrejadas sem piedade. Enquanto sangravam e agonizavam, pediam compaixão, mas ninguém as ouvia.

Certa vez uma mulher foi pega em adultério. Arrancaram-na da cama e a arrastaram centenas de metros até o lugar em que Jesus se encontrava. A mulher gritava “Piedade! Compaixão!”, enquanto era arrastada; suas vestes iam sendo rasgadas e sua pele sangrava esfolando-se na terra.

Jesus estava dando uma aula tranqüila na frente do templo. Havia uma multidão ouvindo-o atentamente. Ele lhes ensinava que cada ser humano tem um inestimável valor, que a arte da tolerância é a força dos fortes, que a capacidade de perdoar está diretamente relacionada à maturidade das pessoas. Suas idéias revolucionavam o pensamento humano, por isso começou a ter muitos inimigos. Na época, os judeus constituíam um povo fascinante, mas havia um pequeno grupo de radicais que passou a odiar as idéias do Mestre.

Quando trouxeram a mulher adúltera até ele, a intenção era apedrejá-lo juntamente com ela, usá-la como isca para destruí-lo. Ao chegarem com a mulher diante dele, a multidão ficou perplexa. Destilando ódio, comentaram que ela fora pega em flagrante adultério e perguntaram qual era a sentença dele.

Se dissesse “Que seja apedrejada”, ele livraria a sua pele, mas destruiria seu projeto transcendental, seu discurso e principalmente seu amor pelo ser humano. Se dissesse “Não a matem!” ele e a mulher seriam imediatamente apedrejados, pois estaria indo contra a tradição daqueles radicais.

Qual foi a primeira resposta do Mestre diante desse grave incidente? Quem não tem pecado atire a primeira pedra!? Não! Essa foi a segunda resposta. A primeira foi não dar resposta, foi o silêncio.

Só o silêncio pode conter a sabedoria quando a vida está em risco. Para o Mestre dos Mestres, aquela mulher, ainda que desconhecida, pobre, esfolada, rejeitada publicamente e adúltera, era mais importante do que todo o ouro do mundo, tão valiosa como a mais pura das mulheres. Era uma jóia rara, que tinha sonhos, expectativas, lágrimas, golpes de ousadia, recuos, enfim, uma história fascinante. Valia a pena correr riscos para resgatá-la.

Jesus precisava mudar a mente dos acusadores, mas nunca ninguém conseguiu mudar a mente de linchadores. O “eu” deles era vítima das janelas do ódio, não eram autores da sua história, queriam ver sangue. O que fazer, então?

Ao optar pelo silêncio, Jesus optou por pensar antes de reagir. Ele escrevia na areia, porque escrevia no teatro da sua mente. Talvez dissesse para si mesmo: “Que homens são esses que não enxergam a riqueza dessa mulher? Por que querem que eu a julgue, se eu quero amá-la? Por que, em vez de olhar para os erros dela, não olham para seus próprios erros?”

O silêncio inquietante de Jesus deixou os acusadores perplexos, levando-os a diminuir a temperatura da raiva, da tensão, oxigenando a racionalidade deles.

Então, finalmente, ele se levantou. Fitou os fariseus nos olhos e disse: Quem não tem pecado atire a primeira pedra, como se dissesse: Matem a mulher, todavia, antes de apedrejá-la, mudem a base do julgamento, tenham a coragem de ser transparentes e enxergar as suas falhas, erros e contradições. Esse era o sentido de suas palavras.

Os fariseus receberam um choque de lucidez com as palavras de Jesus. Deixaram de ser vítimas do instinto de agressividade e passaram a gerenciar suas reações. O homo sapiens prevaleceu sobre o homo bios, a racionalidade voltou. O resultado é que eles saíram de cena. Os mais velhos saíram primeiro porque tinham acumulado mais falhas ao longo da vida ou porque eram mais conscientes delas.

