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Jesus bem disse: 
“Ouvistes o que foi dito aos antigos; eu porém vos digo…” 

O deus pintado nas paredes do templo não combinava com o Deus que Jesus via. 

O deus sobre o qual ele falava era horrível às pessoas boas e defensoras dos bons costumes. Dizia que as meretrizes entrariam no reino à frente dos religiosos. Que os beatos eram sepulcros caiados: por fora brancura, por dentro fedor. Que o amor vale mais que a lei. Que as crianças são mais divinas que os adultos. Que Deus não precisa de lugares sagrados – cada ser humano é um altar, onde quer que esteja.

E ele fazia isso de forma mansa. Contava estórias. A uma delas deram o nome de Parábola do Filho Pródigo... é sobre um pai e dois filhos. Um deles, o mais velho, todo certo, de acordo com o figurino, cumpridor de todos os deveres, trabalhador.

O outro, mais novo, malandro, gastador irresponsável. Pegou a sua parte da herança adiantada e se mandou pelo mundo, caindo na farra e gastando tudo. Acabou o dinheiro, veio a fome, foi tomar conta de porcos. Aí se lembrou da casa paterna e pensou que lá os trabalhadores passavam melhor do que ele. Imaginou que o pai bem que poderia aceitá-lo como trabalhador, já que não merecia mais ser tido como filho. Voltou. O pai o viu de longe. Saiu correndo ao seu encontro, abraçou-o e ordenou uma grande festa, com música e churrasco. Para os pintores de parede, a estória poderia ter terminado aqui. Boa estória para exortar os pecadores a se arrepender. Deus perdoa sempre. Mas não é nada disso. Tem a parte do irmão mais velho. Voltou do trabalho, ouviu a música, sentiu o cheiro de churrasco, ficou sabendo do que acontecia, ficou furioso com o pai, ofendido, e com razão. Seu pai não fazia distinção entre credores e devedores. Fosse o pai como um confessor e o filho gastador teria, pelo menos, de cumprir uma penitência.

A parábola termina num diálogo entre o pai e o filho justo. Mas o suspense se resolve se entendermos as conversas havidas entre eles. Disse o filho mais moço: – Pai, peguei o dinheiro adiantado e gastei tudo. Eu sou devedor, tu és credor. Respondeu-lhe o pai: – Meu filho, eu não somos débitos. Disse o mais velho: – Pai, trabalhei duro, não recebi meus salários, não recebi minhas férias e jamais me deste um cabrito para me alegrar com os meus amigos. Eu sou credor, tu és devedor. Respondeu-lhe o pai: – Meu filho, eu não somo créditos.

Os dois filhos eram iguais um ao outro, iguais a nós: somavam débitos e créditos. O pai era diferente. Jesus pinta um rosto de Deus que a sabedoria humana não pode entender. Ele não faz contabilidade. 

Não soma nem virtudes nem pecados.

Assim é o amor. Não tem porquês. Sem-razões. Ama porque ama. Não faz contabilidade nem do mal nem do bem. Com um Deus assim, o universo fica mais manso. E os medos se vão. Nome certo para a párábola: “Um pai que não sabe somar”. Ou: “Um pai que não tem memória”.

Juliano Fabricio 
lendo Rubem Alves
(Sonhando em ter tempo para aprender a vagabundear.)


A percepção bíblica do evangelho da graça é a da criança que nunca experimentou nada além do amor e que tenta dar o melhor de si porque é amada. Quando comete erros, sabe que não corre perigo de perder o amor de seus pais. A possibilidade de que eles possam deixar de amá-la se não arrumar seu quarto jamais lhe passa pela mente. Eles podem desaprovar seu comportamento, mas o amor deles não é determinado a partir de seu desempenho.

O que eu quero dizer com "permanecer uma criancinha perante o bom Deus”:

É reconhecer a própria insignificância, esperando tudo do bom Deus, exatamente como a criancinha espera tudo de seu pai; é não ficar ansioso por nada, não tentar ficar rico... Ser pequeno é, também, não atribuir a si mesmo as virtudes praticadas, como se alguém pudesse acreditar-se capaz de conquistar algo, mas reconhecendo que o bom Deus coloca esse tesouro nas mãos de seus pequeninos para que façam uso dele sempre que precisarem; entretanto, é sempre o tesouro do bom Deus. Finalmente, é nunca ficar desalentado com as próprias falhas, porque as crianças sempre caem, porém, são pequenas demais para causarem grandes danos a si mesmas. (fica um reflexão tambem para quem defende a maioridade penal)

Como disse Jesus : "a menos que se tornem como um destes pequeninos" 

Juliano Fabrício na nova série #provocações


A maturidade está me ensinando que os espertos e os poderosos, por mais que tentem, não seduzem mais, muito menos o sucesso.

Estou ciente que o inesperado faz parte de nossa estrada. 

Não há como fugir do perigo de existir, mesmo que o sofrimento bata a porta.

Mas continuo sendo um convicto da vocação divina de fazer com que justiça e paz deem as mãos. 

Já perdi a pressa. Desisti de tentar estar em todos os lugares. Abro mão da perfeição.

Preciso entender melhor minhas imperfeições e a maneira que lido com elas.

Como é bom não ter que se provar a todo instante. 

Já fui pretensioso querendo mudar tudo a minha volta.

Menos pretensioso, tentei mudar o mundo do outro.

E agora estou feliz em mudar o meu próprio mundo. Busco encontrar minha humanidade.

