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Peço a Deus que me livre de reuniões desnecessárias, 

encontros vaidosos e debates arrogantes; 

peço que me livre do entorpecimento da cultura rasa, 

do humor escrachado, 

da opinião idiota e do consumismo ansioso; 

que me livre do rancor, 

da angústia, das fobias e da depressão; 

peço, sobretudo,

a leveza de desfrutar em paz consciente das pequenas alegrias do dia, 

como um vídeo qualquer da Maria Flor cantando, 

com a amizade do meus filhos que vejo crescer ao meu lado,

com o beijo carinhoso de minha esposa,

com um pequeno texto que anime meu espírito,

com os amigos mais perto,


com o refrão de uma música chiclete que me faça viajar pela estrada das lembranças, 

com a esperança fundamental que, antes, acima e depois de tudo, afirma que minha alma pertence à eternidade, de onde vim e para onde voltarei, eternidade que me visita sempre que consigo desfrutar de modo simples da oração que faço, causando o efeito relativo do tempo, quando a vida inteira cabe num instante eterno. 

Amém.

Juliano Fabricio
e que venha 2017...
[Ps: com crise ou sem crise, ELE cuidará de nós...]



Eugene Peterson – propõe interessante reflexão acerca da oração.

Estamos num restaurante para um jantar íntimo. Pouca luz, pouco barulho, em nossa mesa parece que estamos sós. Há sim outras pessoas, mas não se pode distinguir as palavras assim como também as nossas pouco podem ser ouvidas por outros. De vez em quando o garçon vem nos servir, perguntar se tudo está ok. Sentado a mesa estou eu e, do outro lado, Deus.

Ele me ouve, eu o ouço.

“O ato de orar implica atenção àquele que nos escuta assiste”.

Há momentos de falar e escutar. Há outros de completo silêncio: cheios de significado.

Por outro lado, há o tipo mais comum de oração. Os detalhes são os mesmos. A luz, a proximidade. Sento eu, mas do outro lado não Deus. Jantamos eu e o Ego.

Deus é essencial, mas periférico. Nesta ilustração Deus é o garçon. Ele é alguém para quem dou ordens, ou faço pedidos. “Sem pickles, por favor”. A pessoa que absorve é o Eu, suas ideias, seus interesses, suas satisfações.

Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para gastardes em vossos deleites.

Eugene Peterson – Ânimo, capítulo 8.


Estava conversando com Jesus sobre minhas ansiedades cotidianas. 

Tenho que trabalhar, alimentar quem amo, pagar despesas diversas. Então Ele me disse para “não estar ansioso, não me preocupar com minha própria vida, com o que vou comer e beber, porque a vida é mais importante que a comida e o corpo, mais que a roupa, que o Pai sabe que eu preciso destas coisas e que cuida de mim mais do que aos pássaros e às flores.

Mas eu ainda tinha o que dizer, não sei se Ele entendeu bem. Acontece que não me bastam apenas comer, vestir e morar em algum lugar, eu carrego anseios mais profundos, objetivos maiores e para viver nesses dias a gente precisa de algumas coisas a mais. Não se trata apenas do alimento, eu tinha que dizer a Ele que eu preciso frequentar alguns restaurantes novos que todos estão conhecendo e postando fotos. Não se trata apenas de vestir, eu preciso comprar tênis e roupa de marca. Não se trata apenas de morar, eu preciso de uma casa maior, com espaço gourmet para ter mínimas condições de aprender a cozinhar.

Ele então me explicou sou eu mesmo quem crio necessidades que não são nada além de projeções e desejos dispensáveis, que me mantêm adoecido e angustiado, consumindo o que não preciso, para mostrar o que não sou, a pessoas que não se importam.

Solenemente Ele afirmou que eu não posso passar a minha vida servindo a dois senhores, não posso dizer que a Ele dei meu coração se a maior parte de meus pensamentos, planos, ocupação, motivação são dedicados ao desejo de ter mais Dinheiro para poder realizar mais sonhos dispensáveis.

Depois, disse ainda que eu podia buscar antes de tudo o Reino de Deus e explicou que eu deveria viver a vida em paz, fazendo tudo de modo a mostrar a realidade deste Reino, que se vê a partir de valores de vida. Disse que o Reino de Deus se manifesta na maneira como vivo, como faço negócios, como trato as pessoas, etc.

Por fim, para me certificar, retoricamente balbuciei pra ver se eu entendi que então eu não deveria chamar de necessidade o que é apenas desejo ansioso de ter e ostentar o que de fato eu não preciso; que eu deveria criar um gatilho em meu consumo, que deveria perguntar se realmente preciso do que estou comprando ou planejando comprar; que eu preciso tratar minhas emoções que me dizem que eu preciso me bancar porque ninguém vai me ajudar nisso.

Mas e amanhã? Será que eu vou ter, amanhã?

 Jesus então terminou dizendo que a cada dia bastam as dificuldades daquele dia; que o amanhã será como hoje, com os mesmos desafios de fé e ocupação correta; que o Pai que cuida hoje, cuidará amanhã também e por isso eu posso me concentrar no hoje, no agora.

Ele sorriu com confiança e ternura e disse que eu podia viver em paz, porque Ele vai cuidar do que eu realmente preciso enquanto eu me dedico a viver o que realmente importa.

aprendendo um pouco mais 


Perdida no meio dos viajantes que enchiam o aeroporto, ela era uma figura destoante. A roupa largada, os passos pesados, uma sacola de plástico pendurada numa das mãos – esses sinais diziam que ela já não mais ligava para a sua condição de mulher: não se importava em ser bonita. Pensei mesmo que se tratava de uma freira. Seu comportamento era curioso: dirigia-se às pessoas, falava por alguns momentos, e como não lhe prestassem atenção procurava outras com quem falar. Quando vi que ela tinha uma Bíblia na mão compreendi tudo: ela se imaginava possuidora de conhecimentos sobre Deus que os outros não possuíam e tratava de salvar a alma deles. 

