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É aí que localizo na minha cidade o espaço de resistência a esses padrões uniformes do mundo global – o botequim. O buteco é a casa do mal gosto, do disforme, do arroto, da barriga indecente, da porrada, da grosseria, do afeto, da gentileza, da proximidade, do debate, da exposição das fraquezas, da dor de corno, da alegria do novo amor, do exercício, enfim, de uma forma de cidadania muito peculiar.

A luta pelo buteco é a possibilidade de manter viva uma Ágora efetivamente popular, espaço de geração de ideias e utopias – sem viadagens intelectuais, mas fundadas na sabedoria dos que têm pouco e precisam inventar a vida – que possam nos regenerar da falência de uma (des)humanidade que limita-se a sonhar com a roupa nova e o corpo moldado. O botequim é o anti-shopping center, é a anti-globalização, é a recusa mais veemente ao corpo-máquina dos atletas olímpicos ou ao corpo doente das anoréxicas – doença comum nesse mundo desencantado.

Ali, entre garrafas vazias, chinelos de dedo, copos americanos, pratos feitos e petiscos gordurosos, daquele mar de barrigas indecentes, onde São Jorge é o deus e mercado é só a feira da esquina, a vida resiste aos desmandos da uniformização e o ser humano é restituído ao que há de mais valente e humano na sua trajetória – a capacidade de sonhar seus delírios e afogar suas dores e medos na próxima cachaça. É onde a alma da cidade grita – Não passarão!

Luis Antonio Simas, em Resistir é preciso


Para que serve a coragem, essa coceira que bate no miolo da vontade? 

Coragem serve para aceitar um convite. 

Serve para dizer eu te amo, mesmo que isso a princípio de ânsias de vômito.

Serve para fazer as pazes com quem, por algum motivo menor, nos distanciamos. 

Serve para se declarar a alguém.... ou ligar primeiro. (isso já venci)

Serve para se matricular em algo.... e quem sabe ser negado ou reprovado.

Serve para ter filhos, mesmo que hoje as pessoas achem que está muito caro mantê-los. [Tenho 3 filhos e o mundo me acha um louco]

Serve para queimar os dedos no azeite quente ao colocar as cebolas para dourar. 

Serve para trabalhar com algo que nunca se trabalhou antes. 

Serve para carregar uma bandeira, uma convicção. 

Serve para o nosso exercício político diário, serve à ética. 

Serve para nossa luta diária contra o inconformismo, intolerância e tanta coisa ridícula.

Serve para o diálogo. Serve para AMAR...

Coragem serve para banhos: de chuva, de cachoeira, de mar, de rio. 

Ela está lá no instante em que dizemos sim ao novo. E quando estamos abertos ao novo, ele entra sem bater. O novo, quando é de casa, chega no meio da noite, na hora do almoço, logo cedo, em pleno final de semana. O novo, se for bem recebido uma vez, volta. Ele voltou. 

Enfim coragem para reforçar nossa hipótese sobre as melhores relações: 

Aquelas que têm o amor como norte. 

Vamos nessa, apertem os cintos. 

Pois o AMOR é mesmo uma bússola quebrada.

Que sempre indica um caminho desconhecido, mas com a paisagem mais surpreendente. 

CORAGEM!!!

Juliano Fabricio
Ps: Meus filhos me fazem ter coragem.
[inspiração doseupai]


Sou uma farsa. Sou um patife, um mentiroso e um canalha. Sou também um santo em muitos sentidos, mas isso apenas distorce a essência da mensagem que eu deveria estar transmitindo. [Brabo]

Quando li essa frase pela primeira vez, não pareceu que eu estava lendo um texto. Parecia que eu estava confessando algo. Isso mesmo, pois, é isso que sou; um patife, um canalha, um mentiroso, uma farsa. Sei que não estou só nessas "qualidades", mas, tenho certeza absoluta que estou entre poucas companhias diante dessa confissão.

Não pretendo mais esconder minhas limitações. Quero expor para todos o quanto sou humano. Quero mostrar para todos, o quanto não sei de muitas coisas que muitas vezes dissimulo saber. Sou pequeno, e muitas vezes tenho dificuldades de reconhecer isso.

Vejo o quanto estou distante de abranger o sermão da montanha. Mas uma coisa eu entendo desse sermão de Mt 5; que a paixão de Jesus é pelos pobres, os que choram, os mansos, os caídos, os violados, os atormentados. "Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, diz o Senhor" (Is 57.15).

Você, que é leitor desse blog, entenderá que não sou muito diferente de você. Pense o quanto de problemas seriam resolvidos no meio cristão se os líderes religiosos começassem a entender o quanto nossa natureza é falha e pequena. 

Enfim... parem com essa teologia triunfalista e idiota, de uma pseudo-santidade, o qual a Bíblia nunca exigiu. Ora, a proposta do Evangelho nunca foi que parássemos de pecar, e sim, que submetêssemos à vontade de Jesus.
Juliano Fabricio
um farsante


Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui. Lucas 12:15 

Estamos obcecados com "o melhor". 

Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor". Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho. Bom não basta. 

O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor". 

Isso até que outro "melhor" apareça e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer. 

Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter. 

O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego. 

Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos. (lembre-se do que Paulo disse: “Mas, andemos segundo o que já alcançamos” Filipenses 3:16) 

Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários. 

Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis. 

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente. 

Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência? 

Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa? 

E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto? 

O restaurante onde sinto saudades da comida de casa ou o que tem o "melhor chef"? 

Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro? 

O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"? 

Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixados ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos. 

A casa que é pequena, mas nos acolhe. 

O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. 

A TV que está velha, mas nunca deu defeito. 

A relação que tem defeitos (como as nossas), mas nos faz mais felizes do que as relações "perfeitas". 

As férias que não vão ser na praia, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar à chance de estar perto de quem amo... Ps: estou vivendo esse momento!!!!

O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem. 

O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer. 

Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso? 

Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu? 

"Sofremos demais pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos". Shakespeare 

Juliano Fabricio – Vi sobre isso em um programa de TV com a jornalista Leila que optou por viver uma vida mais simples.


