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NÃO aceito que estamos vivendo no melhor mundo possível, 

NÃO sou fatalista (os religiosos entenderão), 

NÃO gosto do chamado elitismo entre os crentes (cheira mal), 

NÃO busco nenhum privilégio divino (o mundo sofre... crianças, negros e pobres gemem e morrem. Diante dos horrores da história, abandonei a pretensão de ser abençoado. Qualquer prece, com um mínimo de senso ético, deve considerar esses acontecimentos. Quem se atreveria a furar a fila da bênção onde esperam os que estão à margem?) 

NÃO discrimino pessoas que pensam diferente (algumas, só acho chatas mesmo), 

NÃO me apoio em méritos para obter bênçãos, 

NÃO tenho um Deus lá fora que aparece de vez em quando (esse deus que aparece de vez em quando, só comparece se for muito bajulado), 

NÃO torço pelo inferno (qualquer um), 

NÃO quero converter ninguém à certeza, mas ao amor. 

ENFIM...

OPTO pelo diálogo acima do monólogo (quer marcar um café é só falar, pois não faço isso por redes sociais), 

TENTO revelar DEUS nas minhas iniciativas encarnadas (nem sempre consigo), 

PREFIRO construir pontes e não muralhas, 

RECONHEÇO Deus ao lado do oprimido e não do opressor, 

GOSTO da companhia de gente simples e singela, 

SOU pacifista como opção existencial, 

ALMEJO combinar graça com ternura (acho que as duas andam de mãos dadas), 

ENTENDO o caminho de Jesus repousando sobre a amizade e 

ESTOU tentando cuidar do planeta antes que seja tarde demais. 

Tenho uma missão que é puro prazer: 
amar é ser amado pela minha esposa 
e cuidar e ser cuidado pelos meus filhos.

Porem um grito em minha alma ainda me perturba, repetindo a frase que vez ou outra ouço Na música do U2:

[“But I still haven’t found what I’m looking for”]
[Mas eu ainda não encontrei o que eu estou procurando].

Agora vejo em parte, porem o que vejo já me consola e agradeço também ao Oswaldo Montenegro que conseguiu me traduzir com tanta propriedade:

“Eu já era o que sou agora, mas agora gosto de ser”

[...uma busca constante...]

Juliano Fabricio
Em construção...



O eixo da revolução moral cristã é o amor
(Jesus o classificou como o sinal pelo qual o discípulo seria reconhecido). 

O perigo espreita em nossas tentativas sutis de minimizar, racionalizar e justificar nossa moderação a esse respeito. Oferecer a outra face, caminhar a milha extra, não devolver os insultos, reconciliar-se um com o outro e perdoar setenta vezes sete vezes não são caprichos arbitrários do Salvador. Ele não prefaciou o Sermão do Monte com "seria bom se...". O novo mandamento estrutura a nova aliança no seu sangue. Tão central é o preceito do amor que Paulo o chamou cumprimento da Lei.

Segundo John McKenzie, "a razão demanda moderação no amor, como em todas as coisas; a fé, aqui, destrói a moderação. A fé não tolera um amor moderado por um companheiro humano mais do que tolera um amor moderado entre Deus e o homem".

O mandamento do amor é o completo código moral do cristão. Thomas Merton declarou que um "bom" cristão que abriga ódio no coração por qualquer pessoa ou grupo étnico é objetivamente um apóstata da fé.

Juliano Fabricio
😍#loveWins


"Pois, quando sou fraco é que sou forte". 2 Coríntios 12:10

Diante da simples autoridade moral de Jesus, o poder e a autoridade de Roma pareciam brutalmente grotescos e eticamente patéticos. 

Andei pesquisando alguns fatos históricos e pude perceber a ação genuína do poder de “estar fraco”.

Pense naquele estudante chinês enfrentando a pé aquele tanque de guerra na Praça Tianmen em 1989, 

... ou na ascensão de Nelson Mandela da prisão para a presidência da África do Sul em 1994, 

...ou em Martin Luther King Junior sentado na prisão em Birmingham em 1963 – todos exercendo maior liderança moral quando presos do que os guardas das prisões, as forças policiais e os governantes, que pensavam estar no controle.

Pode-se pensar nos protestos católicos em forma de oração que expuseram as fraquezas do comunismo na Polônia, 

...ou nas multidões desarmadas derrubando o comunismo na Romênia, 

...ou em Gandhi – não identificado como cristão, mas alguém que parecia compreender os caminhos de Jesus com mais clareza do que muitos cristãos – quando liderou uma resistência pacifica contra o imperialismo e o ódio religioso. 

“pelo qual sou embaixador preso em correntes. Orem para que, permanecendo nele, eu fale com coragem, como me cumpre fazer.” Efésios 6:20. 

Acho que Paulo também preferia estar algemado, pois assim ele tinha a certeza que nada do que fizesse era através da força do seu próprio braço. E olha que Paulo gostava de uma algema, uma surra, um naufrágio, uma cadeia e por ai vai... (se restou alguma dúvida, leia Atos 27)

Acho que entendi agora:

A mensagem do reino de Deus escandaliza por mostrar a fraqueza do aparentemente poderoso e o poder do aparentemente fraco.

E você...Entendeu???
Juliano Fabricio
tentando ser fraco


Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui. Lucas 12:15 

Estamos obcecados com "o melhor". 

Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor". Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho. Bom não basta. 

O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor". 

Isso até que outro "melhor" apareça e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer. 

Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter. 

O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego. 

Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos. (lembre-se do que Paulo disse: “Mas, andemos segundo o que já alcançamos” Filipenses 3:16) 

Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários. 

Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis. 

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente. 

Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência? 

Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa? 

E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto? 

O restaurante onde sinto saudades da comida de casa ou o que tem o "melhor chef"? 

Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro? 

O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"? 

Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixados ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos. 

A casa que é pequena, mas nos acolhe. 

O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. 

A TV que está velha, mas nunca deu defeito. 

A relação que tem defeitos (como as nossas), mas nos faz mais felizes do que as relações "perfeitas". 

As férias que não vão ser na praia, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar à chance de estar perto de quem amo... Ps: estou vivendo esse momento!!!!

O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem. 

O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer. 

Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso? 

Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu? 

"Sofremos demais pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos". Shakespeare 

Juliano Fabricio – Vi sobre isso em um programa de TV com a jornalista Leila que optou por viver uma vida mais simples.

O Reino de Deus é feito de pessoas como crianças” Mateus 19.15

Conte essa história para seus filhos!!!!
*em especial para Sophia, José Miguel e Maria Flor


O entendimento desencadeia a compaixão, que torna possível o perdão. O autor Stephen Covey relembra um episódio ao tomar o metrô num domingo. Numa tranqüila volta pela cidade de Nova York, um homem e seus filhos entram abruptamente no trem. As crianças corriam desenfreadas, gritavam, berravam e se agarravam numa luta corpo a corpo sem que o pai fizesse nada para impedi-las. 

Por fim, Covey virou-se para o pai e disse: 

Senhor, talvez o senhor pudesse restaurar a ordem aqui, pedindo a seus filhos que parassem e se sentassem. 

Eu sei que deveria fazer alguma coisa — replicou o homem. — Acabamos de vir do hospital. A mãe deles morreu faz uma hora. Simplesmente não sei o que fazer. 

Nosso coração de pedra torna-se coração de carne quando ficamos sabendo em que altura as pessoas choram. 

Os filhos e as filhas de Aba devem ser as pessoas menos julgadoras. Devem ter a fama de se darem bem com pecadores. 

Lembra-se da passagem de Mateus em que Jesus diz: “… sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês” (5:48)? Em Lucas, o mesmo versículo é traduzido: “Sejam misericordiosos, assim como o Pai de vocês é misericordioso” (6:36). Estudiosos da Bíblia afirmam que as duas palavras, perfeito e misericordioso,podem ser reduzidas à mesma realidade. Conclusão: seguir Jesus em seu ministério de compaixão precisamente define o significado bíblico de ser perfeito como o Pai celestial é perfeito. 

Minha identidade como filho de Aba não é uma abstração, nem um malabarismo de religiosidade. É a verdade central da minha existência. Viver na sabedoria que decorre da ternura de ser aceito profundamente influi na minha percepção da realidade, no modo em que respondo às pessoas e às situações da vida delas. 

Como trato meus irmãos e irmãs dia após dia, sejam eles arianos, africanos, asiáticos ou latinos; como reajo aos bêbados sem-teto nas nossas ruas, cicatrizados pelo pecado; como respondo às interrupções das pessoas com quem antipatizo; como lido com pessoas comuns em sua incredulidade comum, num dia comum, falará a verdade de quem sou mais pungentemente do que o rótulo pró-vida no pára-choque do meu carro. 

A vida misericordiosa não é nem uma boa vontade sem esmero para com o mundo, nem a praga que Robert Wicks chamou de “simpatia crônica”. O caminho da ternura evita o fanatismo cego. Em vez disso, procura enxergar com clareza penetrante. A compaixão de Deus em nossos corações nos abre os olhos para o valor singular de cada pessoa. “O outro é também o nosso ‘nós’; e devemos amar a esse ‘nós’ em seu pecado como fomos amados em nosso pecado.” 

Essa é a luta incessante de toda a vida. É o processo longo e doloroso de me tornar como Cristo no modo em que escolho pensar, falar e viver a cada dia. “O amor de Deus não é um amor condicional; é um entregar-se de coração aberto, generoso, que Deus oferece aos homens. Quem se dedica a limitar a operação do amor de Deus… não entendeu nada”. 

Surrupiado elegantemente de: 
O Obstinado Amor de Deus – Brennan Manning – Mundo Cristão via


“Não existe família perfeita. Não temos pais perfeitos, não somos perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos. Temos queixas uns dos outros. Decepcionamos uns aos outros. Por isso, não há casamento saudável nem família saudável sem o exercício do perdão. O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual. Sem perdão a família se torna uma arena de conflitos e um reduto de mágoas.

Sem perdão a família adoece. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração. Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão com Deus. A mágoa é um veneno que intoxica e mata. Guardar mágoa no coração é um gesto autodestrutivo. É autofagia. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente.

É por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa. O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; cura, onde a mágoa causou doença.”