Em meio a esse turbilhão, acho que agora estou mudando a forma de encarar o mundo! 

A forma não é revolucionária, é subversiva! 

Trocando alto-falantes por sussurros, trocando verdades teóricas por verdades encarnadas, trocando espada por amor, trocando orelhas decepadas por corações derramados!

Jesus não foi um revolucionário, 
Ele foi um subversivo! 

Não apoiou a opressão, a injustiça, a mentira, a corrupção mas combateu tudo isso mostrando um caminho diferente. A mudança revolucionária é, por diversas vezes, insana, sem fundamentos sólidos, uma casa construída com palha que qualquer “lobo-mau” destrói. Já vi grandes revolucionários, se venderem, pararem e até voltarem à antiga ordem! O subversivo não é óbvio, não é barulhento mas o seu impacto nas vidas ao redor é irresistível! (fermento na massa)

É tudo Isso só faz sentido depois de descobrir que a vida só acontece, infinitamente, na GRAÇA®.

Ps1: Muitos acham que a graça é arriscada demais e outros dizem que é boa demais para ser verdade. No final todos querem saber se ultrapassaram os limites de seu crédito com Deus.

Ps2: Questionamento de um crente NERVOSO esses dias: "Eu não sei até onde essa GRAÇA® vai????? Estou cheio dessa graça®. [Essa sem dúvidas é uma maneira errada de estar cheio da graça®.]

Juliano Fabricio
cheio de graça®


Estou convencido de que, embora a mensagem de Jesus fosse pessoal, ela não era privativa. 

Também estou convencido de que ela tem tudo a ver com as questões públicas de um modo geral, e com questões políticas em particular. Inclusive com economia e ajuda aos necessitados.

Estou convencido que, se as boas novas de Jesus fossem publicadas em um jornal de nossos dias, não ficariam restritas à seção de religião. Mas seria o tema principal em todas as seções, 

desde as notícias internacionais (Qual é o caminho para a paz, e como estamos reagindo para com nossos vizinhos necessitados?) 

até as notícias nacionais e locais (Como tratamos nossas crianças, nossos pobres, as minorias, os marginalizados, rejeitados ou perdidos? Como tratamos os nossos inimigos?), 

passando pela seção de comportamento e estilo de vida (Amamos nosso próximo e nos esforçamos ao máximo para unir as pessoas?) 

pela seção de alimentação (Nossa alimentação reflete consideração com o planeta do Criador e com nossos vizinhos pobres? Convidamos algum deles para o jantar conosco recentemente?), 

pelas seções de entretenimento e esportes (Qual é o sentido de nosso entretenimento, e que valores estamos reforçando nos esportes?), 

e até pela seção de negócios (Estamos servindo ao Senhor errado, isto é, ao dinheiro em vez de DEUS?).

Em minha educação religiosa não me ensinaram acerca das dimensões, pública e política da mensagem de Jesus. (Somente a respeito do aspecto pessoal e das demais dimensões privadas). Sim, Jesus me ama e queria que eu fosse bom com minhas irmãs e obediente aos meus pais. Porem a idéia de Jesus de que Deus ama os inimigos do meu país, e de que, conseqüentemente, nossa política exterior deveria refletir este amor, esta idéia jamais passou pela minha cabeça. Em algum momento, no entanto, comecei a perceber que estava perdendo alguma coisa. Naquele exato instante, acredito que tenha começado a ter uma tênue e ainda turva percepção acerca da mensagem totalmente subversiva do Reino de DEUS através da fala de Jesus.

Juliano Fabricio
em processo de convencimento...


Você e eu devemos aceitar de uma vez por todas que há uma enorme abertura demonstrada pelos braços de Jesus pendurado naquela cruz, como se ele fosse abraçar todo o mundo, porque é a intenção de Deus incluir, conduzir todas as coisas à unidade, em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Não existe nada que deva ser deixado de fora.

A ordem de DEUS vale em qualquer lugar e nós já fomos culpados muitas vezes por tentar descobrir quem poderia entrar e quem deveria ficar de fora.

Deus não tem inimigos, pois, em ultima instância, todos, todos – o ateu, o pecador, aqueles que tendemos, com uma suposta respeitabilidade, deixar de fora – são filhos de Deus. 

A preocupação deve ser no sentido de acolher a todos, de pensar em como colocar todos para dentro, em como dizer: “Somos todos iguais, iguais em valor diante do Pai.”

Jesus não disse: “Se eu for reerguido, trarei alguns comigo.”

Jesus disse: “Mas eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim.” Jo 12:32 – negros, brancos, amarelos, ricos, pobres, inteligentes, não inteligentes, belos , não belos. 

É um dos conceitos mais radicais e irritantes do mundo. 

Todos, todos se incluem aqui: gays, lésbicas, e o tal heterossexual. Todos, todos foram feitos para serem acolhidos, e não abandonados. Todos. 

Juliano Fabricio
tentando pensar como meu mestre.


Abaixo aponto alguns “absurdos” citados nos 4 evangelhos em nome da graça®

Lucas fala de um pastor que deixou suas noventa e nove ovelhas e mergulhou nas trevas para procurar uma ovelha perdida. Um ato nobre, realmente, mas pense um pouco na aritmética subjacente. Jesus diz que o pastor deixou as noventa e nove ovelhas "no deserto", o que presumivelmente significa que ficaram vulneráveis aos ladrões, aos lobos ou ao desejo inato de buscar a liberdade. Como se sentiria o pastor se retornasse com a ovelha perdida pendurada sobre o ombro apenas para descobrir que agora estavam faltando outras vinte e três?