Jesus olhou para a mulher e fez uma delicada pergunta: “Mulher, onde estão seus acusadores? Em primeiro lugar, ele chamou a adúltera de “mulher” deu-lhe o status mais nobre, o de um ser humano. Ele não perguntou com quantos homens ela dormira. Para o Mestre dos Mestres, a pessoa que erra é mais importante do que seus próprios erros. Aquela mulher não era uma pecadora, mas um ser humano maravilhoso. Em segundo lugar, perguntou: “Onde estão os seus acusadores? Ninguém a acusou?”

Ela respondeu: “Ninguém.” Ele reagiu: “Nem eu.” O homem que mais defendeu as mulheres não a julgou, mas compreendeu; não a excluiu, mas a abraçou.

O homem que mais defendeu as mulheres não parou por aí. Sua última frase indica o apogeu da sua humanidade, o patamar mais sublime da solidariedade. Ele disse para a mulher: “Vá e refaça seus caminhos”.

Jesus tinha todos os motivos para dizer: “De hoje em diante, sua vida me pertence, você deve ser minha discípula.” Os políticos e autoridades usam seu poder para que as pessoas os aplaudam e gravitem em sua órbita. Mas Jesus, apesar de seu descomunal poder sobre a mulher, foi desprendido de qualquer interesse. “Vá e revise a sua história, cuide-se. Mulher, você não me deve nada. Você é livre!”

Jesus a despediu, mas ela não foi embora porque o amou. E, por amá-lo, o seguiu para sempre, inclusive até os pés da cruz, quando ele agonizava. Talvez essa mulher tenha sido Maria Madalena.

A base fundamental da liberdade é a capacidade de escolha, e a capacidade de escolha só é plena quando temos liberdade de escolher o que amamos.

Juliano Fabricio
Ouvi isso em uma paletra do Augusto Cury.
[apesar de não gostar de tudo que ele escreve, nesse aspecto ele mandou bem]


Estamos em plena época de Natal, uma data que celebramos com nossas famílias e amigos, mas que há muitos anos se desconectou do seu sentido original. Pensando nisso, uma pergunta (e um projeto) inquietante, surgiu: e se Jesus retornasse à Terra nos dias de hoje? Como ele seria recebido?

Essa promessa vem sendo deflagrada de forma incisiva por líderes religiosos, que usam desse argumento para ameaçar seus seguidores sobre possíveis punições, mas esquecem a premissa de que Jesus nunca fez tal julgamento a quem quer que seja.

Foi nesse cenário hipotético que o designer Douglas Téo começou a imaginar a vinda de Jesus a São Paulo. Nesse cenário, sua volta seria diferente: ele viria sem nada, sem fazer milagres, apenas com suas palavras. Douglas decidiu imaginar Jesus dessa forma, por ter vários questionamentos internos sobre a apropriação que muitos religiosos têm de Jesus, mas que não se conectam com suas próprias atitudes. Se Jesus tentasse entrar em igrejas cristãs atuais, ele seria bem vindo?

Com uma excepcional sensibilidade, ele pesquisou durante quase um ano a figura simbólica do religioso ao longo dos séculos, as imagens sacras da época, tanto pinturas quanto esculturas, para entender a linguagem gestual característica.




Mas talvez o que mais lhe impactou foi sua imersão no mundo real. Ele deixou o cabelo e barba crescerem, emagreceu 10 quilos e, algumas vezes, se vestiu de morador de rua pra tentar entender como é ser considerado um excluído da sociedade. Como resultado, ele percebeu que as pessoas nem se aproximam de mendigos por eles serem a figura da derrota (algo de que as pessoas fogem completamente, não querendo se imaginar em tal situação). Em outra ocasião, Douglas tentou entrar em igrejas católicas e evangélicas ainda vestido de mendigo, e em todas ele foi rapidamente expulso, com ameaças de espancamento ou de chamar a polícia.

Isso lhe deu ainda mais força para continuar a reflexão e surgiu então o Hostilizado, um projeto com financiamento coletivo para transformar os ensaios em um livro e em uma exposição. “A mensagem central é um exercício reflexivo de coerência, de lutar contra a hipocrisia que se constrói de maneira camuflada, sem a gente perceber, mas está lá, separando as pessoas, estabelecendo privilégios para alguns e, consequentemente, desenhando o inferno de outros. O projeto é uma tentativa de fortalecimento da compaixão.”