Meu caminho me obrigou a passar perto dela – e quando olhei para o seu rosto de perto levei um susto: eu o reconheci de outros tempos, quando ela era uma moça bonita que ria e brincava e para quem olhávamos com olhares de cobiça. 

Não resisti e chamei alto o seu nome. Ela se espantou, olhou-me com um olhar interrogativo, não me reconheceu. Com razão. Os muitos anos deixam suas marcas no rosto. 

– Eu sou o Rubem! 

Seu rosto se iluminou pela lembrança, sorriu, e pensei que poderíamos nos assentar e conversar sobre as nossas vidas. Mas sua preocupação com a minha alma não permitia essas perdas de tempo com conversa fiada. E ela tratou de verificar se o meu passaporte para a eternidade estava em ordem:

– Você continua firme na fé!? 

– Mas de jeito nenhum. Então você deixou de ler a Bíblia? Pois lá está dito que Deus é espírito, vento impetuoso que sopra em todo lugar, o mesmo vento que ele soprou dentro da gente para que respirássemos, fôssemos leves e pudéssemos voar. Quem está no vento não pode estar firme. Firmes são as pedras, as tartarugas, as âncoras. Você já viu um papagaio firme? Papagaio firme é papagaio no chão, não voa. Pois eu estou mais é como urubu, lá nas alturas, flutuando ao sabor do imprevisível Vento Sagrado, sem firmeza alguma, rodando em largos círculos. 

Ela ficou perdida, acho que nunca havia ouvido resposta tão estranha, mudou de tática e tentou pegar a minha alma do outro lado, desatou a falar de Deus, informou-me que ele é maravilhoso etc., etc., etc., como se estivesse no púlpito em celebração de domingo. 

Refuguei e disse: 

– Acho que quem não está firme em Deus é você. Olha, passei a noite toda respirando, estou respirando desde que acordei, e juro que agora é a primeira vez que penso no ar. Não pensei nem falei no ar porque somos bons amigos. Ele entra e sai do meu corpo quando quer, sem pedir licença. Mas a história seria outra se eu estivesse com asma, os brônquios apertados, o ar sem jeito de entrar, ou, como naquele anúncio antigo do xarope Bromil, o coitado do homem sufocado por uma mordaça, gritando pelo ar que lhe faltava. Por via das dúvidas até andaria com uma garrafa de oxigênio na bagagem, para qualquer emergência. 

E continuei:

– Pois Deus é como o ar. Quando a gente está em boas relações com ele não é preciso falar. Mas quando a gente está atacado de asma, então é preciso ficar gritando pelo nome dele. Do jeito como o asmático invoca o ar. Quem fala com Deus o tempo todo é asmático espiritual. E é por isso que andam sempre com Deus engarrafado na Bíblia e outros livros e coisas de função parecida. Só que o vento não pode ser engarrafado... 

Aí ela viu que minha alma estava perdida mesmo e, como consolo, fez um sinal de adeus e disse que iria orar muito por mim. Aí eu protestei, implorei que não o fizesse. Disse-lhe que eu tinha medo de que Deus ficasse ofendido. Pois há rezas e orações que são ofensas. É óbvio: se vou lá, bater às portas de Deus, pedindo que ele tenha dó de alguém, eu lhe estou imputando duas imperfeições que, se fosse comigo, me deixariam muito bravo. 

Primeiro, estou dizendo que não acredito no amor dele, deve ser meio fraquinho, sem iniciativa, preguiçoso, à espera do meu cutucão. Se eu não der a minha cutucada, Deus não se mexe. E isso não é coisa de ofender Deus? Segundo, estou sugerindo que Ele deve andar meio esquecido, desmemoriado, necessitado de um secretário que lhe lembre suas obrigações. E trato de, diariamente, apresentar-lhe a sua agenda de trabalho. Mas está lá nos salmos e nos evangelhos que Deus sabe tudo antes que a gente fale qualquer coisa. Ora, se a gente fica no falatório é porque não acredita nisso. Não acredito em oração em que a gente fala e Deus escuta. Acredito mesmo é na oração em que a gente fica quieto para ouvir a voz que se faz ouvir no meio do silêncio. 

Voltei à minha amiga:

– Veja você. Tive um filho que estudava longe. Eu gostava dele. Ele gostava de mim. De vez em quando a gente se falava ao telefone. E o dinheiro da mesada ia sempre, com telefonema ou sem telefonema. Agora imagine: de repente começo a perceber telefonemas dele três vezes por dia e mensagens por sedex, cartas e telegramas louvando o meu amor, agradecendo a minha generosidade... Você acha que isso me faria feliz? De jeito nenhum. Concluiria que o meu pobre filho havia endoidecido e estava acometido de um terrível medo de que eu o abandonasse. Pois é assim mesmo com Deus: quem fica o dia inteiro atrás dele, com falatório, é porque desconfia dele. Mas o pior é o gosto estético que assim se imputa a Deus. Uma pessoa que gosta de passar o dia inteiro ouvindo os outros repetindo as mesmas coisas, as mesmas palavras, as mesmas rezas, pela eternidade afora, não deve ser muito boa da cabeça. Para mim isso é o inferno. Quem reza demais acha que Deus não funciona bem da cabeça. Acho que ele ficaria mais feliz se, em vez do meu falatório, eu lhe oferecesse uma sonata de Mozart ou um poema da Adélia... 