Papa Francisco


A primeira coisa é você não enganar a si mesmo; e ninguém você engana com mais faci­li­dade do que a si mesmo.
Richard Feynman

O Jesus dos evan­ge­lhos é um sujeito intei­ra­mente livre desse con­di­ci­o­na­mento neurótico e neu­ro­ti­zante. Para per­ple­xi­dade de todos, ele tratava todos como gente, sem oferecer descontos e sem controlar débitos. Para ele não fazia diferença se você era uma pros­ti­tuta ou um rei, um religioso venerado por todos ou um leproso banido de todas as con­vi­vên­cias, um sacerdote de ficha limpa ou um reco­lhe­dor corrupto de taxas gover­na­men­tais. Todos ele tratava a partir não de créditos ou débitos, mas de um lastro de huma­ni­dade comum, sem barganhas e sem condescendência.

Porém Jesus não ignora que para deixar de julgar os outros é preciso que aban­do­ne­mos as nossas próprias culpas e neuroses: é preciso que deixemos de julgar a nós mesmos, aban­do­nando o papel de feitores da nossa própria servidão.

Este é o sentido da chegada anunciada do reino de Deus, um domínio de mudança de vida/metanoia porque nele todos os débitos que vigoravam ante­ri­or­mente se veem mira­cu­lo­sa­mente perdoados. O resultado esperado do perdão universal dos débitos é uma vida de integral huma­ni­dade para todos os homens. Quem não deve nada a ninguém não precisa provar nada a si mesmo: pode viver final­mente livre dos demônios da culpa e da neurose.

Essa é uma vida tão nova que deve ser aprendida e intei­ra­mente reco­lo­ni­zada. 

Será neces­sá­rio olhar ao redor de modo a encontrar e assimilar novos modelos. Olhar as aves do céu, que não acumulam recursos e não perdem nada com isso. Deixar de chamar de rico a quem enterra tesouros, e passar a chamar de rico o vagabundo que passa a tarde sobre a relva ouvindo a música das flores. Deixar que passem boiando gordas opor­tu­ni­da­des pelo rio da vida, e aprender a lamentar a sorte dos infelizes que vão querer pescá-las corrente abaixo. Deixar de pensar em termos de escassez, e passar a chamar Deus de Pai. Deixar de se preocupar com o dia de amanhã; não porque vai dar tudo certo, mas pre­ci­sa­mente porque a pre­o­cu­pa­ção nada garante e nada remedia: basta a cada dia o seu mal.

As parábolas de Jesus, pra­ti­ca­mente todas elas, exploram aspectos dos desafios da vida no reino de Deus: uma vida de amor fruido e não con­di­ci­o­nado, livre de desejo e de temor, livre de jul­ga­men­tos e de neuras.

Título original: O CUSTO DA OPORTUNIDADE
Surrupiado do @saobrabo via: baciadasalmas


O primeiro ato “oficial” de Jesus como adulto, quando foi para o deserto enfrentar o acusador face a face, deu-lhe a oportunidade de se revelar.

E ficou claro que Ele não era e não é um solucionador de problemas...

O próprio Satanás tentou o Filho de Deus a mudar as regras e a atingir os seus alvos por um método fascinante, um atalho. 

Mais do que o caráter de Jesus estava em jogo nas planícies arenosas da Palestina; a história humana estava na balança e as três tentações foram ofertas de:

provisão,
prevenção
e poder.

O Filho do homem rechaçou
 transformar pedra em pão,
ter o socorro dos anjos
e a riqueza do mundo.

Ela os considerou mentira. 

O mundo que o Diabo prometeu não existe.

Alguma dúvida??? É só fazer um link do jardim até o deserto

Você pode ser igual a Deus?, a serpente perguntou no Éden. 

Você pode ser verdadeiramente humano?, perguntou o tentador no deserto.

Em suma, Satanás no deserto estava oferecendo a Jesus a oportunidade de ser o Messias maravilhoso de quem pensamos precisar.

E continuamos em nossa sina de querer usar uma coroa, mas não uma cruz.

(A tentação a que Jesus resistiu, muitos de nós, seus discípulos, ainda a desejamos.)

Juliano Fabricio
Tentando entender um pouco mais de Jesus...


Naquele momento os discípulos chegaram a Jesus e perguntaram: "Quem é o maior no Reino dos céus?" Chamando uma criança, colocou-a no meio dele, disse: "Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus. Portanto, quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus. Mateus 18:1-4 

Não há dúvida de que é necessário aprender a ser como uma criança para entrar no reino. Mas para se captar todo o vigor da expressão "como crianças", nós precisamos perceber que a atitude judaica para com as crianças no tempo de Cristo era drasticamente diferente daquela que existe hoje. Temos a tendência a idealizar a infância, vê-la como a idade feliz da inocência, despreocupação e fé simples. Na comunidade judaica dos tempos do Novo Testamento, a criança era considerada sem nenhuma importância, não merecendo nenhuma atenção ou favor a criança era considerada com desprezo. 

Para o discípulo de Jesus, ser como uma criança significa aceitar a si mesmo como pouco apreciado, sem importância. Esta compreensão de nós mesmos muda não somente o modo como vemos nosso valor, mas também o modo como vemos a graça salvadora de Deus. Se a criança judia recebesse dez centavos de mesada do pai no fim da semana, ela não os consideraria pagamento por varrer a casa, lavar a louça e assar o pão. Era um presente completamente imerecido, um gesto de absoluta generosidade de seu pai. 