Em uma cena também contada por João, uma mulher chamada Maria pegou 453 gramas (um ano de trabalho!) de um exótico perfume e o derramou sobre os pés de Jesus. Pense no desperdício. Uma gota apenas de perfume não faria o mesmo efeito? Até Judas podia perceber o absurdo: o tesouro agora escorrendo em fragrantes regatos pelo chão cheio de sujeira poderia ter sido vendido para ajudar os pobres.

Marcos registra uma terceira cena. Depois de ver uma viúva jogar duas moedinhas no cofre das coletas no templo, Jesus desprezou contribuições muito mais elevadas. "Eu lhes direi a verdade", ele observou, "essa pobre viúva colocou mais no tesouro do que todos os outros". (Espero que Ele tenha dito essas palavras baixinho, pois os doadores importantes não gostariam da comparação.)

A quarta história, de Mateus, envolve uma parábola que tenho ouvido em poucos sermões, por bons motivos. Jesus falou de um lavrador que contratou pessoas para trabalhar em suas vinhas. Algumas começaram ao nascer do sol, outras no meio da manhã, algumas na hora do almoço, outras no meio da tarde, e algumas outras uma hora antes de encerrar o expediente. Todos pareciam satisfeitos até a hora do pagamento, quando aqueles que trabalharam doze horas sob o sol causticante ficaram sabendo que os folgados, que mal haviam trabalhado uma hora, receberiam exatamente o mesmo pagamento. A atitude do patrão contradizia tudo o que eles sabiam a respeito de motivação para o trabalho e justa compensação. Era uma economia, pura e simplesmente.

Aprendi uma importante lição a respeito da graça.

Talvez ela tenha uma estridente nota de injustiça para alguns. Por que as moedinhas da viúva valeriam mais do que os milhões de um homem rico? E que empregador pagaria aos retardatários o mesmo que aos seus trabalhadores regulares?

Enfim... isso é graça® querendo ou não!!!

Juliano Fabricio
vivendo pela graça®


Nunca vos conheci. 
Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade!". Mateus 7

A frase "Nunca vos conheci" saltou da página. Claramente Jesus não disse Vocês nunca reconheceram", ou "Vocês nunca conheceram o Pai". Assusto ao perceber que uma de nossas principais tarefas, talvez a principal, é fazer-nos conhecidos de Deus. Boas obras não bastam — "não profetizamos nós em teu nome?" — qualquer relacionamento com Deus deve ser fundamentado na plena revelação. As máscaras têm de ser tiradas.

"Não podemos encontrá-lo se não reconhecermos que precisamos dele"

Meu orgulho ainda me tenta a parecer melhor, a limpar as aparências. É fácil reconhecer, mas quase impossível aceitar, somos viciados em espelhos. (Cultuamos nossa própria imagem)

Fico maravilhado nos evangelhos com a capacidade de Jesus de se relacionar facilmente com os pecadores. Tendo passado algum tempo com "pecadores", e também com pretensos "santos", tenho um palpite por que Jesus passou tanto tempo com o primeiro grupo: acho que Ele preferia a companhia deles. Porque os pecadores eram honestos a respeito de si mesmos e não fingiam, Jesus podia lidar com eles. Em contraste, os santos assumiam ares, julgavam-no e tentavam apanhá-lo em uma armadilha moral. No final, foram os santos, e não os pecadores, que prenderam Jesus.

Lembre-se da história do jantar de Jesus na casa de Simão, o fariseu, no qual uma mulher não muito diferente de qualquer outra prostituta derramou perfume sobre Jesus e enxugou seus pés com os cabelos. Simão sentiu repulsa.

Tal mulher não merecia nem mesmo entrar em sua casa! Eis aqui a resposta de Jesus naquela atmosfera tensa:

Então voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou com lágrimas os meus pés, e os enxugou com os seus cabelos.

Não me deste ósculo, mas ela, desde que entrou, não cessou de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento. Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, pois muito amou. Mas aquele a quem pouco é perdoado, pouco ama.

Por que, eu me pergunto, a igreja às vezes transmite o espírito de Simão, o fariseu, em vez de transmitir o espírito da mulher perdoada? 

Enfim... Onde foi que esconderam o Deus que aceita o perfume das prostitutas?

Juliano Fabricio
tentando ser como 
essa prostituta...


Sou uma farsa. Sou um patife, um mentiroso e um canalha. Sou também um santo em muitos sentidos, mas isso apenas distorce a essência da mensagem que eu deveria estar transmitindo. [Brabo]

Quando li essa frase pela primeira vez, não pareceu que eu estava lendo um texto. Parecia que eu estava confessando algo. Isso mesmo, pois, é isso que sou; um patife, um canalha, um mentiroso, uma farsa. Sei que não estou só nessas "qualidades", mas, tenho certeza absoluta que estou entre poucas companhias diante dessa confissão.

Não pretendo mais esconder minhas limitações. Quero expor para todos o quanto sou humano. Quero mostrar para todos, o quanto não sei de muitas coisas que muitas vezes dissimulo saber. Sou pequeno, e muitas vezes tenho dificuldades de reconhecer isso.