Mas aí o alto-falante chamou o meu vôo, tive de me despedir, e imagino que ela ficou aflita, temerosa de que Deus derrubasse meu avião com um raio. Mal sabia ela que Deus nem mesmo havia ouvido a nossa conversa pois, cansado das doidices dos adultos, ele foge sempre que vê dois deles conversando e se esconde deles, disfarçado de criança.

Rubem Alves [28/2/94]


Se Deus é tão bom quanto você o pinta, se ele sabe tudo o que precisamos, e muito melhor que nós, por que seria necessário pedir-lhe alguma coisa?

Respondo: E se ele sabe que a oração é a coisa de que mais necessitamos ecom a maior urgência? E se, na concepção de Deus, o objetivo principal da oração é suprir nossa mais ampla e incessante necessidade, a necessidade dele?

A fome pode levar uma criança rebelde de volta para casa, e ela talvez não seja alimentada de imediato, pois precisa mais da mãe que do jantar. A comunhão com Deus é a necessidade da alma que está acima de todas as demais necessidades.

A oração é o começo dessa comunhão, e certa necessidade é o motivo dessa oração. Assim tem início a comunhão, uma conversa com Deus, um processo de união com ele, que é o propósito único da oração.

Bem, sempre digo que a oração é a parte mais frágil de minha vida cristã,e de fato tem sido.

Lembrando que a oração é, na verdade, uma oportunidade de ter uma conversa com Deus, como dois bons amigos que vão se conhecendo melhor. E isso nunca fez sentido para mim. Mas agora faz. 

E a ideia é tremendamente diferente da noção de controlar Deus ou de persuadi-lo a fazer determinadas coisas para mim. A oração agora parece menos pedir alguma coisa que apreciar alguém. Então, à medida que vou conhecendo Deus melhor e aprendendo a confiar em suas boas intenções para comigo, o que mais desejo passa a se alinhar com o que ele deseja, e acabo pedindo o que nós dois queremos. Nunca me ocorreu o que posso ganhar com isso. Apenas penso que Deus gosta quando compareço.

“A oração da consciência simples significa que não temos de chegar a lugar algum porque já estamos lá. ”
....
“...a oração se parece menos com uma tarefa que se tem à mão e mais com uma conversa que nunca se acaba. ”
....
“Nossas orações são fracas e pobres. Entretanto, o que importa não é que nossas orações sejam fortes, mas que Deus as ouça. Karl Barth. ”
....
“A oração é uma conversa a respeito daquilo que estamos fazendo juntos. Dallas Willard”
....
A oração é outra área em que muitos têm dificuldade porque não estão conscientes de que na liberdade do Espírito há tantos modos de orar quanto cristãos. A regra cardeal da oração permanece o dito de Don Chapman: “Ore como você consegue, não ore como você não consegue”.

Enfim... não é uma procura e sim um encontro!!!

Juliano Fabricio
Insights de oração


Oh Deus, todo santo, tu és nossa Mãe e nosso Pai; e nós, teus filhos. Abra nossos olhos e coração para que possamos discernir a tua obra no universo. E sermos capazes de perceber teu rosto em cada um de teus filhos e filhas. 

Que possamos aprender que existem muitos caminhos, mas todos chegam a Ti. Ajuda-nos a saber que tu nos criaste para a família, para a camaradagem, para a paz, para a gentileza, para a compaixão, para o cuidado e para a partilha.

Que possamos aprender que tu nos queres cuidando uns dos outros, com a noção de que somos irmãs e irmãos, membros de uma mesma família, Tua família, a família humana. 

Ajuda-nos a transformar nossas espadas em arados e nossas flechas em anzóis para que possamos viver em paz e harmonia, enquanto enxugas as lágrimas dos que são menos afortunados que nós.

E não conheçamos mais a guerra, à medida que nos esforçamos para nos tornar o que esperas de nós: 

Teus filhos e filhas.

Amém.

[Desmond M. Tutu – Prêmio Nobel da Paz
Arcebispo Emérito da Cidade do Cabo
África do Sul. Tradução: Ricardo Gondim]


...oro para que você seja suficientemente ousado para ser diferente, humilde para cometer erros, corajoso para queimar-se no fogo e verdadeiro para ajudar os outros a verem que prosa não é poesia, discurso não é canção; e que tangíveis, visíveis e perecíveis não são adequados para seres marcados com o sangue do Cordeiro.

Abaixo uma oração de Henri Nouwen [Extraído de Estrada para a paz] 

“Assim, estou orando, mesmo sem saber como orar. Descanso, mesmo quando me sinto impaciente; tenho paz quando estou sendo tentado; sinto-me seguro em meio à ansiedade; cercado de uma nuvem de luz, mesmo quando estou no meio das trevas; em amor, enquanto ainda tenho dúvidas.”

Fica a dica: “A oração da consciência simples significa que não temos de chegar a lugar algum porque já estamos lá.”

Enfim... Como diz o famoso slogan da Nike: Just do it [Apenas faça].

Juliano Fabricio
Um aprendiz no que
diz respeito a oração...


Senhor,

Ajuda-me a dizer a verdade diante dos fortes e a não dizer mentiras para ganhar o aplauso dos fracos.

Se me dás fortuna, não me tires a razão. Se me dás o sucesso, não me tires a humildade. Se me dás humildade, não me tires a dignidade.

Ajuda-me a enxergar o outro lado da moeda, não me deixes acusar o outro por traição aos demais, apenas por não pensar igual a mim.