Neste mundo decaído, as coisas boas são resquícios da espoliação. 

A Queda do ser humano mudou tudo, e agora todas as coisas boas também apresentam um risco implícito e contêm dentro de si a possibilidade de exploração e abuso. 

Pense no sexo, na comida, nos grandiosos recursos de nosso planeta. Poder, beleza e fulgor, todas essas são coisas boas, qualidades que o nosso Criador possui, mas a história humana demonstra amplamente o que pode acontecer a elas nas mãos de seres humanos que provaram da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Somos criaturas que receberam por empréstimo talento, beleza e inteligência de um Criador que tencionava que nós usássemos isso bem. 

Não é à toa que essa árvore ficava no meio do jardim onde o acesso era total. Deus não nos esconde nada, somente nos alerta como fez com Caim:

 “Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas cabe a você dominá-lo". Gênesis 4:7

... Coisas boas são uma dádiva, não uma possessão.

Juliano Fabricio
...até hoje não aprendemos isso...


César...

Em seu nome, a igreja combinou riqueza e poder político com serviço professado a Deus: um casamento profano entre igreja e estado em que o papa em seu manto de arminho e César em toga de seda se mancomunavam para construir impérios. 

Malafaias...

Encontramos a mesma triste realidade em nossa nação quando determinados líderes religiosos espreitam os corredores do poder batizando alguns políticos e colocando outros na lista negra, sempre alegando encontrar suporte no ensino de Jesus. (malafaiadas)

Em toda época e cultura tendemos a moldar Jesus à nossa imagem e a maquiá-lo de acordo com nossas necessidades a fim de lidar com o estresse que sua presença sem disfarce provoca. (vale a pena ler: jesus-sem-embalagem-qualquer )

"Numa trincheira Jesus é um esquadrão de resgate; na cadeira do dentista, um anestésico; no dia da prova, um solucionador de problemas; numa sociedade afluente, um moderado bem barbeado; para um habitante da América Central, um revolucionário barbudo". 

JESUS...

Se pensamos em Jesus como amigo de pecadores, os pecadores são provavelmente nosso tipo de gente. Sei, por exemplo, que Jesus é meu amigo e essa atordoante verdade, de que Jesus corporifica para nós um Pai que nos ama mesmo quando falhamos em amar, é a Boa-Nova. 

Brennan Manning resumiu muito bem essa boa nova: “Jesus nos ama como somos e não como deveríamos ser, já que nenhum de nós é como deveria ser.”

Fica a pergunta: Você se identifica com César, os Malafaias ou com JESUS?

Juliano Fabricio
Vendo o que ninguém vê.

Porque nem sempre o "ao infinito... e além!" funciona!!!

O que buscamos que torna alguns de nós insatisfeitos crônicos, à procura de algo que jamais se encontra, quando tal busca é capaz de destruir todos os mundos simples e possíveis construídos ao redor? 

Sim, alguns de nós somos tomados por uma angústia da busca, como se a busca em si tivesse se tornado nosso encantamento e sempre que chegamos a um espaço bom e satisfatório, na avaliação de todos ao nosso redor, nós simplesmente abandonamos tudo e seguimos procurando, procurando, procurando… 

Até que a alma cansa, a gente olha pro lado e percebe o estrago causado na vida de tanta gente que sinceramente ama, mas não entende porque o amor por tais pessoas, a vida simples e rotineira, o bem comum, enfim, não são capazes de apaziguar essa angústia pela busca de algo que não sabemos identificar!

Deixamos família, filhos, acreditando na necessidade de realização pessoal, profissional. Deixamos morrer o casamento porque buscamos relações que sejam leves, distraídas, agitadas.

E esse tal de contentamento que o Apóstolo Paulo descreve nos parece tão distante! Sofremos e desejamos “aprender a estar contente em toda e qualquer situação (Filipenses 4) ”, porque a dor de ferir pessoas é tão lacerante quanto a dor da própria busca.

Mas há alguns de nós que não conseguem deixar de buscar, até o fim de suas vidas insatisfeitas.

Aprendendo um pouco mais 
com ©2016 Alexandre Robles


...escrevo sem meias palavras:

...Olhe para sua vida e veja como você tem preenchido seu vazio com pessoas. Como conseqüência, elas lhe deram uma "chave-de-braço". Veja como elas controlam seu comportamento com aprovação ou desaprovação. Detêm o poder de aliviar sua solidão com companhia, de enviar seu espírito para as alturas com elogios e de trazê-lo às profundezas com crítica e rejeição. Olhe para si mesmo, gastando quase todos seus momentos apaziguando e agradando pessoas, estejam elas vivas ou mortas. Você vive pelas normas delas, se conforma a seus padrões, busca sua companhia, deseja seu amor, morre de medo de ser ridicularizado, anseia por seu aplauso, submete-se mansamente à culpa que colocam sobre você; fica aterrorizado em contrariar a moda ao vestir-se, falar, agir e até mesmo pensar. Mesmo quando as controla, observe como você depende delas e é escravizado por elas. As pessoas se tornaram uma parte tão grande de sua existência que você nem sequer consegue imaginar uma vida que não seja afetada ou controlada por elas.

O pecado dominante em sua vida tem sido a recusa covarde de pensar, sentir, agir, reagir e viver a partir do seu “eu” autêntico, por medo de ser rejeitado. Não significa que não crê mais em Jesus. Ainda crê nele, mas a pressão dos pares limitou as fronteiras da sua fé. Nem significa que não ama mais a Jesus. Ainda o ama muito, mas às vezes ama mais outras coisas, especialmente a imagem que construiu de si mesmo. Qualquer limite auto-imposto à fé em Jesus e ao amor por ele inicia inevitavelmente algum tipo de traição. Marcha a passo cerrado com os apóstolos intimidados: "Então, os discípulos todos, deixando-o, fugiram" (Mt 26:56).

As opiniões alheias exercem uma pressão sutil, mas controladora, sobre as palavras que diz. A tirania de seus pares controla as decisões que toma e as que se recusa a tomar. Tem medo* do que outros podem dizer. 