 



Nos três ensaios, ele contou com uma equipe de profissionais voluntários, que acreditaram em seu projeto e dispuseram seu tempo para fazê-lo da melhor forma. Um detalhe importante é que o fotógrafo André Nunez, junto com a equipe, se afastava de Douglas enquanto ele saía pelas ruas de São Paulo caracterizado, para que as interações e gestos acontecessem de forma orgânica.

Os ensaios foram tão profundos para o designer, que ele só conseguiu se distanciar o suficiente para escolher e editar as fotos quase três anos depois da produção das imagens. Pra você ver um pouco de sua transformação física, separamos uma imagem dele antes de iniciar o projeto e de uma das fotos do ensaio:


Mas a transformação foi muito maior internamente.

Você pode ajudar a financiar o projeto por aqui. Porém, mais do que uma arrecadação, o projeto propõe uma reflexão para cada um de nós, sobre nossas atitudes, e sobre como algumas religiões têm nos distanciado de valores tão simples, como por exemplo, o amor ao próximo.

Todas as fotos © André Nunez / Trechos da entrevista do site Lado Bi.


Há dízimo na Bíblia? 

Sim, o dízimo é bíblico.

Mas não é cristão.

O dízimo pertence à velha Israel. Foi essencialmente um imposto de renda. No primeiro século, no NT, não há registro de cristãos dizimando.

Com a morte de Jesus, todos os códigos cerimoniais, governamentais e religiosos que pertenciam aos judeus foram cravados em Sua cruz e enterrados para sempre... Para nunca voltarem a condenar-nos. Por esta razão nunca vemos nenhum cristão no NT dando o dízimo. Da mesma forma que não os vemos sacrificando cabritos e touros para cobrir seus pecados! (já pensou nisso...)

Portanto, que ninguém censure vocês por aquilo que comem ou bebem, ou por não comemorarem as festas e feriados judaicos, ou as cerimônias de lua nova, ou os sábados. Estes eram preceitos apenas temporários, que terminaram quando Cristo veio. Eram apenas sombras da realidade — do próprio Cristo”. Col. 2:16-17.

Dizimar pertence exclusivamente a Israel sob a Lei. No aspecto financeiro vemos os santos do primeiro século dando alegremente de acordo com sua capacidade e não para obedecerem a um mandamento. A oferta na primitiva igreja era voluntária. E os que se beneficiavam disto eram os pobres, órfãos, viúvas, doentes, prisioneiros e estrangeiros.

O ato da oferta no NT era segundo a capacidade de cada um. Os cristãos doavam para ajudar outros tanto como para apoiar obreiros apostólicos, permitindo-lhes viajar e fundar igrejas. Um dos testemunhos da Igreja Primitiva foi o de revelar o quão liberais eram os cristãos com relação aos pobres e necessitados. Foi isto que fez com que gente de fora da igreja presenciasse o poder gigantesco e encantador da Igreja Primitiva e exclamassem: “Olhe como se amam uns aos outros”.

Agora, todos somos sacerdotes — livres para funcionar na casa de Deus. A Lei, o velho sacerdócio, o dízimo, todos foram crucificados. Agora não há cortina do templo, nem imposto do templo, e não há um sacerdócio especial que se coloca entre Deus e o homem. 

Você, querido cristão, foi libertado da atadura dessa indústria do dízimo e da obrigação de apoiar o sistema do clero. Mais lembre-se, como cristão uma característica que deve estar realçada em você é a generosidade.

*Olha só o resultado dessa loucura toda...


[Acima uma propaganda da igreja Universal] Dispensa comentários.

Juliano Fabricio
[Meditando no polêmico livro do Frank Viola - Cristianismo Pagão]

Silas Malafaia e Martin Luther King: duas faces da mesma moeda?
De tanto que se falou sobre os evangélicos nas últimas semanas, nos jornais e nas redes sociais, talvez caiba uma pergunta:

 afinal, quem são “os evangélicos”?

Homofóbicos, cortejados pela presidente, fundamentalistas. Massa de manobra de Silas Malafaia, conservadores, determinantes no segundo turno das eleições. De tanto que se falou sobre os evangélicos nas últimas semanas, nos jornais e nas redes sociais, talvez caiba uma pergunta: afinal, quem são “os evangélicos”?