Ensina-me a amar aos outros como a mim mesmo. Não deixes que me torne orgulhoso se triunfo, nem cair em desespero se fracasso.

Mas recorda-me que o fracasso é a experiência que precede ao triunfo.

Ensina-me que perdoar é um sinal de grandeza e que a vingança é um sinal de baixeza.

Se não me deres o êxito, dá-me forças para aprender com o fracasso.

Se eu ofender as pessoas, dá-me coragem para desculpar-me e se as pessoas me ofenderem, dá-me grandeza para perdoá-las.

Senhor, se eu me esquecer de ti, nunca te esqueças de mim.

Mahatman Gandhi


Lamento por aqueles que tem o que dizer e não dizem!

Lamento por aqueles que tem o que dizer e são amordaçados!

Lamento por aqueles que tem o que dizer e não são encorajados por seus próximos a dize-lo.

Lamento por aqueles que tem o que dizer e se calam.

Lamento por aqueles que tem o que dizer e guardam só pra si o que sabem.

Lamento por aqueles que tem o que dizer e são sufocados e intimidados por tiranias camufladas nos ambientes que deveriam ser sadios.

Lamento por aqueles que tem o quer dizer e embaraçam-se em teias superficiais e se deixam abafar e calar.

Lamento por aqueles que tem o que dizer e até dizem, mas, não são ouvidos.

Lamento por aqueles que tem o que dizer, mas, falam baixo e são sufocados por aqueles que gritam desnecessariamente.

Lamento por todos que são calados tendo o que dizer.

Lamento por todos que se calam podendo dar voz e vez aos que são calados.

"Enquanto me calei, adoeci" Salmo 32

Juliano Fabricio em um otimo papo 
com o CarlosBregantim no facebook


Você já entendeu o que está acontecendo. 

O próprio Cristo, Filho de Deus, que é homem (como você) e Deus (como seu Pai), está na verdade a seu lado e já desde aquele momento começa a transformar seu fingimento em realidade. Esta não é simplesmente uma maneira rebuscada de dizer que a sua consciência está lhe ditando o que fazer. Se você simplesmente perguntar à consciência o que deve fazer, terá uma resposta; se recordar que está sob as vestes de Cristo, terá outra resposta bem diferente. Há uma porção de coisas que sua consciência não vai achar especialmente erradas (especialmente coisas que passam pela sua cabeça), mas que você percebe de imediato que são inaceitáveis para quem faz um esforço sério para ser como o Cristo. Você não está mais pensando simplesmente em certo e errado; está tentando contrair a boa infecção de uma Pessoa. 

O verdadeiro Filho de Deus está ao seu lado. Ele está começando a transformar você em algo semelhante a ele. Está começando, por assim dizer, a "injetar" seu tipo de vida e pensamento em você.

Alguns de vocês podem achar que isto está muito distante de suas experiências pessoais. Talvez digam: "Nunca senti a presença invisível de Cristo a meu lado me ajudando, mas várias vezes fui ajudado por outros seres humanos."

Os seres humanos são espelhos ou "portadores" de Cristo para os outros seres humanos. Às vezes, portadores inconscientes. A "boa infecção" pode ser transmitida até mesmo pelos que não foram infectados. Certas pessoas que não eram cristãs me ajudaram a abraçar o cristianismo.

Não se esqueça de uma coisa: é natural que uma criança de colo, a princípio, beba o leite do seio materno sem saber que quem lhe dá o leite é sua mãe. É igualmente natural que vejamos o homem que nos ajuda sem perceber o Cristo por trás dele. Porém, não devemos permanecer bebês para sempre. Temos de crescer e reconhecer o verdadeiro Doador. 

Seria loucura não fazer isso, pois, nesse caso, tudo o que nos restaria seria confiar apenas em seres humanos como nós, o que nos levaria à decepção. Os melhores entre eles cometem erros, e todos estão fadados à morte. Devemos ser gratos a todas as pessoas que nos ajudaram, devemos honrá-las e amá-las. Mas nunca, nunca deposite toda a sua fé em um ser humano, mesmo que seja a melhor e a mais sábia pessoa do mundo. Existe uma porção de coisas interessantes que você pode fazer com areia; mas não vá construir uma casa sobre ela.

Ps: Fato importante sobre a "boa infecção". Um Ser da nossa raça já foi infectado por essa nova vida; se nos aproximarmos dele, seremos infectados também. 

“É esse o vírus que eu sugiro que você contraia
Na procura pela cura da loucura, 
Quem tiver cabeça dura vai morrer na praia."
Trecho de “A Carta” de Djavan

Lembrei dessa parte do livro do C. S. LEWIS - CRISTIANISMO PURO E SIMPLES,
 em um ótimo bate papo sobre oração com o Cristiano Machado do @crentassos


Tem gente que grita, briga, esperneia, ora, reza, faz promessa, vai no culto, vai na missa, faz campanha, clama, reclama, suplica, se ajoelha, jejua, sacrifica, pega passe, faz mandinga, corrente de oração e não se toca que Deus está do nosso lado, em todos os cantos, e gosta de falar baixinho.

Tô mentindo?


Tenho minha própria versão parafraseada do 
Salmo 32.1-5 (me ajuda muito)

"Feliz de verdade é a pessoa que recebeu perdão pelos erros que cometeu. É quem está liberto da hipocrisia, porque não esconde suas falhas e sabe que é perdoado por Deus.

Eu sei o que é sentir-se livre, é um alívio, porque enquanto escondi meus erros, teimosamente crendo ora que Deus não os via, ora que jamais perdoaria, meu corpo sofria. Eu somatizava meus pecados e isso adoecia meu corpo.

