É engraçado como a gente quer se destacar em tudo.
Vivemos uma correria para, de alguma forma, ser lembrado na multidão. A tentativa louca de ser o melhor. O esforço passa desde a época de menino quando, na escola, lutamos por boas notas até as coisas mais triviais como, quem sabe, ser o melhor em uma pelada qualquer. Quão humilhante seria perder uma discussão, ter seu ponto de vista rechaçado. A busca é a mesma pra todo mundo, ainda que em diferentes proporções. Status, títulos, dinheiro, bens, poder, posição social, conhecimento… O pior é parar pra pensar no motivo disso tudo. Crise existencial. Preferimos, porém, não pensar, mas agir. Isto porque, quanto maior o prestígio que construímos mais trabalhoso se torna sua manutenção.
Deus, porém, nos oferece uma saída para essa escravidão que nós mesmos nos impomos. A alternativa não se apresenta, contudo, triunfal quando analisada despretensiosamente. Submissão. Palavra que significa aos olhos do mundo fracasso. Alguém que não se projetou em alguma coisa e que não foi capaz de se impor.
Deus parece gostar de dar novos significados às palavras. Ou talvez resgatar aqueles perdidos por aí.
Submeter, na verdade, é se libertar.
Do nosso conceito no outro, da pressão social e de nós mesmos. É o abandono da ilusão de controle de tudo e de todos e a não necessidade de ter que impressionar. É a não defesa, mas o descanso nos braços de Deus. É o ato de entregar para Ele nossa reputação. Cristo se mostrou, neste aspecto, como o maior exemplo. Ele, sendo Deus, tornou-se homem e foi além: apresentou-se como servo. Não se preocupou em defender quem ele era ou a posição que possuía. Submeteu-se voluntariamente por amor ao homem.
Submissão é o contrário de força. É retirada por livre vontade.
Juliano Fabricio