A resposta mais honesta não poderia ser mais frustrante: os evangélicos são qualquer pessoa, todo mundo, ou, mais especificamente, ninguém. São uma abstração, uma caricatura pintada a partir do que vemos zapeando pelos canais abertos misturado ao que lemos de bizarro nos tabloides da internet com o que nosso preconceito manda reforçar. Dizer que “o voto dos evangélicos decidirá a eleição” é tão estúpido quanto dizer a obviedade de que 22,2% dos brasileiros decidirão a eleição. Dizer que “os evangélicos são preconceituosos”, significa dizer o ser humano é preconceituoso. É não dizer nada, na verdade.

Acreditar que há uma hegemonia de pensamento, de comportamento ou de doutrina evangélica é, em parte, exatamente acreditar no que Silas Malafaia gosta de repetir, mas é, em parte, desconhecer a história. A diversidade de pensamento é a razão de existir da reforma protestante. E continuou sendo pelos séculos seguintes, quando as igrejas reformadas do século 16 deram origem ao movimento evangélico, estes aos pentecostais e estes aos neopentecostais, todos microdivididos até o limite do possível, graças, novamente, à diversidade de pensamento – sobre forma de governo, vocação e pequenos pontos doutrinários. Boa parte destas, sem organização central, sem “presidência” nem representante, com as decisões sendo tomadas nas comunidades locais, por votação democrática.

Assim como não existe “os evangélicos” também não existe “os pentecostais”, nem “os assembleianos”: dizer que Malafaia é o “papa da Marina Silva” como disse Leonardo Boff, apenas porque ambos são membros da Assembléia de Deus, é ignorar que, por trás dos 12,3 milhões de membros detectados pelo IBGE, a Assembleia de Deus é rachada entre ministérios Belém, Madureira, Santos, Bom Retiro, Ipiranga, Perus e diversos outros, cada um com seu líder, sua politicagem e sua aplicação doutrinária. A Assembleia de Deus Vitória em Cristo de Malafaia, aliás, sequer pertence à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil.

Ignorância parecida se manifesta em relação ao uso do termo “fundamentalista”, como sinônimo de “literalista”, aquele incapaz de metaforizar as verdades morais dos textos sagrados. A teologia cristã debate há dois mil anos sobre a observação, interpretação e aplicação dos escritos sagrados, quais são alegóricos e quais são históricos, quais são “poesias” e quais são literais. O deputado Jean Wyllys, colunista da Carta Capital, do alto de alguma autoridade teológica presumida, já chegou à sua conclusão: o que não for leitura liberal, é fundamentalista e, portanto, uma ameaça às minorias oprimidas. (Liberalismo teológico é uma corrente teológica do final do século 19 que lançou uma leitura crítica das escrituras, completamente alegorizada, negando sua autoridade sobrenatural, a existência dos milagres, e separando história e teologia).

Só que isso simplesmente não é verdade. Dentro da multifacetação das igrejas de tradição evangélicas, há as chamadas “inclusivas”, mas há diversas igrejas históricas, tradicionais, teologicamente ortodoxas, que acreditam nos absolutos da “sola scriptura” da Reforma Protestante, mas que têm política acolhedora e amorosa com as minorias. Algumas criaram pastorais para tratar da questão homossexual, outras trabalham para integrá-los em seus quadros leigos; outros, como disse o pastor batista Ed René Kivitz, estão mais dispostos a aprender como tratar “uma pessoa que está diante de mim dizendo ter sido rejeitado por sua família, pelo meu pai, pela minha igreja” do que discutir a literalidade dos textos do Velho Testamento.

O panorama da questão pode ser melhor entendido em Entre a cruz e o arco-íris: A complexa relação dos cristãos com a Homoafetividade (Editora Autêntica), livro qual tive a honra de editar. Nele, o pastor batista e sociólogo americano Tony Campolo, ex-conselheiro do presidente Bill Clinton, diz: 

“Se você vai dizer à comunidade homossexual que em nome de Jesus você a ama (...) não teria que lutar por políticas públicas que demonstrem que você as ama? Pode haver amor sem justiça? Eu luto pela justiça em favor de gays e lésbicas, porque em nome de Jesus Cristo eu os amo.” 