Até que resolvi confessar quem sou e o que faço. Declarei que sou pecador e que careço da Graça, porque não posso pagar pelos meus erros.

Neste instante senti o alívio do perdão de Deus. Senti-me livre."

Juliano Fabricio 
sem a autorização do Rei DAVI.


"Nossas orações são fracas e pobres. Entretanto, o que importa não é que nossas orações sejam fortes, mas que Deus as ouça" Karl Barth.

Primeira coisa que devemos saber a respeito da oração é que Deus deseja ter comunhão conosco e que não existem palavras certas ou regras para falar com Deus pela oração, ele não está interessado na forma de suas palavras, mais sim na honestidade e reverência do seu coração. Oração reflete de imediato permanecer por algum tempo em confissão, intercessão, súplica ou agradecimento, alimento para alma, deixando eu interior sempre adequadamente alimentado e fortalecido. Podemos conversar com Deus porque Ele ouve. A nossa voz é importante no céu, o Senhor leva a sério o que dizemos, pois quando uma pessoa entra na presença de Deus, toda a atenção é dedicada a ela.



Tempos de ansiedade são aqueles em que sofremos com problemas mesmo antes de chegarem; em que nos preocupamos demasiadamente com o futuro. 

Essa condição é agravada pela visão competitiva da nossa cultura que oferece um modelo de vitória que se resume a sucesso profissional e financeiro. A ansiedade é um mal democrático. Atinge todas as pessoas em todos os tempos, idades e culturas.

Ao lermos o primeiro capítulo de 1Samuel somos levados a ver como Ana vivia um tempo de ansiedade. Na cultura do antigo oriente a quantidade de filhos homens de uma mulher era sinal de prosperidade econômica e soberania militar. Por isso, uma mulher sem filhos era desprezada, sendo considerada um fardo social. E Ana não tinha filhos. Ela era irritada e desprezada (v.6). Essa era a causa da sua ansiedade e de sua alma amargurada (vv.15,16).

Todavia, a Bíblia fala que a ansiedade é inútil. A preocupação demasiada não muda o curso da vida nem adianta o relógio. É uma perda de tempo e energia. Quem sofre pelo dia de amanhã sofre duas vezes ou desnecessariamente. Pois, Jesus disse: Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? (Mt 6.27). Além disso, sua raiz está na incredulidade. Ela ocupa nosso coração quando desviamos nossos olhos da majestade de Deus: Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? (…) Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal. (Mt 6.30-31,34)

Por isso, na sua angústia, Ana orou ao Senhor (v.10). A oração é a alavanca do espírito. Quando o fardo do viver pesa como chumbo sobre a alma quase asfixiada, o homem se curva e volta o olhar para Deus. 

A oração pode fazer por nós o que a ansiedade não pode fazer. 

E orar é voltar-se Deus; é curvar-se diante Daquele que está assentado no alto e sublime trono do universo; é render-se aos cuidados Daquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos. A oração muda o coração, revigora a esperança, alimenta a fé.

Ana orou, confiou e se entregou ao cuidado soberano, poderoso e providente de Deus. E se foi com seu semblante transformado (v.18). Sua alma já não estava triste. Sua mente voltou a ter paz. Tempos de ansiedade precisam ser atravessados na certeza e confiança de que Deus nos supre, pois, sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia (2Tm 1.12). Assim, a paz de Deus que enche o coração e faz descansar a alma. Temos paz com Deus. Temos a paz de Deus e temos o Deus de paz conosco.

Juliano Fabricio lutando contra a @nsiedade


A cerca de um ano, adquiri o livro Oração: Cartas a Malcolm de C. S. Lewis. Essa obra é o conjunto de várias cartas escritas pelo autor de Nárnia para um amigo bem chegado. Por mais de uma vez comecei a leitura porém, por diversos motivos, ainda não consegui terminá-la. Um fato a ser destacado é que, por se tratar de cartas, ao ler o texto sinto como se Lewis falasse diretamente a mim. Na última madrugada decidi dividir com vocês um trecho bastante interessante desse prazeroso livro:

“Qual dever ser o grau de importância de uma necessidade ou desejo para que se torne objeto adequado de súplica?”. Adequado, pelo que pude entende, significa “em que não há irreverência” ou “em que não há tolice”, ou ambas as coisas.

Depois de pensar um pouco a respeito, pareceu-me haver aí, na verdade, duas questões.

1. Qual deve ser a importância de determinado objeto para nós antes que possamos, sem pecado e desvario, permitir que nosso desejo por ele se torne motivo de preocupação séria para nós? Eis uma indagação a respeito de algo que, nos escritores antigos, se dá o nome de “estrutura”, isto é, nossa “estrutura mental” .

2. Em face da existência de tal ordem de preocupação em nossa mente, será possível apresentá-la de modo adequado diante de Deus em oração?

Sabemos, em teoria, a resposta à primeira questão. Cabe-nos prosseguir em direção ao que Santo Agostinho (se não me engano) chama de “ordem do amor”. Nossa preocupação maior deve ser com as coisas primeiras; em seguida, com as coisas segundas e assim por diante até o zero – ou ausência total de preocupação com coisas que, na verdade não são realmente boas, ou que não tem como objetivo o bem de forma alguma.

Enquanto isso, não queremos saber como orar se fôssemos perfeitos, mas como devemos orar sendo o que somos hoje. Se minha ideia de oração como “desvelamento” for aceita, já temos a resposta a isso. De nada vale pedir a Deus com ardor superficial por A quando toda a nossa mente está, na verdade, repleta de desejo por B. Temos de aprender diante dele o que dentro de nós, não o que deveria haver.