Peter G. van Breeman identificou muito bem este medo*:

Esse medo de ser ridicularizado paralisa mais eficientemente do que o faria um ataque direto ou uma crítica ríspida e sem rodeios. Quantas coisas boas deixam de ser realizadas por causa de nosso medo da opinião alheia! Ficamos imobilizados pelo pensamento: o que os outros dirão? A ironia de tudo isso é que as opiniões que mais tememos não são as das pessoas que realmente respeitamos e, ainda assim, essas mesmas pessoas influenciam nossa vida mais do que gostaríamos de admitir. Esse medo enfraquecedor de nossos pares pode criar uma mediocridade estarrecedora.

Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros, e não buscando a honra que vem só de Deus? João 5:44

Fica ai a dica para os que se conformam!!!! 

Juliano Fabrício na nova série #provocações
[toda semana uma nova provocação]


Com tantos problemas que temos percebido e por fazermos parte de uma boa maioria deles, podemos enxergar uma solução?

 [leia antes Romanos 3 para ver o perfil desse defunto]

A solução não é um melhor governo ou educação, nem mais formol no defunto, nem aumentar os muros ou colocar mais policiais nas ruas, muito menos a quantidade de cadeados e trancas que usamos. Tampouco a solução é mais religião; rituais e doutrinas artificiais que buscam, talvez, reatar a flor ao caule, mas não conseguem. [pura ilusão]

Não carecemos de mais religião. 
Carecemos de um MILAGRE. 
Não precisamos de alguém para disfarçar o morto. 
Precisamos de alguém para ressuscitar o morto.

Este “alguém” é apresentado em Romanos 3.22.
 Porém antes de lermos o versículo, tenho de fazer uma pausa e adverti-lo:

Prepare-se para a sua simplicidade. 
Não é preciso nenhuma poção mágica. 
Cerimônias elaboradas são dispensáveis. 
Tratamentos complicados são inúteis. 
Horas torturantes de reabilitação não são requeridas. 
A solução de Deus para a nossa enfermidade é perfeitamente simples. 

Ainda antes de lermos o versículo, precisamos nos livrar de todas as desculpas e nos colocar sob o julgamento de Deus, porque ninguém pode tornar-se certo diante de Deus, por seguir qualquer tipo de lei. A lei apenas mostra-nos os nossos pecados. 

Você não está aliviado por Paulo não haver deixado o defunto sobre a mesa? 

Não está feliz por não ter o apóstolo descrito a condição sem mostrar a solução de Deus?

Não se preocupe. Disso não há perigo. Porque apesar de toda descrição desfavorável que Paulo faz de nós, em um momento de pura graça@ o mesmo Paulo escancara a janela e anuncia: “Mas Deus tem um jeito! ” (v.21).

Mas Deus tem um jeito de fazer as pessoas ficarem bem com ele, sem a lei, e Ele agora tem-nos mostrado esse caminho... Deus faz as pessoas ficarem bem com Ele através da fé que elas tem em Jesus Cristo. Isto é verdade para todos os que confiam em Cristo, porque todas as pessoas estão na mesma: todos pecaram, e não há ninguém bom o bastante para a glória de Deus. E todos precisam tornar-se justos diante de Deus pela sua graça, que é um presente. Eles precisam ser libertos do pecado através de Jesus Cristo. Deus concedeu-lhes Jesus como um meio de perdoar pecados, através da fé no sangue de Jesus. Isso mostra que Deus sempre faz o que é certo e apropriado, como no passado, quando Ele foi paciente e não puniu as pessoas por seus pecados (Rm 3.21-25).

Juliano Fabricio
O ex defunto que vos escreve.




"Dinheiro é como a água do mar: quanto mais uma pessoa bebe, mais sede sente." Anônimo

"Não há bolsos em uma mortalha." Anônimo

"Você pode apagar o sol se colocar uma moeda bem perto do olho." Anônimo

"Dinheiro é como esterco: só é bom se for espalhado." Francis Bacon

"Poucas coisas testam mais profundamente a espiritualidade de uma pessoa do que a maneira como ela usa o dinheiro." J. Blanchard

"O amor ao dinheiro é para a igreja um mal maior do que a soma de todos os outros males do mundo." Samuel Chadwick

"Tempo e dinheiro são os fardos mais pesados da vida, e os mortais mais infelizes são os que os têm mais do que são capazes de usar bem." Samuel Johnson

"A verdadeira medida de nossa riqueza está em quanto valeríamos se perdêssemos todo nosso dinheiro." John Henry Jowett

"Aquele que serve a Deus por dinheiro servirá ao diabo por salário melhor." Roger L'Estrange

"Se a religião de um homem não afeta a maneira como ele usa o dinheiro, a religião desse homem é vã." Hugh Martin

"A chave de todo o nosso relacionamento com o dinheiro está na atitude de nossa mente para com ele." Kenneth F. W. Prior

"O homem mais pobre que conheço é aquele que não tem nada mais do que dinheiro." John D. Rockefeller

"Dois terços de todas as lutas, brigas e processos judiciais no mundo originam-se de uma simples causa: dinheiro!" J. C. Ryle

"Mamom é o maior senhor de escravos do mundo." Frederick Saunders

"O dinheiro ainda não deixou ninguém rico." Sêneca

"Dinheiro - o maior deus debaixo do céu." Herbert Spencer

"Nada do que é de Deus é obtido com dinheiro." Tertuliano

"Eu não dou um centavo por um homem que enriquece com a sua causa" Milor Fernandes 

"O dinheiro é um bom empregado, mas é um mau pa­trão." Georg Bõhm

Juliano Fabricio


"Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia" (Mt 7:26).

Deixar que conceitos teóricos tomem o lugar de atos de amor mantém a vida a certa distância segura. 

Esse é o lado escuro de se elevar o ser em detrimento do fazer. 

Não é essa a acusação que Jesus lançou contra a elite religiosa de seus dias? O compromisso cristão não é uma abstração. 

É uma maneira concreta, visível, corajosa e inabalável de estar no mundo sendo forjado por escolhas diárias que sejam coerentes com a verdade interior. Não passa de ilusão o compromisso que não se manifeste em serviço humilde, em discipulado sofredor e em amor criativo. 