Vejo o quanto estou distante de abranger o sermão da montanha. Mas uma coisa eu entendo desse sermão de Mt 5; que a paixão de Jesus é pelos pobres, os que choram, os mansos, os caídos, os violados, os atormentados. "Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, diz o Senhor" (Is 57.15).

Você, que é leitor desse blog, entenderá que não sou muito diferente de você. Pense o quanto de problemas seriam resolvidos no meio cristão se os líderes religiosos começassem a entender o quanto nossa natureza é falha e pequena. 

Enfim... parem com essa teologia triunfalista e idiota, de uma pseudo-santidade, o qual a Bíblia nunca exigiu. Ora, a proposta do Evangelho nunca foi que parássemos de pecar, e sim, que submetêssemos à vontade de Jesus.
Juliano Fabricio
um farsante


"... eu me gloriarei ainda mais
alegremente em minhas fraquezas,
para que o poder de Cristo repouse
em mim." 2 Coríntios 12:9

Adão e Eva esconderam-se, e acabaram tornando-se nosso modelo de comportamento. Deus então nos convida a parar de nos esconder e a correr livremente para ele. 

Mas a pergunta que não quer calar é: Por que nos escondemos?

Escondemos por trás de rostos bonitinhos, que vestimos em benefício do nosso público. E com o tempo podemos até esquecer que estamos nos escondendo, começando a pensar que o rostinho bonito que assumimos é como realmente somos percebidos. (Começamos a acreditar nas nossas próprias mentiras)

Porem Deus é o pai que correu ao filho pródigo quando este chegou em casa destruído. Deus chora por nós quando a vergonha e o ódio de nós mesmos nos paralisam. Deus nos ama como realmente somos, quer gostemos disso, quer não, nos chamando, como chamou a Adão, para sairmos de nosso esconderijo “seguro”. Nenhuma quantidade de maquiagem espiritual nos poderá tornar mais apresentáveis diante dele. "Venha para mim agora", diz Jesus.

"Reconheça e aceite o que quero ser para você: um Salvador de compaixão infinita, de paciência ilimitada, de um perdão difícil de aceitar e de um amor que não mantém nenhum registro de erros."

Juliano Fabrício na nova série #provocações
[toda segunda uma nova provocação]


Cresci na igreja e ouvi histórias maravilhosas acerca de Jesus que cativaram minha imaginação durante toda a minha infância. Depois, durante meus anos de adolescência, após um breve, porém intenso período de dúvidas passei a ficar intrigado com Jesus de uma forma mais madura, e comecei a me questionar sobre o que significava ser um autêntico seguidor de Jesus em minha vida diária. Durante a faculdade e até a minha formatura, embora tenha passado por períodos de questionamento, de ceticismo e de desilusões, retive minha confiança de que Jesus estava de algum modo certo, de que era de fato real e de que viera de Deus, ainda que adeptos como eu e religiosos que levavam seu nome de maneira confusa e imprecisa quase sempre se mostrassem exemplos frustrantes.

Porém como ser humano venho mantendo uma última e interminável obsessão: 

...a fascinante, misteriosa, inesgotável, incontrolável, enigmática, vigorosa, surpreendente, encantadora, deslumbrante, sutil, honesta, genuína e explosiva personalidade de Jesus.

O retrato de Jesus que encontro no Novo Testamento não se encaixa com a imagem do Cristianismo projetada pelas instituições religiosas, pelos tele-evangelistas neopentecostais, pelos apresentadores de programas religiosos na mídia e, algumas vezes, pelas minhas próprias atitudes.

Portanto, estou em uma jornada, em uma busca. Pode ser que a chamem de jornada da dúvida, porque eu tenho duvidado de algumas das formas convencionais de se compreender Jesus e sua mensagem. Pode também ser chamada de uma jornada de fé, porque o meu questionamento surgiu a partir de uma profunda convicção de que, seja qual for o significado da essência da mensagem de Jesus, ela é verdadeira e digna de ser conhecida, de que mesmo que venha a transtornar algumas de nossas suposições convencionais, nossas prioridades, nossos valores e nossa prática, uma melhor compreensão terá valido a pena o desconforto momentâneo.

Não seria interessante se as pessoas que começassem a desvendar e a crer na mensagem essencial de Jesus fossem pessoas que nem mesmo são identificadas como cristãs? E não seria trágico se as pessoas como eu mesmo, identificadas como cristãs, não estivessem dispostas a considerar a possibilidade de que têm mais a aprender (e a desaprender) acerca da mensagem de Jesus?

Lembrando que Ele pode ser o maior refúgio ou o maior perigo, dependendo de como reagimos a Ele. Será que temos reagido bem?

Deixo algo do C.S Lewis para pensarmos:

"Ele é o nosso único alento,mas também o nosso terror supremo; é a coisa de que mais precisamos, mas também da qual mais queremos nos esconder. E nosso único aliado possível, e tornamo-nos seus inimigos. Certas pessoas parecem pensar que o encontro face a face com o Bem absoluto seria divertido. Elas devem pensar melhor no que dizem. Estão apenas brincando com a religião. O Bem pode ser o maior refúgio ou o maior perigo, dependendo de como reagimos a ele. E temos reagido mal."

Juliano Fabricio
...meditando em
 minha nada mole jornada


Leio os evangelhos em busca de orientação, apenas para ser lembrado de como Jesus foi apolítico. 

A referência maior e mais profunda do evangelho não é ao mundo ou aos seus problemas sociais, mas à eternidade e às suas obrigações sociais. 