Até um amigo íntimo será ultrajado se conversamos com ele sobre um determinado assunto quando nossa mente está, de fato, pensando em outra coisa. Nosso amigo humano logo se dará conta do que estamos fazendo. Você mesmo veio me visitar faz alguns anos quando sofri um rude golpe. Tentei conversar com você como se não houvesse nada de errado. Bastaram cinco minutos para você perceber o que se passava. Então, confessei a a verdade. Você me disse coisas em seguida que me deixaram envergonhado pela tentativa de ocultar os fatos.

Pode até ser que o desejo seja apresentado diante de Deus apenas como pecado do qual nos devamos arrepender, mas uma das melhores maneiras de aprendermos a fazê-lo consiste em apresentá-lo diante de Deus. O seu problema, contudo, nada tinha com desejos pecaminosos nesse sentido; pelo contrário, dizia respeito a desejos inocentes em essência, e com o pecar, se é que tal ocorreu, apenas por ser mais forte do que permite a trivialidade do objeto desses desejos. Não tenho dúvida alguma de que, se tais desejos forem o objeto de nossos pensamentos, devem ser objeto de nossas orações – quer de arrependimento, quer de súplica, ou um pouco das duas coisas arrependimento pelo excesso e súplica pela coisa desejada.

Se as excluirmos forçosamente, não acabam por estragar o restante de nossas orações? Se pusermos todas as cartas sobre a mesa, Deus nos ajudará a moderar os excessos. Contudo a pressão que exercem as coisas que estamos tentando manter fora de nossa mente torna-se uma distração terrível. Como alguém disse: “Não há barulho mais evidente do que aquele que tentamos não ouvir”.

A ordenação da estrutura mental é uma benção pela qual devemos orar, não uma roupa elegante que vestimos quando oramos.

Talvez, como aqueles que não se voltam para Deus durante as provações mais agudas não tem o hábito ou tal recurso para ajudá-los quando sobrevêm as grandes provações, de igual modo os que não aprendem a Lhe pedir coisas ingênuas não saibam pedir prontamente coisas maiores. Não nos devemos consideram magnânimos em excesso. Creio que, às vezes, sentimo-nos desestimulados de pedir coisas pequenas movidos por um sentimento de dignidade própria, em vez de fiarmos na dignidade divina.

C. S. Lewis - via: rennovario


Todos os que desejam ser cristãos e livres da religiosidade querem viver integralmente de forma que agrade a Deus. 

Sabem que só assim encontrarão verdadeira satisfação, não importando onde estejam: na escola, no trabalho, na rua, em casa, na padaria, em todos os lugares. Quem busca isso de coração, sabe que só é possível alegrar a Deus quando damos ouvidos a Ele. Mas essa tarefa requer de nós posturas que confrontam nosso Ego e ao pensamento deste mundo.

Gostaria de citar dois erros que identifiquei em minha vida, na esperança de ajudar você que quer ouvir a Deus e agradá-lo.

O primeiro deles é o desejo de eliminar as situações rapidamente solucionáveis para ter menos questões para resolver. Ou seja, a pressa para ver as soluções. Numa vida tão corrida como a nossa, existe quase uma “ditadura das coisas urgentes” surgindo diariamente. Somos pressionados internamente a procurar mais rapidez. Porém, creio que este pensamento em muitos momentos nos leva a atropelarmos as situações e fazermos coisas que Deus não deseja. Ou a não fazermos a coisas da maneira de Deus, dando pouca importância à vontade do Senhor.

Outro estigma que nos persegue é o de que parados, estamos “desistindo da guerra”. O ativismo agrava em nós certa sensação de perda, pois pode parecer que não estamos produzindo. A verdade é que temos muito a fazer para o Reino no Deus, mas só se pode produzir nele quando agimos em obediência à voz do Senhor.

Em toda e qualquer situação precisamos preservar o desejo de ouvir o caminho de Deus e obedecer. Em muitos casos Deus livrou os seus sem que ao menos tivessem que fazer qualquer esforço senão o de obedecê-lo. Como nos mostram as situações abaixo.

Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos, e vede o livramento do SENHOR, que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vistes, nunca mais os tornareis a ver. Êxodo 14.13

Nesta batalha não tereis que pelejar; postai-vos, ficai parados, e vede a salvação do SENHOR para convosco, ó Judá e Jerusalém. 2 Cronicas 20.17

Que nosso coração aprenda a se calar de verdade e ouvir a estratégia do Senhor dos exércitos a fim de sermos agradáveis a Ele. Que nossa razão ou sentimentos não nos dominem. Mas, sejamos livres dos ditames deste mundo, para experimentarmos um vivo relacionamento com nosso Deus.



As palavras que eu lhes digo não são apenas minhas. Ao contrário, o Pai, que vive em mim, está realizando a sua obra. João 14:10 

A autoconsciência de Jesus e o zelo incansável demonstrado em seu ministério devem ser compreendidos como relacionados direta e incessantemente à sua vida interior de crescente intimidade com o Pai. 

É altamente significativo que o evangelho seja pontuado por inúmeras interrupções das atividades principais de Jesus com o propósito de se retirar para orar. A Bíblia indica que Jesus precisava desse tipo especial de contato íntimo com o Pai. Seu próprio crescimento interior e o senso de missão e direção dependiam muito dos momentos de oração. 