Jesus Cristo é impaciente com ilusões, e o mundo não tem nenhum interesse em abstrações."... quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia" (Mt 7:26).

Se desconsiderarmos essas palavras de Jesus, a vida espiritual não passará de fantasia. 

Aquele que fala, especialmente se fala em nome de Deus, pode exercer grande influência, mas o que age realmente mostra a que veio e prende muito mais a nossa atenção. 

Se quer saber em que uma pessoa realmente acredita, não apenas escute o que ela diz, mas observe o que ela faz.

Jesus reforçou suas palavras com feitos.

Juliano Fabrício na série #provocações


... capi­ta­lismo & comunismo ficaram conhe­ci­dos pelo modo pra­ti­ca­mente oposto com que propõem-se a defender os mesmos prin­cí­pios de liberdade e de igualdade.

A capa­ci­dade humana de torcer o mais equi­li­brado e bem-intencionado dos discursos de modo a moldá-lo em fer­ra­menta de dominação e explo­ra­ção. O projeto que foi estudado à minúcia para garantir a justiça será fatal­mente usado para perpetuar o seu oposto. Nossa intenção de salvar acaba matando, e o sonho de remendar acaba rasgando. 

Num livro de 1995, Howard Bloom dá a essa tendência con­tra­di­tó­ria e irre­sis­tí­vel o nome de Princípio Lúcifer:

Um resultado: nossas melhores qua­li­da­des acabam des­per­tando o pior de nós. De nossa ânsia em reunir e con­so­li­dar vem nossa tendência a separar e destruir. De nossa devoção a um bem maior vem nossa propensão às mais vis atro­ci­da­des. De nosso com­pro­misso com ideais elevados vem nossa desculpa para odiar. Desde o princípio da história temos sido cegados pela capa­ci­dade do mal em assumir um disfarce de abnegação. Temos sido incapazes de enxergar que nossas qua­li­da­des mais admi­rá­veis conduzem-nos muitas vezes às ações que mais abo­mi­na­mos: assas­si­nato, tortura, genocídio e guerra.

Não será mero exagero ou retórica associar essa tendência (de usar o que é bom para perpetuar o mal) a Satanás, porque num sentido muito profundo essa tendência é Satanás. René Girard sugere algo parecido quando explica os meca­nis­mos de demo­ni­za­ção e de viti­mi­za­ção que mantem as soci­e­da­des ao mesmo tempo apa­zi­gua­das e injustas. Apegar-se a boas intenções que acabam pro­du­zindo terror e injustiça não é só coisa do diabo; esse processo, apa­ren­te­mente, é o próprio diabo, e não pode ser revertido ou con­tor­nado por qualquer discurso acessível aos homens. O capeta se esconde nos nossos sonhos mais elevados e nas demandas mais puras.

Jesus, o não-condicionado, apa­ren­te­mente não ignorava essas coisas, porque recusou-se con­sis­ten­te­mente a articular um discurso. Não chegamos a conhecer sua “proposta”, o reino de Deus, por algo além de com­pa­ra­ções e parábolas (que não permitem com­pre­en­são mais do que trans­ver­sal), e pela sua própria e irre­pre­en­sí­vel conduta. Grande parte da sua vida foi dedicada a denunciar e condenar os scripts ins­ti­tu­ci­o­nais de dominação, porém ele mesmo não rebaixou-se a sugerir um discurso subs­ti­tuto, porque sabia que qualquer ideologia pode ser (e será) usada como fer­ra­menta ide­o­ló­gica nas mãos de Satanás1.

O que Jesus deixou-nos como herança é o reino de Deus, um local ou condição que não pode ser ade­qua­da­mente descrito ou atingido. O reino está em perpétuo tornar-se, em perpétuo devir, e espreita “dentro de nós” e “entre nós” aguar­dando o momento de ver Satanás des­pen­cando como um relâmpago. O reino de Deus não pode ser fundado nem implan­tado nem arti­cu­lado nem encon­trado; só pode ser buscado, e diz-se que para os que o buscam — e para os tocados pela sua obsessão de dividir — todas as coisas serão acrescentadas.

NOTA 1: O que Jesus recusou-se a prover a igreja, natu­ral­mente, se dispôs a tabular e gra­ci­o­sa­mente oferecer, com a maior das boas intenções e os mais trágicos resul­ta­dos.

Trechos totalmente subversivos da:
by Paulo Brabo (@saobrabo)


Embora o mundo não seja como você gostaria que fosse, lembre-se de que o seu ideal de mundo talvez não seja o que outros estão almejando. 

Teremos sempre guerras de fé, de crença, de ideologia? Um dos flagelos do mundo moderno é a crença em que alguns podem mudar o mundo, à nossa revelia, simplesmente porque acham que descobriram teorias que explicam e resolvem os nossos problemas. 

A certeza dessas teorias os induz a tomar o poder por qualquer meio, inclusive o terror, para colocar as suas teorias e ideias em prática. “A ciência vencerá” tem sido uma bandeira de muito intelectual. 

Quando essas teorias fracassam, especialmente as econômicas, políticas e sociais, a culpa é atribuída a uma variável que não foi considerada, uma relação de causa e efeito esquecida, ou a um erro do “modelo” empregado. 

Não se questiona que talvez não exista o Santo Graal da verdade absoluta. 

Mais pessoas morreram no último século em guerras ideológicas, como o fascismo, o nazismo e o socialismo – que tinham fundamentos elaborados por grandes intelectuais – do que em todas as guerras de conquistas territoriais promovidas por tiranos incultos. 

Hoje, já se começa a desconfiar que ninguém jamais será o dono da verdade. Nunca mais haverá alguém que saberá o todo, nem Fernando Henrique Cardoso nem ninguém. 

O mundo é por demais complexo para tal. Ninguém poderá mais afirmar que sabe o que é melhor para você, pois não existem verdades absolutas, somente hipóteses que ainda não foram refutadas, a sugestão de Karl Popper. 