Hoje, sempre que uma eleição está por vir, os cristãos debatem se este ou aquele candidato é o "homem de Deus" para assumir o cargo.

Projetando-me para os tempos de Jesus, tenho dificuldade em imaginá-lo ponderando se Tibério, Otávio ou Júlio César era o "homem de Deus" para o império.

O homem que eu sigo, um judeu-palestino do primeiro século, também esteve envolvido em uma guerra cultural. Ele se levantou contra uma instituição religiosa rígida e um império pagão. Os dois poderes, geralmente em desacordo, conspiravam juntos para elimina-lo. Sua reação? Não lutar, mas dar a sua vida pelos seus inimigos, e apontar para esse dom como a prova do seu amor. Entre as últimas palavras que Ele enunciou antes da sua morte estavam estas: "Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem".

As figuras apresentadas por Jesus descrevem o reino como um tipo de força secreta.

Ovelhas entre lobos, tesouro escondido em um campo, a menor das sementes no jardim, trigo crescendo entre joio, um punhado de fermento operando na massa do pão, uma pitada de sal na carne. Tudo isso aponta para um movimento que opera dentro da sociedade, mudando-a de dentro para fora. Você não precisa de uma pá cheia de sal para preservar uma fatia de presunto; um pouquinho seria suficiente.

Jesus não deixou uma hoste organizada de discípulos, pois Ele sabia que um punhado de sal gradualmente operaria através do mais poderoso império do mundo. Contra todas as possibilidades, as grandes instituições de Roma, o código de leis, as bibliotecas, o Senado, as legiões romanas, as estradas, os aquedutos e os monumentos públicos, tudo isso foi desmoronando gradualmente, mas o pequeno bando prevaleceu e continua até o dia de hoje.

Søren Kierkegaard descreve a si mesmo como um espião, e realmente os cristãos agem como espiões, vivendo em um mundo enquanto nossa mais profunda fidelidade pertence a outro. 

Somos alienígenas residentes, ou forasteiros, utilizando uma expressão bíblica.

Lembrando: Um padrão histórico da Igreja é que a heresia sempre começa de cima e o avivamento sempre de baixo. Esse entendimento, essa mudança sempre virá de baixo, como costuma acontecer, e não imposta de cima. A escada do poder sobe, a escada da graça desce.

Juliano Fabricio
um forasteiro


Era um dia normal.

Jesus ensinava as pessoas sobre as coisas do Reino Dele.

Mas o ensino é interrompido, por que “Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos e disseram a Jesus:

- Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério. Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz? Eles estavam usando essa pergunta como armadilha, a fim de terem uma base para acusá-lo. Mas Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo.

Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse:

- Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela. Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão.” João 8:3-8

A mulher estava lá, sem nome, sem graça, sem palavras e coberta de vergonha.

Ela estava sem saída, sem esperança e com a morte olhando furiosamente e ironicamente para ela. Havia ali pedras de preconceito, acusação e culpa.

Mas Jesus nivela todos, homens e mulheres, jovens e velhos quando diz: Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela.

“Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando com os mais velhos. Jesus ficou só, com a mulher em pé diante dele.

Então Jesus pôs-se de pé e perguntou-lhe:

- Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou?

- Ninguém, Senhor", disse ela.

Declarou Jesus:

- Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado" João 8:9-11

Pronto. A mulher estava livre, desculpada, esperançosa, perdoada e SEM VERGONHA.

Ela podia ir em paz ficando em Jesus.

“Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” 2 Coríntios 5:21

Em Jesus, somos todos “sem vergonhas”.

Juliano Fabricio
um sem vergonha...


Sem dúvida Jesus nos deu muitas histórias e abraçou os rejeitados para anular o que ele sabia ser nossa tendência humana de classificar e dividir.

Como o Sermão do Monte deixa claro, as pessoas que correm mais perigo são aquelas que julgam ter chegado, pois agindo assim elas perdem o benefício da graça. Somente os que têm consciência da sede procuram a água viva.

A graça, que tem o poder de superar diferenças de classe, raça e até mesmo de teologia, e o poder de matar a sede dos que são moral e socialmente rejeitados, oferece esperança tanto aos oprimidos quanto aos opressores.

Ps: Quando um cego tentou se achegar a Jesus, ele foi calado pela multidão e pelos próprios discípulos, porem Jesus perguntou-lhe: O que quer que eu te faça, então ele disse: Quero ver!!!! Então ele foi curado. Só que Jesus não apenas o fez ver, mas também deu a ele o direito de ter voz. [assim é a escola de Jesus]

Enfim... Não estou na vanguarda de nenhuma nova teologia, carrego apenas um anseio de liberdade. Com as pedradas que recebi, aprendi que os senhores dogmáticos antipatizam os que tentam olhar por cima da cerca e eu só quero a liberdade de olhar.

Prefiro continuar denunciar e enfrentar estruturas injustas, opressoras e alienantes como alguém que acredita em milagre. 

Prefiro as ações transformadoras da realidade à exatidão de um discurso. [não faltam discursos]

Foi o próprio Jesus que nos disse: “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” [João 13.35].


#minha oração: Nós que seguimos Jesus somos chamados a ser distribuidores da graça de Deus, liberando essa poderosa força num mundo violento e cansado. Que a igreja possa ser conhecida como um lugar onde a graça jorra em abundância: para pecadores, para ricos e pobres, para quem precisa de mais luz, para os excluídos, para quem discorda, para os oprimidos, bem como para os opressores.