Jesus deu a esses pequenos desprezados o privilégio de seu reino e os apresentou como modelos para os discípulos. Eles deviam aceitar o dom do reino da mesma maneira que uma criança aceita a mesada. Se as crianças eram privilegiadas, não era porque tinham merecido tal privilégio, mas simplesmente porque Deus se agradava delas. A misericórdia do Senhor fluiu para elas total e completamente em razão da graça imerecida e da preferência divina. 

Outro texto importante destaca o privilégio das crianças. O hino de louvor diz: "Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado" (Lc 10:21). 

A bênção de Deus recai sobre as crianças porque são criaturas desprezadas, não por causa de suas boas qualidades. Elas podem estar cientes de sua pouca importância, mas este não é o motivo pelo qual as revelações lhes são dadas. Jesus expressamente atribui a bênção que elas recebem à boa vontade do Pai, à eudokia divina. Os dons não são dados pela mais leve qualidade ou virtude pessoal. Eles são pura generosidade. 

A bem-aventurança dos pequeninos, portanto, oferece uma clara compreensão do significado da bem-aventurança dos pobres. Na mentalidade da época do Novo Testamento, pobreza e infância eram consideradas com igual desprezo. No entanto, Jesus diz que Deus prefere os desfavorecidos. Deus se agrada em dar um lugar privilegiado no reino àqueles que o mundo considera os mais desgraçados. 

Uma luz adicional é lançada sobre a primeira bem-aventurança, de modo surpreendente, pelo privilégio dos pecadores. Jesus está sentado à mesa na casa de Levi. Os escribas e fariseus interrogam porque Jesus come com os cobradores de impostos e pecadores. "Jesus lhes disse: 'Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores'" (Mc 2:17). 

A primeira bem-aventurança, portanto, não é uma promessa ou uma ameaça. Jesus alegremente proclama o amanhecer de uma nova era, a era messiânica que veio afinal. "Vocês, pobres; vocês, nadas; vocês, de pouca importância pelos padrões do mundo — vocês são abençoados. E a boa vontade de meu Pai de lhes conceder um lugar privilegiado no reino, não porque trabalharam tão arduamente, ou porque dizem, fazem ou tornam todas as coisas certas, mas porque meu Pai quer vocês". 

Juliano Fabrício na nova série #provocações
(aceitando o Convite à Loucura de Brennan Manning)


Vejo a mensagem de Jesus totalmente avessa aos apelos da nossa pomposa teologia cristã. 

Prefiro basear minha caminhada nos princípios aprendidos com Ele. Pois de uma maneira bastante diferente, o impacto de sua vida ajudou-me a compreender a verdade da fé cristã. 

Prefiro aprender de um Jesus que disseminou na terra um novo tipo de poder, uma inversão que virou de cabeça para baixo as suposições básicas da História. "Os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos", disse ele, dando cumprimento a esse princípio buscando os excluídos, os pobres, os sofredores. Ele foi a pessoa mais influente que já viveu, apesar de não ter um escritório, de possuir uma atitude de desprezo em relação ao poder político e de não ter deixado para trás de si nenhum bem material, senão um lençol.

Jesus ofereceu perdão aos pecadores, amor aos inimigos, compaixão profética àqueles de quem discordava. Hoje, todo grupo marginalizado do mundo - minorias, mulheres, deficientes, prisioneiros, doentes - pode olhar para Jesus como uma fonte de inspiração moral e um modelo para ações efetivas, quer sigam ou não seus ensinamentos. Por intermédio de muitos exemplos, posso ver que, além de fundar uma Igreja, Jesus produziu uma corrente de autoridade moral que liberta os cativos, alivia os oprimidos e despreza um mundo violento e competitivo. 

Essa corrente flui quer a Igreja se junte a ela ou opte por permanecer nos bancos.

O evangelho que creio tem vida em si, e que executa sua obra lenta e firme, independentemente do resto.

Juliano Fabricio
um cara nada ØRTODOXØ


"Abomino e desprezo vossas celebrações solenes. 
Corra, porém, a justiça como um ribeiro impetuoso. . ." (Amos, 5.24).

"Eles enganam o meu povo dizendo que tudo vai bem quando nada vai bem. Pretendem esconder as rachaduras na parede com uma mão de cal. . ." (Ezequiel, 13.10).

Ê provável que os profetas* (estranha estirpe de líderes religiosos) tenham sido os primeiros a compreender a ambivalência da religião: ela se presta a objetivos opostos, tudo dependendo daqueles que manipulam os símbolos sagrados. 

Ela pode ser usada para iluminar ou para cegar,
para fazer voar ou paralisar,
para dar coragem ou atemorizar,
para libertar ou escravizar.

Daí a necessidade de separar o Deus em cujo nome falavam, que era o Deus dos oprimidos, e que despertava a esperança e apontava para um futuro novo, dos ídolos dos opressores, que tornavam as pessoas gordas, pesadas, satisfeitas consigo mesmas, enraizadas em sua injustiça e cegas para o julgamento divino que se aproximava. . . 

Mas esta lição foi esquecida. 
A memória do Deus dos oprimidos se perdeu. . .

E não é difícil compreender por quê. Visões semelhantes às suas, só aparecem em meio aos pobres e fracos. 

Mas os pobres e os fracos vão de derrota em derrota. . .