Kurt Goedel piorou ainda mais a situação quando provou que nenhum sistema ou teoria consegue provar as premissas nas quais se baseia. A melhor teoria depende infelizmente de uma premissa não
comprovável. 

O que não significa que não possamos acreditar em mais nada. Simplesmente precisamos ter mais cuidado com aquilo em que acreditamos. 

Professores gastam mais tempo apresentando teorias do que discutindo as premissas em que elas se baseiam, às vezes nem chegam a ser mencionadas. 

No futuro, peça a seu professor para devotar mais tempo discutindo as premissas iniciais, pois normalmente é aí que reside o ponto fraco. É muito mais fácil provar os teoremas de Pitágoras do que discutir a premissa da existência de Deus. 

Por isso, a verdade absoluta é sempre uma questão de fé, e fé não se discute. A verdade, como argumentam os existencialistas, é sempre uma escolha pessoal. A verdade, por incrível que pareça, é individual. 

Para complicar ainda mais nossas incertezas e confusão, não há, segundo Goedel, cientista, economista ou professor totalmente neutro, por mais que tente sê-lo. 

O mundo seria menos confuso se todo professor ou intelectual informasse em que partido milita, antes de emitir uma opinião ou verdade absoluta. 

Os conflitos religiosos e culturais serão sempre crueis e não se resolverão por diálogo. Não dá para provar quem tem a razão. As verdades religiosas são tão poderosas porque a premissa básica é sempre Deus, premissa inquestionável por definição. 

Osama bin Laden se considera esclarecido e ético, opõe-se aos americanos que ele, e muitos ao redor do mundo, consideram antiéticos. 

Ele consegue justificar plenamente as mortes que causou, porque “os fins justificam os meios”, frase repetida nas nossas universidades. Ele não tem dúvida de que está absolutamente certo, como muita gente por aí. 

Embora o mundo não seja como você gostaria que fosse, lembre-se de que o seu ideal de mundo talvez não seja o que outros estão almejando. A solução dos conflitos não reside na guerra, mas na tolerância, ninguém sabe qual mundo é o melhor, por mais convicto que esteja. 

Portanto, se você pretende fazer um mundo melhor, desconfie um pouco mais das teorias, aprimore seu próprio faro e senso de observação, reavalie de tempos em tempos as suas premissas, e seja muito tolerante. 



Parece ser uma necessidade do homem a classificação. 

O desejo de conferir adjetivo a tudo e todos. Trata-se de uma satisfação, pois supre a preguiça de quem narra e a curiosidade de quem ouve. Engraçado perceber como nos contentamos em descrever uma pessoa repleta de particularidades infinitas com um único qualificador tal qual “simpático”, “sistemático” ou seja lá o que for.

Se a classificação traz os benefícios já mencionados, o fato é que também revela alguns iminentes perigos. 

Isto porque a adjetivação não respeita a complexidade do indivíduo. Por considerar o homem, equivocadamente, como que comportando-se de maneira linear e previsível. Deste modo, um sujeito insensível sempre se comportará de maneira insensível. Cria-se um rótulo que justifica e limita condutas. Uma classificação que espera que o classificado sempre se comporte como então designado. É por assim dizer, das tarefas mais difíceis, derrubando conceitos já previamente formados. Primeiro porque eles possuem fundamentos verdadeiros ainda que parciais. Depois porque toda tentativa de desvencilhar-se do conceito soará anti-natural ou se perderá no anonimato. Cria-se um círculo vicioso.

Você já reparou como toda jogada de um atleta de futebol consagrado é normalmente descrita como genial, ainda que desprovida de qualquer anormalidade? Ou talvez como as palavras de um sábio derrame consentimento mesmo proferidas por uma boca pecadora? De um lado porque aquele que incorpora o rótulo precisa, a todo o momento, justificá-lo a fim de satisfazer os olhos gulosos. Não se admite a trivialidade. Espera-se a jogada dos sonhos, o pensamento original, o conselho ideal. Qualquer movimento precisa ser calculado e todas as palavras desenhadas com minúcia antes de serem ditas. Por outro lado, o esforço por engolir comportamentos de forma uniforme por quem observa. Por arquitetar genialidade forçada na normalidade de uma frase despretensiosa.

Todo rótulo é cruel. 

Por não respeitar a dinamicidade do homem e seu processo de santificação. Por escravizar quem o recebe e quem o cultiva. Porque o sábio pode dizer absurdos. O insensível pode praticar atos de misericórdia. O egoísta, ser transformado. O preguiçoso pode estar lutando bravamente para fazer-se servo… A classificação zomba do poder do Espírito Santo. Afasta pessoas, endurece corações. E você? Quais rótulos tem colocado em si mesmo e nos outros? Quais deles tem cultivado? Liberte-se.

Juliano Fabricio
*vide o verso*


Não creio mais em Deus, já tem um tempo.

Sabe, crer em Deus exige de mim, uma teologia, uma explicação, crer em Deus, precede uma causa, nada pode ser aleatório, precisa de um Deus onipotente, onipresente, as vezes insensível as vezes implacável, o processo de crença denota um racionalismo, uma ciência, tudo precisa ser incessantemente encaixado, nada pode fugir ao padrão, 

o Deus da crença precisa de legisladores, guardadores dos seus estatutos.Não creio em nada, tudo muda tão rápido, ontem eu acreditava que o café fazia bem, mas me vem cientistas e falam que faz mal, ora, me sinto tão bem com ele, vou ficar com a opinião daqueles que dizem que ele não faz mal, por que? Eu quero, simples… e no final sempre pendemos para o lado que mais nos agradam mesmo. O Deus da crença, não pode ser totalmente bom, não pode ser totalmente mau, em geral, ele é o modelo de perfeição que idealizamos. 

O Deus da crença é limitado a quatro paredes, divididos por guetos, por exemplo: Se creio no Deus cristão, eu não posso crer no Deus indígena, no Deus afro, no Deus islâmico, se minha crença é evangélica, eu não posso crer no Deus Franciscano, que absurdo não?!O Deus da crença é cheio de dogmas, rituais de passagem, toda hora está tentando se provar, precisa ter o ego inflado, cheio de limites, tem hora que parece até que vive no tempo (como nós)
…. 