Juliano Fabricio
Um tolo em busca da graça®


Quando Jesus enrolou aquela toalha na cintura, derramou água em uma bacia de cobre e lavou os pés sujos dos apóstolos, iniciou-se um dos maiores atos subversivos da história.

A partir desse momento, nascia uma ideia até então sem precedentes sobre a grandeza do reino de Deus: 

...o discípulo que se humilha, busca o último lugar e se torna como criança será exaltado. Que chocante reversão das prioridades e valores de nossa cultura! 

Preferir ser o servo em vez de ser senhor da casa, escarnecer do prestígio, poder e reconhecimento, recusar-se a se levar a sério, viver com alegria seguindo a rotina de um servo -estas são as atitudes e ações que levam o selo do autêntico discipulado. 

De fato Jesus disse: Bem-aventurados sois se amarem pessoas desconhecidas e vistas como nada. Sendo todas as coisas iguais, preferir o desprezo à honra, preferir o ridículo ao louvor, preferir a humilhação à glória, isso são formulas de grandeza na realidade do novo reino. Jesus Cristo está acima de tudo, à medida que se torna o menor de todos.

“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens: e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” Fp 2:5-8

Em Jesus a mente de Deus torna-se transparente.

 Nele, não encontramos nada do seu próprio ego a ser visto, mas somente o apaixonado amor de Deus que nos persegue. Através de sua vida de humilde serviço, Jesus nos revela o coração de Deus. 

Subversiva hierarquia de valores

O carpinteiro nazareno não refinou apenas a ética de Platão e Aristóteles, Ele não reordenou meramente a espiritualidade do Velho Testamento, Ele não reordenou simplesmente a velha criação – Ele trouxe a pura subversão!!!

Juliano Fabricio
Ps: qual é a parte de Filipenses 2 que vc ainda não entendeu!!!


Espero que passe logo esse tempo nervoso, ruidoso, pesaroso.

Espero que passe logo esse tempo e vamos parar de falar em traição, vileza, covardia.

Espero que passe logo esse tempo de luto.

Espero que passe logo esse tempo e ganharemos novo ânimo de recitar nossa poesia, nosso lamento, nossa comédia.

Espero que passe logo esse tempo de jejum e voltemos a sonhar na sintonia dos sonhadores, que imaginam um mundo sem trincheira, sem o deus fabricante de fantoches e sem o torpor que dá lucro.

Espero que passe logo esse tempo para nossos irmãos cantarem forró, Bossa Nova, Chorinho. 

Aliás, depois desse tempo vão nascer muitos outros Luiz Gonzaga, Pixinguinha. Voltarão as festinhas em pé de serra, na sala de casa. E a Asa Branca trará alegria para nosso sertão sofredor, de mulher bonita e homem trabalhador.

Espero que passe logo esse tempo e a gente cesse de escutar sobre rapazes negros chacinados, sobre meninas estupradas, e sobre mais uma bala perdida que deixou mais um paraplégico.

Espero que passe logo esse tempo para as churrascarias se encherem em tardes de sábado.

Espero que passe logo esse tempo e, sem demora, a gente possa ter quermesse nos povoados do Ceará e em todo Brasil.

Espero que passe logo esse tempo e os ônibus, bem ocupados, levem e tragam abraços há muito adiados.

Espero que passe logo esse tempo para que amigos deixem as intolerâncias, esqueçam as desavenças para brincar e zombar sobre o time de futebol que perdeu.

Espero que passe logo esse tempo para não precisarmos fazer rifa para comprar remédio para a vizinha que sofre de câncer; e que os tribunais também fiquem vazios de denúncias contra o descaso dos convênios médicos.

Espero que passe logo esse tempo para sermos ricos, com mais bibliotecas e mais títulos de mais autores nacionais.

Espero que passe logo esse tempo para que ressuscite ingenuidade em nossa lembrança – essas tolices que só os poetas curtem.

Só então voltaremos a ter esperança.

Soli Deo Gloria


Essa é a verdade em relação a nós.

Nosso débito vai muito além do que podemos pagar.

Nossos bolsos estão vazios, e nosso débito é de milhões. 

Não precisamos de um salário; precisamos de um presente. 

Não necessitamos de lições de natação; necessitamos de um salva-vidas. 

Não carecemos de um lugar para trabalhar; carecemos de alguém que trabalhe em nosso lugar. 

Este “alguém” é Jesus Cristo.
“Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo... ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue” Rm 3. 22, 25. 

Nosso Mestre perdoou uma dívida intransponível. 

Deus exige algum reembolso? 

Quando seus pés trilham o caminho errado, Ele exige que você os corte fora? 

Quando seus olhos fitam duas vezes o que você nunca deveria ter olhado, Ele os cega? 

Quando você usa sua língua para a profanação, em vez do louvor, Ele a corta fora? 

Se Ele o fizesse, seríamos uma civilização mutilada. Ele não exige pagamento; não de nós, pelo menos.

Ps: Para os desavisados de plantão deixo duas citações: 

"Nada do que é de Deus é obtido com dinheiro." Tertuliano

"Eu não dou um centavo por um homem que enriquece com a sua causa" Millôr Fernandes 

Juliano Fabricio
devendo horrores...


# em um mundo regido pela Lei, a graça se levanta como um sinal de contradição. 

Queremos justiça; o evangelho nos dá um homem inocente pregado numa cruz, que clama: "Pai, perdoa-lhes".