Quem preservaria suas memórias?
Quem acolheria suas denúncias?
Quem registraria as suas queixas?

Não se pode esperar tanta generosidade dos vencedores. São os fortes que escrevem a história e esta é a razão por que não se encontram ali as razões dos derrotados. Já notaram como os derrotados são sempre descritos como vilões? O que restou, como história, foram os relatos da religião triunfante, mãos dadas com os conquistadores, fez de si mesma e daqueles que foram esmagados. 

E, assim, em nossa memória restou apenas a religião dos fortes,
[Justamente aquela que os profetas denunciaram]

Quanto à religião dos profetas*, ela continuou emergindo aqui e ali. Mas aqueles que empunharam suas esperanças foram derrotados. E, para efeitos práticos, foi como se tal religião nunca tivesse existido... E as evidências, assim, pareciam se ajuntar para levar à conclusão de que a religião nada mais é que alienação, narcótico, ilusão. Foi então que uma série de fatores coincidentes permitiu que se reconstruísse a perdida visão profética da religião como instrumento de libertação dos oprimidos.

Enfim... aquilo que os opressores denunciam nos oprimidos não é a verdade dos oprimidos, mas aquilo que os opressores temem.

[Deus sempre foi o DEUS dos oprimidos, que estejamos do lado de DEUS]

Profeta* (uma breve definição): dedicava, com paixão sem paralelo, a ver, compreender, anunciar e denunciar o que ocorria no seu presente. Tanto assim que suas pregações estavam mais próximas de editoriais políticos de jornais que de meditações espirituais de gurus religiosos. Eles pouco ou nada se preocupavam com aquilo que vulgarmente consideramos como propriamente pertencendo ao círculo do sagrado: o cultivo das experiências místicas, das atitudes piedosas e das celebrações cerimoniais está praticamente ausente do âmbito dos seus interesses. Na verdade, boa parte de sua pregação era tomada pelo ataque às práticas religiosas dominantes em seus dias, patrocinadas e celebradas pela classe sacerdotal. E isto porque eles entendiam que o sagrado, a que davam o nome de vontade de Deus, tinha a ver fundamentalmente com a justiça e a misericórdia. Em suas bocas tais palavras tinham um sentido político e social que todos entendiam. Para se compreender o que diziam não era necessário ser filósofo ou teólogo. Sua pregação estava colada à situação dos homens comuns. 

Instaurou-se com os profetas* um novo tipo de religião, de natureza ética e política, e que entendia que as relações dos homens com Deus têm de passar pelas relações dos homens, uns com os outros. - "Abomino e desprezo vossas celebrações solenes. Corra, porém, a justiça como um ribeiro impetuoso. . ." (Amos, 5.24).

Ps: A fé cristã sobreviveu os últimos dois milênios devido a incapacidade do clero de calar os profetas.

Juliano Fabricio
querendo ser contado como profeta
[lendo Rubem Alves]


Em todos os evangelhos Jesus está acima
(“no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”)

& abaixo
(Ele experimenta a fadiga e a indecisão, tem Seu coração partido diante da morte de sua amigo Lázaro e realiza um milagre em Caná da Galileia pelo simples prazer de fazê-lo, Ele bebe o vinho de seu povo, canta suas canções nos casamentos e é acusado de ser um beberrão e um glutão). 

Esse Jesus que está assentado à direita do Pai é o mesmo Jesus que lava os pés dos seus discípulos. (As vestes usadas por ele e o trabalho realizado são os que caberiam a um escravo).

Esse Jesus que é o unigênito de Deus é o mesmo Jesus que chora sobre Jerusalém. 

Esse que tinha tudo e se fez nada é o mesmo Jesus que habita em nós: “Estai em mim, e eu em vós” (Jo 15:4)

Esse Jesus mesmo sendo grande, gentil e conhecedor de que as pessoas estavam sem liderança nunca as diminuía, envergonhava ou ridicularizava.

Esse Jesus não passou um sermão na mulher surpreendida em adultério a respeito das consequências da infidelidade, ao contrário, Jesus viu sua dignidade sendo destruída pelos assim chamados “homens religiosos” (ele simplesmente colocou todo mundo no seu devido lugar).

Esse Jesus não promete mar tranquilo, mas ânimo nas adversidades. 

Esse Jesus não “resolve” nossos problemas, como repetem os televangelistas, mas promete ser nosso companheiro na estrada da vida. 

Ele é transcendente e imanente*, infinito e mais íntimo de nós do que nós mesmos somos.

*imanente - aquilo que não pode ser encontrado do lado de fora. Faz parte do ser. Diferentemente do que transcende. O que é imanente à ciência, transcende o verbo.

Juliano Fabricio
buscando entender o infinito e o intimo!!!


Eis aqui, portanto, o seu "Jesus original",

o seu "simples e inofensivo mestre da justiça",

cujo sermão do Monte contém "ética simples e nenhum dogma"!

Ele ensina com a autoridade de Deus e declara a lei de Deus. Ele espera que as pessoas edifiquem a casa de suas vidas sobre as palavras dele, e acrescenta que só aqueles que o fazem são sábios e estarão seguros. Ele diz que veio para cumprir a lei e os profetas. Ele é o Senhor que deve ser obedecido e o Salvador que concede bênçãos. Ele se coloca no papel central do drama do dia do juízo. Ele fala de Deus, chama-o de seu Pai num sentido único, e finalmente dá a entender que faz o que Deus faz, e que o que as pessoas lhe fazem estão fazendo para Deus.