A Partir de hoje se me perguntarem se creio em Deus, serei categórico em dizer que Não!

Então você é ateu? Dirão os mais rápidos em rotular.

Responderei: — Claro que não! Ateu é você, que nega a existência de qualquer outro Deus, caso este não lhe convenha. 

Meu Deus é branco e preto, tem todas as cores, e nenhuma ao mesmo tempo. 

Mas, você aí me pergunta, George o que o café tem com isso? 

Lhe respondo. Meu Deus é igual ao café, pode fazer tanto bem, como pode fazer mal, tudo depende da dosagem, e não vejo problema algum mistura-lo com outras coisas, como leite com chocolate, as vezes gosto mais amargo, as vezes mais doce, mas uma coisa é certa, não me preocupo em crer no café, me concentro em provar dele, o mesmo vale para Deus. 

George Huxcley, no Facebook


...alguns amigos abandonaram a igreja, alguns cumprem com um certo sorriso amarelo as regras impostas por um tempo e outros aprenderam a fingir, vivendo uma vida dupla.

Porem quando olho para a vida de Jesus, um fato sempre me surpreende: o grupo que deixou Jesus mais irado foi o grupo com o qual, pelo menos externamente, Ele mais se identificava. Os mestres concordam que Jesus tinha o perfil rigoroso de um fariseu. Obedecia à Tora, citava os fariseus famosos e, com frequência, concordava com eles em argumentos públicos. 

Jesus, porém, dirigiu aos fariseus os seus mais fortes ataques. 

"Serpentes, raça de víboras! Hipócritas! Condutores cegos! Sepulcros caiados!", era assim que Cristo os chamava. 

E é assim que infelizmente tenho visto muitos amigos se tornarem.

O que esses amigos precisam entender é que essa tal maturidade espiritual não está ligada ao quanto você está "puro", mas, sim, a conscientização de sua impureza. 

Como disse o Ed René: A vida como nós queríamos X a vida como ela é!!!

Nouwen confessa isso de uma forma corajosa:

Eu sei, na minha própria vida, com que diligência tenho tentado ser bom, aceitável, agradável e exemplo digno para os outros. Sempre houve o esforço consciente de fugir dos abismos do pecado e o constante temor de cair em tentação. Mas com tudo isso havia uma seriedade, uma intensidade moralista — e até mesmo um toque de fanatismo — que tornava cada vez mais difícil sentir-me à vontade com DEUS. Tornei-me menos livre, menos espontâneo, menos brincalhão...

Enfim... preferem essa vida de legalismo, pois sabem que a liberdade em Cristo é um caminho muito difícil. (Explico)

é relativamente fácil deixar de matar, mas é difícil amar; 
é fácil evitar a cama do vizinho, mas é difícil manter um casamento vivo;
é fácil pagar impostos, mas é difícil servir aos pobres. 

Quando vivo em liberdade, tenho de me manter aberto ao Espírito Santo para receber sua orientação. Estou mais consciente em relação ao que tenho negligenciado do que a respeito do que tenho realizado. Não posso esconder-me por trás de uma máscara de comportamento, como os hipócritas fazem, nem posso esconder-me por trás de comparações fáceis com outros cristãos.

Juliano Fabricio

Não me leve a mal, não estou falando contra planejamento e nem contra o pensar em meios para atingir certos fins desejados. 

Mas às vezes colocamos nossos objetivos na frente de tudo, até mesmo de planos diferentes que Deus possa ter para nós.

Ou simplesmente nos preocupamos demais.

Quantas vezes estabelecemos padrões para nós mesmos e sofremos ao perceber que não conseguimos cumpri-los? Ou quantas vezes ficamos fechados em um planejamento inicial sem perceber que talvez fosse necessário mudar tudo?

Às vezes nos preocupamos com certas coisas excessivamente, como e onde as coisas vão dar, quais resultados obteremos… O que pode ser inútil...

(“Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” (Mt 6:34). 

Hoje já temos muito a resolver: se formos nos preocupar com o dia de amanhã, será impossível viver o hoje. Temos o péssimo habito de viver para o futuro. (justificamos isso até para os filhos). Além do quê, não adianta nada se preocupar. Só enche a cabeça.

Tudo tem que estar entregue nas mãos de Deus. Façamos a nossa parte (com responsabilidade e maturidade), o melhor que pudermos. E o que tiver que acontecer, acontecerá. Não se pode controlar tudo. (Somos sustentados por uma linha muito fina que tem nome: GRAÇA)

Pode ocorrer algo que coloque tudo de pernas pro ar. Nem tudo irá como o planejado.

Também, se assim fosse, que graça teria?

Juliano Fabricio
de pernar pro ar


"Como o louco que atira brasas e flechas mortais, assim é o homem que engana o seu próximo e diz: ‘Eu estava só brincando!’ " Provérbios 26.18,19

Todo mundo sabe que mentira é pecado. Mas muitos falam mentiras sutis todos os dias e não percebem, ou até percebem por um determinado tempo.

O uso da ironia é um exemplo disso. Segundo a Wikipédia, “a ironia é um instrumento de literatura ou de retórica que consiste em dizer o contrário daquilo que se pensa, deixando entender uma distância intencional entre aquilo que dizemos e aquilo que realmente pensamos.”

Por exemplo, alguém diz “Você está feia”, ou “Este bolo está horrível”. Mas queria dizer que a pessoa está bonita ou o bolo está uma delícia. Até mesmo bênção ou abençoado está virando sinônimo de ironia. Quem não ouviu ou falou algo tipo, “Essa criança é uma bênção”, mas na verdade queria dizer que a criança é impossível?

Outro exemplo é quando alguém telefona para outra pessoa e pede a quem atende para chamá-la e a pessoa diz que a outra não está, mas depois diz que era brincadeira. E esse exemplo se aplica a muitas outras situações, em que a pessoa mente e depois diz que era brincadeirinha, que só estava "zoando". O versículo postado acima diz tudo sobre isso.