Campolo, entretanto, faz distinção entre direitos e casamento: “O governo não deve se envolver nem declarar, de forma alguma, o que é casamento, quem pode ou não se casar”, ele disse. “Governo existe para garantir os direitos das pessoas. Casamento é um sacramento da igreja – governos não devem decidir quem deve ou não receber esse sacramento.” Campolo acredita que esta será a visão dominante entre cristãos americanos “em cinco ou seis anos”.

Entre os evangélicos brasileiros há quem pense desde já como Campolo – distinguindo união civil de casamento. Há quem pense de forma ainda mais radical: que a união civil, com implicações patrimoniais e status de família, deveria valer não apenas para casais homossexuais, mas para irmãos, primos ou quem quer que se entenda como família. Há quem defenda o acolhimento dos gays nas igrejas, mas o celibato para eles. Quem, embora sabendo que mais da metade das famílias brasileiras já não são no formato pai-mãe-filhos, ainda luta para restabelecer esse padrão idealizado. Há, sim, quem acredite que o seu conjunto de doutrinas e o seu modo de vida são fundamentais. Há aqueles que, enquanto estamos discutindo aqui, está mais preocupado se a melhor tradução do grego é a João Ferreira de Almeida ou a Nova Versão Internacional. E há quem acorde diariamente acreditando ser porta-voz do “povo de Deus”, pague espaço em redes de televisão para multiplicar esse delírio (mas, a julgar pelo 1% de intenção de voto do Pastor Everaldo, somente ativistas gays e jornalistas desmotivados acreditam nesse discurso). Esses são “os evangélicos”.

Na fatídica sexta-feira em que o PSB divulgou seu programa de governo, enquanto Malafaia gritava no Twitter em CAPSLOCK furibundo, o pastor presbiteriano Marcos Botelho, postou: “Marina, que bom que vc recebeu os líderes do movimento LGBTs, receba as reivindicações com a tua coerência e discernimento de sempre e um compromisso com o estado laico que é sua bandeira. Vamos colocar uma pedra em cima dessa polarização ridícula entre gays e evangélicos que só da IBOPE para líderes políticos e pastores oportunistas.”

Botelho não representa “os evangélicos” porque não existe “os evangélicos”. Mas Marcos Botelho existe e é evangélico. Assim como existe William Lane Craig, o filósofo que convida periodicamente Richard Dawkins para um debate público, do qual este sempre se esquiva; existe o geneticista Francis Collins vencendo o William Award da Sociedade Americana de Genética Humana; existe Jimmy Carter, dando aula na escola bíblica no domingo e sendo entrevistado para a capa da Rolling Stone por Hunter Thompson na segunda-feira; existe o pastor congregacional inglês John Harvard tirando dinheiro do próprio bolso para fundar uma universidade “para a honra de Deus” nos Estados Unidos que leva seu sobrenome; existe o pastor batista Martin Luther King como o maior ativista de todos os tempos; existe o jovem paulista Marco Gomes, o “melhor profissional de marketing do mundo”, pedindo licença para “falar uma coisa sobre os evangélicos”. E existe o Feliciano, o Edir Macedo, a Aline Barros, o Thalles Roberto, o Silas Malafaia e o mercado gospel. Como existe bancada evangélica, mas existem os que lutaram pela “separação entre igreja e estado” na constituição, e existem os que acreditam que levar Jesus Cristo para a política é trabalhar não para si, mas para os menos favorecidos.

Existe o amor e existe a justiça, como existe o preconceito, o dogmatismo, o engano, o medo, a vaidade e a corrupção. Não porque somos evangélicos, mas porque somos humanos.

* Ricardo Alexandre é jornalista e escritor, radialista e blogueiro, Prêmio Jabuti 2010, ex-diretor de redação das revistas Bizz, Época São Paulo e Trip. E é membro da Igreja Batista Água Viva em Vinhedo, interior de São Paulo.

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