Não se pode fugir do que em tudo isso implica.

As reivindica­ções de Jesus foram verdadeiramente expostas com tanta natura­lidade e modéstia e de maneira tão indireta que muitas pessoas jamais as percebem. Mas estão aí; não podemos ignorá-las e ain­da assim manter a nossa integridade. 

Ou elas são verdadeiras, ou Jesus sofria de uma coisa que C. S. Lewis chamou de "megalo­mania aguda". Mas poderia alguém defender seriamente que a ética sublime do Sermão do Monte é produto de uma mente per­turbada? É preciso um alto grau de cinismo para chegar a tal conclusão.

A única alternativa é aceitar Jesus ao pé da letra, e suas reivin­dicações pelo que realmente são. 

Neste caso, devemos aceitar o seu Sermão do Monte com seriedade extrema, pois aqui está o quadro que ele apresenta da sociedade alternativa de Deus. São os padrões, os valores e as prioridades do reino de Deus. Com demasiada frequência, a Igreja tem se afastado deste desafio, mergulhando numa respeitabilidade burguesa e conformista. Nessas ocasiões fica quase impossível distingui-la do mundo: perde a sua salinidade, a sua luz se extingue e ela repele todos os idealistas, pois não dá evidências de ser a nova sociedade de Deus que já está desfrutando das alegrias e do poder da era vin­doura. Só quando a comunidade cristã viver pelo manifesto de Cristo é que o mundo será atraído e Deus, glorificado. Portanto, quando Jesus nos chama, é para isto que o faz, pois ele é o Senhor da contracultura!

Juliano Fabricio
relendo o sermão do monte
através do contra cultura de John R.W.Stott


A Bíblia é a história de amor de Deus com seu povo.

Deus chama, persegue, perdoa e cura. Mesmo nossa resposta a seu amor é dádiva dEle. 

Isso soa para você como uma religião fácil? 

O amor tem suas próprias exigências. Ele não pesa e não poupa nada, mas espera tudo. Talvez isso explique nossa relutância em arriscar. Sabemos muito bem que o evangelho da graça é um irresistível chamado a amarmos da mesma forma. Não é de admirar que muitos de nós escolham entregar a alma a regulamentos em vez de viver em união com o Amor. 

Não há maiores pecadores do que os supostos cristãos que desfiguram a face de Deus, mutilam o evangelho da graça e intimidam os outros através do medo. Eles corrompem a natureza essencial do cristianismo. Na frase contundente de Eugene Peterson: "Eles estão dizendo mentiras sobre Deus, e malditos sejam". 

A igreja está numa encruzilhada crítica. O evangelho da graça está sendo transtornado e comprometido através de silêncio, sedução e franca subversão. A vitalidade da fé está ameaçada. Os slogans mentirosos que empunham a religião como uma espada multiplicam-se com impunidade. 

Maria Madalena destaca-se como testemunha por excelência do evangelho. Na Sexta-feira Santa ela assistiu o homem que ela amava ser assassinado da forma mais brutal e desumana. O foco da sua atenção não estava, no entanto no sofrimento, mas no Cristo sofredor, "que me amou e a si mesmo se entregou por mim" (Gl 2:20). O amor de Jesus era uma realidade ardente e divina para ela: ela estaria soterrada na história como meretriz anônima não fosse o encontro com Cristo. 

Ela não possuía qualquer compreensão de Deus, de igreja, de religião, de oração ou de ministério a não ser nos termos do Homem Santo que a amara e entregara a si mesmo por ela. O lugar único que Madalena ocupa na história do discipulado não se deve a seu misterioso amor por Jesus, mas à miraculosa transformação que o amor dEle produziu em sua vida. Ela simplesmente permitiu-se ser amada. 

Quando proclamava o evangelho da graça, Jesus pregava sobre o poder de Deus a partir da fraqueza humana. Foi isso que converteu o mundo romano e converterá a nós, e as pessoas a nosso redor, se virem que o amor de Cristo nos tocou. 

A igreja precisa juntar-se a Madalena no testemunho de que o cristianismo não é primariamente um código moral, mas um mistério permeado de graça; não é essencialmente uma filosofia do amor, mas um caso de amor; não é agarrar-se com unhas e dentes a regras, mas é receber um presente de mãos abertas. Como C. S. Lewis gostava de dizer: as pessoas precisam ser mais lembradas do que instruídas. 

Brennan Manning 
[Trecho extraído do livro “O Evangelho Maltrapilho”]


A idéia do amor de Deus não é com certeza nova com Jesus. 

Na verdade, não é nem mesmo exclusividade da tradição judaico-cristã. Outros homens, em outras épocas, em outras partes do mundo, pensaram ou esperaram ou desejaram que o realmente real, o Deus vivo, de fato os amasse. Jesus, porém, acrescentou uma nota de confiança. Ele não disse que Deus talvez fosse amor, ou que seria legal se Deus fosse amor. Ele disse: Deus é amor — e ponto final. Há, porém, mais na mensagem de Jesus. Ele insistia que seu Pai está louco de amor, que Deus é um Deus apaixonado que não consegue ficar sem nós. A parábola que deixa essa verdade mais evidente é a do filho pródigo, a parábola do Pai amoroso. 