Queremos respeitabilidade; o evangelho exalta coletores de impostos, pródigos e samaritanos. 

Queremos sucesso; o evangelho inverte os termos, movendo o pobre e o oprimido para o centro das atenções e os ricos e famosos para os bastidores.

# "eu não sei qual é a resposta para o problema do mal", "mas conheço o amor".

O evangelho da graça permeia o mundo não primariamente por intermédio de palavras e argumentos racionais, mas através de atos, através do amor.

# aprendi que seguir a Jesus não significa resolver todos os problemas humanos - o próprio Cristo não tentou fazer isto -, mas, ao contrário, reagir como ele mesmo fez, contra toda a razão para dispensar graça e amor àqueles que menos mereciam.

# necessidade de equilibrar os pratos da balança da justiça.

Ninguém consegue viver à altura do ideal, admitam. Não há quem seja capaz de amar seu próximo como a si mesmo. 

Ninguém pode cumprir a lei de Cristo. Deus não poderia pedir tanto e se satisfazer com tão pouco. Somos feitos para algo que é muito maior que nós.

Só existe uma maneira de todos nós resolvermos a tensão entre os altos ideais do evangelho e a triste realidade de todos nós: aceitar que nunca estaremos à altura, mas que também não temos de estar nesse patamar.

# Deus nos ama não por aquilo que somos ou que fizemos, mas por aquilo que Deus é. 

A graça flui para todos aqueles que a aceitam. Jesus perdoou uma adúltera, um ladrão na cruz, um discípulo que o negou, mesmo conhecendo-o. A graça é absoluta e abrange todas as coisas. Ela se estende inclusive para as pessoas que pregaram Jesus na cruz: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" está entre as últimas palavras que ele disse aqui na terra (Lc 23:34).

# o Sermão da Montanha nos força a reconhecer a grande distância entre Deus e nós, e qualquer tentativa de reduzir essa distância através da diminuição de suas exigências é em vão. Estamos desesperados, e este é, na verdade, o único estado apropriado a um ser humano que deseja conhecer a Deus. Muitas vezes tenho falhado em cumprir esse ideal absoluto.

# Enfim...Nossa única contribuição na salvação, foi o nosso pecado. #SolaGracia!!!

"Coragem, irmão, nós também sofremos". 
Deixo apenas essas pequenas #notas de graça, interpostas no meio do sofrimento. 

Juliano Fabricio
vivendo pela graça®


Existem coisas no cristianismo que podem ser compreendidas mesmo por quem está de fora, por quem ainda não é cristão; 

existe, por outro lado, 

um grande número de coisas que só podem ser compreendidas por quem já percorreu um certo trecho da estrada cristã. São coisas puramente práticas, embora não o pareçam. São instruções de como lidar com certas encruzilhadas e obstáculos da jornada, instruções que não têm sentido até que a pessoa esteja diante deles.

Sempre que você deparar com uma frase de um escritor cristão que você não seja capaz de compreender, não se aborreça. Deixe-a de lado. Virá um dia, talvez anos mais tarde, em que você subitamente entenderá o que ela queria dizer. Se não consegue entendê-la agora, é porque ela só lhe faria mal.

E se for o caso de sermos criticados nessa jornada, que seja pelos motivos certos. Não porque somos emotivos demais, mas porque não somos emotivos o bastante; não porque nossas paixões são inflamadas, mas porque são ínfimas; não porque somos afetuosos demais, mas porque carecemos de uma afeição profunda, apaixonada e irrestrita por Jesus Cristo. 

Só alcança isso quem de fato teve uma experiência com DEUS.

E essa experiência começa quando percebemos que não podemos viver a tarde da vida de acordo com o programa da manhã. Pois essa consciência ilumina para nós o que realmente importa, o que realmente conta.

Bem-vindo a pura realidade de um cristão.
Juliano Fabricio
Em busca disso.......


#a menina que descobriu a vontade de Deus

Para Jesus nascer, a vida de uma menina simples seria profundamente afetada. Maria era noiva e foi avisada de que engravidaria através do Espírito Santo. Seria uma gravidez sem planejamento. Para piorar, o filho não era do noivo e todos precisariam acreditar em sua história sobre a visita divina. Ninguém está preparado para mudanças de planos e ainda mais numa situação como esta.

E tudo o que ela disse foi: “que se cumpra a vontade de Deus em minha vida”.

E é assim que é. A vontade de Deus se manifesta na história através de gente simples, que mesmo não se sentindo preparada para a tarefa é tomada por um senso de missão mais forte que a própria vida e, sem temer a morte, dá-se por aquilo que crê.

E a história do Natal estava apenas começando.

#o jovem ensinou o que é o perdão

Quando recebeu a notícia de que sua noiva estava grávida, José sentiu-se traído e não aceitou a versão da menina que dizia que o próprio Deus a havia engravidado. Por ama-la e não desejando que ela fosse punida com a morte, como previa a Lei, decidiu que viajaria secretamente e quando descobrissem, concluiriam que ele a tinha engravidado e fugido. Deste modo, ela não seria tratada como adúltera e sua vida seria poupada.

Assim, José nos ensinou que perdoar é não se vingar do mal sofrido. Também, que perdoar não é necessariamente restabelecer vínculos de relacionamento, muitas vezes basta que liberemos o agressor de nossas redes de amargura e rancor e nos afastemos, para não vivermos experiências parecidas, assim fez José quando decidiu romper o noivado. Sobretudo, perdoar é assumir o ônus, é aceitar na própria história o mal sofrido e seguir em frente apesar de tudo.