E nas comunidades evangélicas também encontramos as mentiras sutis. Quantas vezes ouvimos alguém dizer que a irmãzinha está completando 20 anos, mas na verdade ela está fazendo 50 anos. Ou então o pregador cita um exemplo de algo errado, mas diz que isso não acontece naquela congregação, em tom de brincadeira, quando na verdade todos sabem que ele está falando deles.

Outra prática muito comum é festa surpresa de aniversário. Praticamente toda festa surpresa tem como base uma mentira, que não é nada sutil, é descaradamente uma mentira. E ainda se torna uma mentira coletiva, porque acaba envolvendo todos os amigos.

Tem uma que é clássica!!!! Vários amigos “cristãos” já me deram essa dica “porque você não omite a sua renda para conseguir o subsídio do governo para financiar sua casa, ou porque você não consegui um recibo ou uma nota fiscal fria para aliviar seu imposto de renda, ou tambem porque você disse que era você que estava dirigindo seu carro para receber o seguro da batida de carro de sua esposa ou filho e por ai vai...Triste realidade (Fica aqui uma dica de Jesus: “Daí a Cezar o que é de Cezar”) 

E por fim quero falar sobre outra forma de mentira sutil que é a fuga da realidade, fingir que está tudo bem, quando na verdade a pessoa está cheia de problemas. Isso acontece muito quando há um desentendimento com outra pessoa e não há arrependimento, mas a pessoa continua agindo como se nada tivesse acontecido.

Enfim... mentira é um vício, podendo passar de uma simples brincadeira até virar um vício em mentiras sutis e isso se torna um buraco sem fundo e como já disse: se tornando algo como se fosse atraente.

Precisamos ser verdadeiros, vigiar as palavras e ter cuidado com o que falamos. “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno” (Mt.5.37).

O livro de Provérbios é uma boa leitura sobre esse assunto. Fica a dica. 

Juliano Fabricio @provérbios


...no meio do caminho tinha um evangelho...

No âmago de que Jesus nos ensina sobre Deus está uma coisa chamada evangelho. Evangelho é uma idéia que confronta muitos conceitos dominantes sobre como o mundo funciona, Isso é contra intuitivo.

Em um de seus primeiros ensinamentos, Jesus diz que bem-aventurados serão os “pobres de espírito”. Os pobres de espírito são os carentes, os que vivenciam a falta e que estão conscientes de que não atendem às expectativas.

Os zes-ninguém,

Os patéticos,

Os mancos,

Os obsoletos,

Os que deixam a desejar.

A expressão bem-aventurado que Jesus diz é rica, sugestiva, carregada de conteúdo e quer dizer essencialmente que “Deus está do seu lado”.

Eu menciono o evangelho (a proclamação feita por Jesus das bênçãos de Deus para todos que necessitam delas) porque, como cristão, interagi com muitas pessoas que estavam convictas de que, se elas pudessem se tornar melhores: 

Mais morais, mais disciplinadas, mais espiritualizadas, mais gentis, mais corajosas, mais santas, justas ou qualquer outra palavra religiosa – então elas estariam:

Dentro, aceitas, acolhidas, legitimadas, e reconhecidas por DEUS.

Geralmente a pergunta que sempre ouço é: 

“Mas o que realmente importa para Deus não é que você seja uma boa pessoa?”

Essa questão geralmente surge da crença de que Deus opera mediante um sistema de mérito, em que, se a pessoa cumprir o preceito religioso correto e bem aceito, obterá os pontos necessários para ficar perto Dele.

Mas isso não tem nada a ver com o evangelho.

Evangelho é a notícia impactante, desafiadora, revolucionária, subversiva e contra intuitiva de que, nos seus momentos de maior:

Desespero, fracasso, pecado, fraqueza, perda, deficiência, frustração, incapacidade, impotência, desorientação, e falta, Deus o encontrará lá, Naquele lugar de dor,

E anunciará:

Eu estou do seu lado.

O evangelho ensina que Deus não espera que cheguemos a Ele bem arrumados, polidos, respeitáveis e sem culpa – Deus vem até nós, nos encontra e nos abençoa, enquanto ainda estamos no meio de toda nossa confusão.

Crer no evangelho não é colocarmos a vida em ordem para obter vantagens de Deus; é encontrarmos Deus nos momentos de maior fragilidade e desintegração.

A palavra de Deus é GRAÇA, e graça é um presente. Não recebemos presentes por merecimento; simplesmente os recebemos. Nós não o fazemos aparecer; um dia acordamos e o presente já aconteceu.

Você não tem que fazer o bem para ser digno. O evangelho abre os olhos para sua própria indignidade e seus ouvidos para escutarem Jesus sussurrando que não é assim que a coisa funciona.

Tudo isso significa ser uma pessoa boa e deixar essa bondade fluir naturalmente, não para tentar fazer com que Deus fique do seu lado, mas sabendo que Ele esteve ao seu lado esse tempo todo.

O evangelho nos chama para uma grande mudança de pensamento,

Uma guinada decisiva no entendimento,

Um salto gigantesco na maneira de ver as coisas – caso contrário, ficaremos para sempre estacionados naquele velho paradigma, tentando conquistar o que já é nosso.

Agora você entende porque Jesus começava alguns de seus discursos com “Arrependam-se”? Você sabe o que se arrepender significa? Significa mudar seu pensamento, ver as coisas por um novo ângulo, ter a mente renovada.

Juliano Fabricio
“em o evangelho como deveria ser”
Ps: eu leio Rob Bell, Frank Viola  e mais alguns malucos.


O pastor John Pavlovitz, da Carolina do Norte, fez quatro promessas a seus filhos caso um dia eles saiam do armário; todas são de AMOR

Às vezes eu penso se terei filhos gays.

Eu não sei se outros pais pensam sobre isso. Mas eu penso. Muito frequentemente.

Talvez seja porque eu tenha muitos gays na minha família e círculo de amigos. Está em meus genes e em minha tribo.

Talvez seja porque, como pastor de estudantes, eu tenha visto e ouvido as histórias de horror de crianças cristãs e gays, dentro e fora do armário, tentando fazer parte da igreja.