A ênfase não está na pecaminosidade do filho mas na generosidade do Pai. 

Deveríamos reler essa parábola periodicamente para capturarmos as delicadas nuances do primeiro encontro entre os dois. O filho havia ensaiado o seu discurso cuidadosamente. Era uma declaração elegante e elaborada de pesar. Mas o velho não o deixou terminar. O filho mal chegou à cena quando um manto requintado é atirado sobre seus ombros. Ele ouve música, o bezerro cevado está sendo levado para o salão, e ele não chega nem mesmo a ter a oportunidade de dizer a seu pai: "sinto muito". 

Deus nos quer de volta mais do que jamais seríamos capazes de desejar voltar. Não temos de entrar em detalhe sobre o nosso pesar Tudo que temos de fazer, diz a parábola, é aparecer em cena, e antes que tenhamos uma chance de fugir novamente, o Pai nos agarra e arrasta para o banquete de modo que não tenhamos como escapar. 

Há uma fascinante passagem no capítulo 8 do Evangelho de João sobre uma mulher apanhada em adultério. Lembre-se do modo como a multidão arrastou-a até diante de Jesus e perguntou: 

— O que fazemos com essa mulher? Ela foi apanhada em adultério. Moisés diz que devemos apedrejá-la, mas os romanos não nos deixam apedrejar as pessoas. Qual é o seu parecer? 

Jesus os ignora e começa a escrever na areia. Ele então levanta os olhos e diz: 

— Bem, aquele aqui que não cometeu pecado algum atire a primeira pedra. 

Um a um eles se afastam. Jesus então diz à mulher: 

— Não restou ninguém aqui para condená-la? 

— Ninguém, Senhor — ela diz. 

— Tudo bem — ele diz. — Pode ir e não cometa mais esse pecado. 

Agora entenda: Jesus não perguntou se ela estava arrependida. Ele não exigiu um firme propósito de reforma moral. Ele não demonstrou preocupação de que ela poderia ir correndo atirar-se de volta nos braços do seu amante. Ela só ficou ali e Jesus deu-lhe absolvição antes que ela pedisse. 

A natureza do amor de Deus é ultrajante. 

Por que esse nosso Deus não demonstra algum bom senso e moderação quando lida conosco? Por que ele não demonstra mais autocontrole? Para ser direto, será que Deus não poderia ter um pouquinho mais de dignidade e de amor-próprio? Puxa vida! 

Agora, se fossemos nós na posição dele, saberíamos exatamente como agir — aquele filho pródigo teria recitado seu discurso até a última palavra. Quando ele terminasse, nós diríamos: 

— Muito bem. Agora vá embora, filho pródigo, e vou pensar a respeito por umas duas semanas. Você será então informado via correio se decidi admiti-lo ou não de volta na fazenda. 

Não creio que alguém teria aprovado que aquela pobre mulher adúltera fosse apedrejada, mas pode crer que teríamos nos certificado de que ela oferecesse uma detalhada manifestação de contrição, e um firme propósito de corrigir-se. Se a dispensássemos sem que ela pedisse desculpas, não era certo que ela reincidiria em adultério antes do entardecer? 

Não, o amor de Deus não tem dignidade nenhuma, e aparentemente é assim que ele espera que seja o nosso amor. Ele não apenas requer que aceitemos sua espécie inexplicável e embaraçosa de amor, mas, uma vez que o aceitamos, ele espera que nos comportemos do mesmo modo com os outros. Acho até que seria capaz de sobreviver, se fosse obrigado, com um Deus cujo amor por nós fosse embaraçoso, mas a idéia de que tenho de agir da mesma forma com as outras pessoas — isso é demais para engolir. 

Talvez o modo mais simples, embora certamente não o mais fácil, de começar seja comigo mesmo. 

Faça então por você mesmo o que faria pelos outros. E aquele saudável amor próprio que Jesus prescreveu quando disse "ama teu próximo como a ti mesmo" poderia começar com o simples reconhecimento: qual é a história da minha vida? é a história de uma pessoa infiel através da qual Deus continua trabalhando. Essa é a idéia!!!! 

Juliano Fabricio
aprendiz desse AMOR


Na cruz, passando pelo maior sofrimento que uma pessoa pode suportar, Jesus perguntou: 

“Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?”

É uma pergunta, mas é também uma janela para uma maneira totalmente nova de enxergar Deus.

O que aprendemos com Jesus, o que vemos na sua dor, abandono e agonia, é que Deus também está lá.

Deus está no melhor,
e também no pior.
Deus está na presença,
e também na ausência.
Deus está no poder,
e também na impotência.
Deus está na cruz também.

Ele esta lá nas lagrimas, nos questionamentos, no desespero, no sangue, no lamento – Deus está lá, sentado conosco sobre nossas cinzas quando com nossos punhos cerrados para o céu declaramos que Ele não existe. 

Essa é uma subversão inesperada da cruz, transformando muitas das idéias que temos sobre Deus, insistindo que Deus é tão por nós que está disposto a assumir o pior que o mundo pode nos trazer e sofrer por nós até nosso ultimo suspiro.