O coração de Deus é o esconderijo de Jesus, um forte e protetor espaço onde Deus está próximo, onde a relação é renovada, onde a confiança, o amor e a autoconsciência nunca morrem, mas são continuamente reacesos. Em tempos de oposição, rejeição, ódio e perigo, Jesus retira-se para aquele esconderijo onde é amado. Em tempos de fraqueza e temor, nasce ali um vigor suave e uma perseverança poderosa. Em face ao aumento da incompreensão e da ' desconfiança, somente o Pai o compreende. "Ninguém sabe quem é o Filho, a não ser o Pai..." (Lc 10:22). 

Os fariseus conspiram em segredo para destruí-lo, os amigos dos bons tempos faltam com a lealdade, um discípulo o nega e outro o trai, mas nada pode afastar Jesus do amor do Pai. Na reclusão, nos lugares isolados, ele se encontra com seu PAI, e o que esses momentos significam para o Mestre dificilmente poderia ser compreendido. 

Enfim... É difícil, então, deixar de pensar na quantidade de casamentos errados, empregos errados, relações pessoais erradas e todo o sofrimento concomitante que seriam evitados se os cristãos submetessem o processo de tomada de decisão ao domínio de Jesus Cristo e compartilhassem a sua confiança na direção de Deus. Muitas vezes nos esquecemos de que temos o mesmo acesso a Deus desfrutado por Jesus. Mas jamais deveríamos nos esquecer de que o nosso Criador cuida de nós. Deus conhece cada um de nós pelo nome e está profundamente envolvido nos dramas de nossa existência pessoal. "Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados" (Lc 12:7). 

Dentro desse clima de confiança, podemos tranqüilamente procurar discernir a vontade de Deus e é essa tal atmosfera que todas as decisões se tornam claras e todas as ações florescem. 

Juliano Fabrício na nova série #provocações


O livro de Atos, em seu capítulo 13, registra que na Igreja em Antioquia havia profetas e mestres e que, enquanto esses homens serviam ao Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: “Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado”. Então, depois de ouvirem a direção do Espírito, eles, com orações e jejum, enviaram a Paulo e Barnabé (At. 13:1-3). 

Esse relato, apesar de curto e simples, tem muito a nos ensinar. E o que mais se destaca para mim é o fato de que o Espírito Santo falou enquanto aqueles homens serviam a Deus. A oração não foi algo que surgiu para atender uma necessidade nova que havia surgido, ou para buscar a solução de um problema que se apresentava. O texto simplesmente diz que, enquanto eles serviam ao Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo. 

A oração não pode ser algo que surge apenas diante de uma necessidade específica, ou para se buscar a solução de um problema. Antes, a oração deve fazer parte de nosso cotidiano. Muito do que Deus quer nos falar, nos ensinar, só nos alcançará se mantivermos uma vida de oração, pois ela nos faz sensíveis à voz de Deus. 

Com certeza Deus tem muito a nos dizer. É Ele mesmo quem promete: 

“Eu o instruirei e o ensinarei no caminho que você deve seguir” (Sl. 32:28). 

Contudo, precisamos ser encontrados na postura de quem busca ouvir Deus: orando. 

Juliano Fabricio lendo conexão eclésia



Acabo de ser abordado pelo meu filho acerca da razão pela qual Deus teria permitido esta tragédia que ceifou a vida de pelo menos 238 pessoas na madrugada deste domingo em Santa Maria (RS). O incêndio que começou por volta das 2:30h, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo começou com um sinalizador lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária. Segundo testemunhas, no momento em que o fogo começou, o desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate ocasionou em pisoteamento. Muitos morreram tentando sair, e tantos outros asfixiados. Dada a proporção da tragédia, a presidente Dilma Rousseff interrompeu viagem oficial que fazia ao Chile para viajar a Santa Maria e solidarizar-se com os familiares das vítimas. 

Confesso que fiquei perturbado com a pergunta do meu filho. Em sua avaliação, tragédias como as ocorridas em escolas americanas parecem trazer uma mensagem clara quanto ao uso de armas de fogo, o abandono da fé cristã por parte da sociedade americana, etc. Mas uma tragédia como esta, que resultado poderia trazer? O que teríamos a aprender com ela? 

De repente, ouço o Datena dizer em seu plantão jornalístico, que este foi o segundo maior incêndio da história do País em números de vítimas. O primeiro foi o ocorrido em 17 de dezembro de 1961, em Niterói, RJ, no circo "Gran Circus Norte-Americano", e foi considerado uma das maiores fatalidades em todo o mundo circense. Esta tragédia, provocada por um ex-trapezista do circo, ceifou a vida de mais de 500 pessoas, a maioria, crianças, causando consternação mundial. Ouvindo o relato de Datena, lembrei que foi daí, das cinzas daquela tragédia, que surgiu o Profeta Gentileza. 

Na antevéspera do Natal, seis dias após o acontecimento, José acordou alegando ter ouvido "vozes", segundo suas próprias palavras, que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao mundo espiritual. O Profeta pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio onde hoje encontra-se a Policlínica Militar de Niterói. Plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo em Niterói, local que um dia foi palco de tantas alegrias, mas também de muita tristeza. Aquela foi sua morada por quatro anos. Lá, José Datrino incutiu nas pessoas o real sentido das palavras Agradecido e Gentileza. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade. Daquele dia em diante, passou a se chamar "José Agradecido", ou "Profeta Gentileza". Contrariando a lenda popular, Gentileza sempre reafirmava: "Sou papai de cinco filhos, três femininos e dois masculinos, não perdi ninguém no incêndio do circo!" Mesmo assim, condoía-se como se houvesse perdido um dos seus queridos. 