Talvez porque, como cristão, eu interaja com tantas pessoas que acham a homossexualidade a coisa mais repulsiva de se imaginar e que fazem questão de deixar isso abundantemente claro a cada oportunidade.

Qualquer que seja a razão, eu penso nisso frequentemente. Como pastor e como pai eu quero fazer algumas promessas a você e aos meus dois filhos.

1) Se eu tiver filhos gays, todos vocês saberão disso.

Minhas crianças não serão nosso mais bem guardado segredo familiar.

Eu não vou desconversar com estranhos. Eu não vou falar em linguagem vaga. Eu não tentarei colocar uma venda nos olhos de todos e eu não pouparei as emoções dos mais velhos, ou dos que se ofendem facilmente ou dos desconfortáveis. A infância já é difícil o suficiente e a maioria dos gays passam sua existência se sentindo horríveis, excruciantemente desconfortáveis. Eu não colocarei os meus filhos em mais desconforto desnecessário só para fazer o jantar de Ação de Graças mais fácil para um primo de terceiro grau rancoroso.

Se meus filhos saírem do armário, sairemos do armário como família.

2) Se eu tiver filhos gays, eu orarei por eles.

Eu não orarei para que eles sejam “normais”. Já vivi o suficiente para saber que, se meus filhos forem gays, este é o normal deles.

Eu não orarei para Deus curá-los ou consertá-los. Vou orar para que Deus os proteja da ignorância, do ódio e da violência que o mundo despejará sobre eles simplesmente por eles serem quem são. Vou orar para que Deus lhes coloque um escudo de proteção contra aqueles que os desprezam e querem machucá-los, que os amaldiçoam ao inferno e que os colocam como condenados sem nem mesmo conhecê-los. Eu orarei para que eles apreciem a vida, o sonho, que sintam, que perdoem e amem a Deus e a humanidade.

Acima de tudo, orarei para que meus filhos não recebam o tratamento nada cristão de suas ovelhas mal guiadas a ponto de afastá-los de seus caminhos.

3) Se eu tiver filhos gays, eu os amarei.

Não estou falando de um amor distante, tolerante e cheio de reservas. Será um amor extravagante, de coração aberto, sem desculpas. Aquele tipo de amor que constrange na porta da escola.

Eu não vou amá-los apesar de sua sexualidade nem vou amá-los por causa dela. Vou amá-los simplesmente por serem quem eles são: doces, engraçados, carinhosos, inteligentes, legais, teimosos, originais, lindos e… meus.

Se meus filhos forem gays, eles poderão ter milhões e milhões de dúvidas sobre si mesmos, sobre o mundo, mas nunca terão um segundo de dúvida sobre o amor que o pai deles sente por eles.

4) Se eu tiver filhos gays, basicamente, terei filhos gays

Se meus filhos forem gays – e eles já são bem gays… [gay em inglês significa, antes de tudo, alegre] Bem, isso quer dizer que Deus já os criou e os moldou e colocou neles a semente de quem eles são dentro deles. O Salmo 139 diz que Ele “os costurou no útero de sua mãe”. Para mim isso quer dizer que as incríveis e intricadas coisas que os fazem almas únicas na história foi colocado em suas células.

Por isso, não há um “deadline” para a sexualidade deles pela qual eu e sua mãe estejamos orando fervorosamente. Eu não acredito que haja alguma data de expiração mágica se aproximando quando eles “se tornarão héteros”.

O que há hoje é uma simples e jovem versão de quem eles serão; e hoje eles são incríveis.

Muitos de vocês podem se ofender com tudo isso. Eu percebo totalmente. Eu sei que isso deve ser especialmente verdade se você é uma pessoa religiosa, que acha esse tópico totalmente nojento.

Conforme vocês foram lendo isso, podem ter revirado os olhos ou selecionado trechos das escrituras para enviar ou orado para que eu me arrependa ou se preparado para deixarem de ser meus amigos ou me chamado de pecador, mau, herege condenado ao inferno… Mas da forma mais gentil e compreensiva que eu possa ser, digo uma coisa: não dou a mínima.

Isto não diz respeito a você. Isto é muito maior que você.

Você não é a pessoa que eu esperei ansiosamente por nove meses. Você não é a pessoa pela qual eu chorei de alegria quando nasceu. Você não é a pessoa a quem dei banho, alimentei, balancei para dormir durante as noites. Você não é a pessoa a quem eu ensinei a andar de bicicleta e cujo joelho esfolado eu beijei ou cuja mão eu segurei enquanto levava pontos. Você não é a pessoa cuja cabeça eu amo cheirar, cujo rosto ilumina quando eu chego em casa à noite e cuja risada soa como música para minha alma.

Você não é a pessoa que diariamente me dá significado e propósito e que eu adoro mais do que jamais imaginei adorar algo. E você não é a pessoa com quem eu espero estar quando der meus últimos suspiros neste planeta, olhando para trás agradecido por uma vida de tesouros compartilhados, sabendo que eu te amei da maneira certa.

Se você é pai, eu não sei como você responderá caso seus filhos sejam gays, mas eu oro para que você considere isso.

Um dia, a despeito de suas percepções sobre seus filhos ou de como foi sua paternidade, você talvez tenha que responder para uma criança assustada e ferida, cujo sentido de paz, identidade, aceitação, na verdade seu próprio coração, serão colocados em suas mãos de uma maneira que você nunca imaginou. E você terá de responder a isso.

Se este dia chegar para mim, se meus filhos saírem do armário para mim, este é o pai que eu espero ser para eles.

* Nota do autor: A palavra “gay” usada neste post se refere a qualquer um que se identifique como LGBT. Embora em conheça e respeite as distinções e diferenças, escolhi esta palavra porque ela é a mais simples e facilmente comunicável para o contexto deste artigo. Foi a maneira mais clara de me referir aos indivíduos não heterossexuais, usando uma palavra comum que ressoaria facilmente para o leitor comum.

Depoimento lindo de John Pavlovitz,
um pastor cristão e pai de família da cidade de Wake Forest,
 Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

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