Nós somos livres para fazer escolhas, exercer nossa vontade e infligir toda espécie de dor e abuso a nós mesmos, ao outro e ao meio ambiente.

Que é o que temos feito. 

Através de Jesus, vemos o Deus que compra a briga pela nossa liberdade, que carrega nossas dores, nosso sofrimento, nossos pecados, nosso desespero e nossa descrença a respeito do próprio Deus, e então ele morre e ressuscita três dias depois.

Essa ressurreição de Jesus foi um marco na consciência humana, um novo modo de ver o mundo, no qual a morte não tem a ultima palavra.

É por isso que torcemos pelos desfavorecidos, pelos desajustados, pelas ovelhas negras. (ou deveríamos torcer)

Isso fala à nossa necessidade de ser lembrados de que nada está concluído, que a ultima palavra ainda não foi dita, que um salvador morrendo numa cruz não é o fim. Mas apenas o começo.

Jesus nos convida a acolher a fraqueza, dúvida, raiva, desamparo e qualquer outro sofrimento que estejamos carregando, oferecendo-os a Deus e confiando que, assim como a morte de Jesus traz uma nova vida, nossas dores e frustrações também serão transformadas numa coisa nova. 

“a paz que nos é oferecida não é imune a tragédias, doenças, falência, divórcio, depressão ou mágoas.”

É uma paz firmada na certeza de que a vida que Jesus nos dá é mais profunda, mais ampla, mais forte e mais duradoura do que qualquer circunstância poderia oferecer, porque tudo o que vemos e tocamos não é tudo o que existe, e a última palavra a nosso respeito ainda não foi dita.

O grande mistério disso esta na fala do aposto Paulo,
 “Nos tornamos fortes quando ficamos fracos”

Juliano Fabricio
Influenciado pelo polêmico Rob Bell



Cuidem uns dos outros, 
passem o tempo uns com os outros, 
confortem uns aos outros, 
sirvam uns aos outros, 
socorram uns aos outros. 
comam todos juntos e saúdem uns aos outros com afeto. 

É interessante o fato de que a igreja primitiva encarnava bem isso.

E por que? Porque a igreja é uma família.

O sentido de família e de comunidade era tão elevado entre os crentes primitivos, que se disse que o sistema cristão de atendimento (beneficência) no primeiro século era a terceira influência mais eficaz no império romano. Se você fosse um cristão no primeiro século, não precisava ter nenhum seguro. A igreja local era seu seguro, porque os irmãos tinham um apelo divino de levar o ônus da comunidade de crentes (Romanos 12:13; Gálatas 6:2, 9, 10; Hebreus 13:16; I João 3:17, 18) e o levava (Atos 6:1-7; 1 Timóteo 5:2-16; Hebreus 6:10). 

E por que? Porque a igreja é uma família.

Na igreja primitiva se recebia de braços abertos os novos convertidos. Não os ignorava nem os tratava com receio irracional. Na assembleia as crianças eram olhadas como as crianças da igreja, e os interesses de cada crente individual eram considerados como interesses da igreja (Filipenses 2:4). Os cristãos primitivos cuidavam uns dos outros e assumiam responsabilidade uns pelos outros, porque se consideravam como uma comunidade de vida compartilhada —um extenso lar de irmãos e irmãs, de pais e mães (Marcos 10:29, 30). 

E por que? Porque a igreja é uma família.

É refrescante notar que os cristãos primitivos não se viam forçados a ir ao governo secular pedir por uma assistência econômica. Em vez disso, a comunidade de crentes assumia a responsabilidade por aqueles que tinham necessidade (2 Coríntios 8:12-15; Romanos 12:13), considerando-os como "dela própria". Segundo as palavras de Paulo, os crentes primitivos se consideravam como "membros uns dos outros" (Efésios 4:25). Sendo isto assim, os cristãos primitivos operavam sobre o princípio do cuidado mútuo: "O que recolheu muito, não teve mais; e o que pouco, não teve menos." 

E por que? Porque a igreja é uma família.

Os cristãos primitivos não conheciam coisas como gastar quantidades colossais em programas e projetos de construção, em vez de assumir os ônus de seus irmãos.

Em suma, a igreja revelada na Bíblia é uma família amorosa, não um negócio.

É um organismo vivo, 
não
uma organização.

Juliano Fabricio
Tentando a todo custo ser primitivo


[Você conhece esse evangelho?]

As pessoas humildes são pequenas aos próprios olhos, sinceras quanto às lutas que enfrentam e abertas à crítica construtiva. 

Seguem o conselho de Jesus e procuram os últimos lugares; não ficam chocadas nem ofendidas quando os outros as colocam ali. 

Confiam que são amadas, aceitas, perdoadas e redimidas do jeito que são. 

Conscientes de sua pobreza inata, lançam-se sobre a misericórdia de Deus numa entrega despreocupada. 

Lembrando que foi o próprio Jesus quem disse: 'Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração" (Mt 11:29).

Enfim... Por que você acha que Jesus era atraído pelos que não tinham atrativos, por que ele desejava contato com pessoas indesejáveis e amava os que não eram dignos de amor pelos padrões humanos? Por que ele amava tanta gente fracassada, derrotada e indigna? 

Porque seu Pai também ama.

"Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz" Jó 5:19

Puro e simples assim.

Juliano Fabricio
agindo como se fôssemos livres, a todo custo....

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