Após deixar o local que foi denominado "Paraíso Gentileza", o "profeta" começou a sua jornada como personagem andarilho. A partir de 1970 percorreu toda a cidade. Era visto em ruas, praças, nas barcas da travessia entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, em trens e ônibus, fazendo sua pregação e levando palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza a todos que cruzassem seu caminho. Aos que o chamavam de louco, ele respondia: - "Sou maluco para te amar e louco para te salvar". Às vezes, tragédias como estas resultam no despertamento espiritual de alguns. Gentileza denunciava o mundo, regido "pelo capeta capital que vende tudo e destrói tudo". Via no circo destruído uma metáfora do circomundo, este sistema materialista que um dia sucumbirá. Mas, ao mesmo tempo, anunciava a "gentileza que é o remédio para todos os males". 

Deus é "Gentileza porque é Beleza, Perfeição, Bondade, Riqueza, a Natureza, nosso Pai Criador". Um refrão sempre voltava, especialmente nas 56 pilastras com inscrições na entrada da rodoviária Novo Rio no Caju: "Gentileza gera gentileza, amor". Convidava a todos a serem gentis e agradecidos. Anunciava um antídoto à brutalidade de nosso sistema de relações e, sob a linguagem popular e religiosa, um novo paradigma civilizatório urgente em toda a humanidade. 

Quem sabe, dentre os sobrevivente da tragédia em Santa Maria, Deus levante outro profeta secular como o Gentileza, talvez não tão excêntrico, mas igualmente comprometido com a transformação da sociedade. Caso isso não aconteça, que esta tragédia, ao menos, faça-nos refletir sobre a fragilidade da vida, e sua respectiva fugacidade. Que aprendamos a valorizar mais a presença daqueles a quem amamos, pois a qualquer instante poderão ser tirados de nós. E, por fim, que as autoridades não apenas se solidarizem com a dor dos que perderam entes queridos na tragédia, mas também apurem as causas, identifiquem os responsáveis, e não os deixem sem as devidas punições previstas pela lei. 

Triste saber que muitos poderiam ter se salvado, não fosse a ordem insana de alguém para que se fechasse a única porta de entrada e saída do estabelecimento, para que ninguém saísse sem pagar. Triste verificar que a vida humana valha menos que o lucro. Definitivamente, está mais do que na hora de revermos nossos paradigmas e valores. Se gentileza gera gentileza, ganância e esperteza podem gerar tragédias irreparáveis. Que o Espírito Consolador traga conforto ao coração dos pais e amigos de todos os que nos deixaram de maneira tão repentina e dolorosa. 

No mais, resta-nos chorar e reverentemente, silenciar-nos.


Era uma cinzenta manhã de domingo. A chuva tamborilava insistente na janela. Dezenas de pingos brincavam de escorregar e ficavam num diz-que-diz sem parar. Em meio a todos os barulhos externos e internos, clamava silenciosamente para que Deus deixasse que eu ouvisse Sua voz. Mal sabia eu que o Leão domesticado tinha mais em seus planos. Ele queria que eu o visse. 

E naquele dia, Ele era uma mulher da periferia. Seu olhar acidentalmente encontrou-se com o meu. Ela passou a mão calejada pelo trabalho árduo em seus cabelos emaranhados, recém-lavados com sabão de coco, melhor que muito xampu de gringo, me diria mais tarde. Seu sorriso revelava força e superação de sobra, embora nele faltassem alguns dentes. Decido que em poucas vezes vi uma mulher tão bonita. Sua beleza transcendia todos os padrões culturais. Não pedia autorização para pulsar. Ela simplesmente existia, e não havia cirurgião plástico que pudesse retocá-la. 

Deus, naquele domingo, calçava chinelos de dedo e vestia bermuda e camiseta. Tomando um café recém-coado, ela me contaria sua história. Marido fugira de casa por outra mulher, abandonando-a com seis filhos pequenos. Nesse meio tempo, ela fez de tudo. Perdeu dentes, olhos, costurou, lavou, fez doce, artesanato, faxina. Suas mãos se escalavraram, seus anéis se dispersaram, sua corrente de ouro pagou conta de farmácia. Seus filhos estudaram, cresceram, casaram-se. E depois de onze anos, seu marido voltou pra casa. Bêbado. 

Embora ele tenha voltado, ela vive apenas das memórias dos tempos felizes. E aparentemente, elas são muitas. Ao menos, são suficientes para que ela diga que o ama e que ainda sente um friozinho na barriga antes de deitar-se ao seu lado. E diz também que Deus já havia realizado basicamente todos os seus sonhos. Abre a bolsa de couro gasto e me mostra fotos de seus netos. Bonitos, de olhos verdes. E um Deus que dá netos de olhos verdes para uma senhora como ela não é um Deus poderoso o suficiente para trazer seu amor de volta? 

Eu a abracei, como se abraçasse Deus. E senti a saudade que me secava e corroía calar-se. Estava esperando Deus, cavocando minha pele com as unhas, querendo um pôster dele sob a minha cama. Achava que o encontraria quando fugisse com o sol para a casa em que ele se escondia ao findar seu expediente. Não sabia que encontraria Deus naquele lugar tão inesperado. Funguei meu nariz e me poupei de chorar, não só porque tentava ser forte. Na verdade, foi porque não queria deixar que nada lavasse o encanto que encheu meus olhos ao olhar nos olhos de Deus, que naquele momento era aquela mulher. Seus olhos escuros eram cansados, mas profundos. Seriam tristes, se no fundo deles não se visse um jardim. Não daqui, mas jardim. 

Doroth Nogueira de Assis tem 18 anos, é de Jundiaí (SP), cursa Serviço Social na UNIFESP e escreve no blog “Diário de uma Crisálida“.

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