Depois desta decisão, um anjo o visitou e esclareceu a situação, ele podia recomeçar sua vida com a mulher que amava.

Jesus nasce para que aqueles que decidem perdoar, tenham condições de recomeçar depois do sofrimento.

#quem procura acha

Os anjos cantavam que o menino traria paz aos homens de boa vontade. Foi isso que Ele fez, veio à terra para trazer vida, salvação, reconciliação, paz a todas as pessoas.

Mas quem de fato experimenta é quem tem boa vontade, ou seja, é quem demonstra interesse verdadeiro de que Jesus nasça em sua própria alma. Gente de boa vontade para com a vida e para com Deus.

Depois, tudo na vida se torna uma questão de boa disposição. De pensar o que é bom, justo, honesto, louvável; de fazer aos outros o que gostaríamos que nos fosse feito; de olhar pra vida com bom olhar, porque os olhos são a janela da alma.

Jesus nasceu para satisfazer aqueles que têm a boa vontade de encontrar a razão de suas vidas. Quem com boa vontade procura a Deus, o encontra, porque antes de tudo, foi Ele quem veio como menino para nos encontrar.

#o sacerdote não acreditava no que falava

Zacarias era sacerdote em Israel e em um dia comum de serviços religiosos teve uma visão de que sua esposa engravidaria e o menino seria o profeta que anunciaria a chegada do Messias. Ele e sua esposa eram idosos e durante a vida toda haviam tentado ter filhos, sem sucesso. Ele duvidou da notícia. O anjo, por isso, o tornou mudo, ele somente voltaria a falar quando o menino nascesse.

O sacerdote que tanto conhecia a religião, a Lei, as tradições e as histórias de seu povo, provavelmente desanimado com os pesos da vida, apenas repetia os rituais, sem crer no que fazia e falava. Ele conhecia a história de Abraão e Sara, outro casal de idosos que tiveram um filho na velhice, mas não acreditava que o milagre podia se repetir, por isso foi calado, porque quem não crê, não está autorizado a falar.

Jesus nascia para devolver a fé aos que a perderam pelo caminho, veio para trazer vida à religião, porque é melhor ser ateu que rezar o credo e viver como quem não crê em nada.

#já posso morrer

Simeão havia recebido uma profecia de que não morreria até ver o Messias. Quando Jesus foi levado ao Templo, com oito dias de vida, ele o tomou nos braços e orou a Deus dizendo que já podia morrer em paz, porque enfim estava vendo o Messias prometido.

Jesus nasce para satisfazer a alma humana. Quem o viu, diminui a importância de todas as demais realidades. Nem dinheiro, nem fama, nem prazeres físicos, nem prática religiosa acima da média, tem poder de ser mais importante na vida do que o encontro pessoal com Jesus.

Está preparado para viver, quem por ter descoberto em Jesus a razão de todas as coisas, já está preparado para morrer.

#a mulher que alimentava a fé do povo

Ana era uma senhora que durante toda a vida dedicou-se a falar sobre Deus aos homens.

Por ser mulher, possivelmente era desprezada pela maioria masculina. Mesmo assim passou a vida anunciando o que cria, porque mais importante do que sua popularidade, era a verdade que habitava sua alma.

São importantes os homens e as mulheres que nos ensinam o Evangelho de Jesus, mesmo quando muitos sequer atentam para o teor da mensagem; necessários são aqueles que nos lembram daquilo que o nosso coração crê, mas que às vezes tende a titubear; indispensáveis são os que trazem a boa notícia de que o nascimento do menino que é Deus, vindo em uma família simples, numa cidade pequena, numa estrebaria em meio a animais, pode se repetir espiritualmente em nossos corações, não importando quem somos, qual nossa história e o quão indignos nos sentamos.

Não há melhor lugar para Jesus nascer que nos corações de quem mais precisa dele.

Feliz Natal na alma!
Série legal no blog do


"Por mais que os crentes se arrepiem, não temo divulgar minhas incertezas. Por vezes sinto-me inseguro como Davi quando achou que Deus lhe dava as costas e clamou: "Por que te escondes de mim?”. Subitamente pavores invadem minha alma e fujo para dentro de cavernas como Elias. Semelhante a João Batista, hesito em minhas convicções e pergunto: "Será que ele é mesmo quem propaguei ou eu estava enganado?". Sou um homem de fé -- eis a razão de tanta insegurança."

....................................................................

Fazer as pazes com Deus significa mais do que rever pecados; saio do proibitivo e me arrependo de ter acalentado noções negativas sobre ele. Revejo conceitos para re-aprender que Deus se alegra quando celebro a vida. Só agora percebo: minha inadequação humana não me indispõe com a divindade. Meus tropeços não me condenam. Minhas tolices não me amaldiçoam. Mesmo imperfeito, sou apreciado. Não regurgito remorso. Não me chafurdo em falsas culpas. Celebro a minha humanidade sem a ameaça do fogo do inferno. Assim esboço algumas nuanças da graça.

Sei agora o que Misericórdia significa “voltar o coração para o miserável”. E como um miserável sei que em algum momento é obvio o tropeçar nos cadarços da condição humana...

Juliano Fabricio - ouvi isso do
[Ricardo Gondim] considerado Herege.
Me identifico com hereges assim!!!

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