"Você acredita honestamente que Deus gosta de você e que não o ama apenas porque teologicamente ele tem de amá-lo?".
Se você pudesse responder com uma honestidade visceral: "Ah, sim, sou profundamente querido por DEUS", você experimentaria, por si mesmo, uma compaixão serena, que se aproxima do significado da ternura.
Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho de seu ventre? Mas ainda que essa viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti. Isaías 49:15
A Escritura Sagrada sugere que a essência da natureza divina é a compaixão e que o coração de Deus é definido pela ternura. "Graças à entranhável misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o sol nascente das alturas, para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz" Lc 1:78,79
Richard Foster escreveu:
Seu coração é o mais sensível e terno. Nenhum ato passa despercebido, não importa quão insignificante ou pequeno. Um copo de água fresca é suficiente para fazer brotar lágrimas nos olhos de Deus. Como a mãe orgulhosa, que vibra ao receber de seu filho um buquê de dentes-de-leão murcho, assim Deus celebra nossas débeis expressões de gratidão.
Jesus entende de forma singular a ternura e a compaixão do coração do Pai, pois "nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade" (Cl 2:9). Por que Jesus amou pecadores, esfarrapados e turbas que não sabiam nada da Lei? Porque seu Pai os amou. Ele não fez nada a partir de si mesmo, mas somente o que seu Pai determinou. Por meio de refeições compartilhadas, pregação, ensino e cura, Jesus representou o entendimento que tinha do amor, que não faz distinção, do Pai — um amor que faz o sol nascer sobre homens bons e ruins, e a chuva cair sobre homens honestos e desonestos (Mt 5:45).
Com estes atos de amor, Jesus provocou um escândalo entre os devotos e religiosos judeus da Palestina:
A coisa absolutamente imperdoável não foi sua preocupação com doentes, aleijados, leprosos, possessos... nem mesmo sua parceria com as pessoas pobres e humildes. O problema real foi que ele se envolveu com falhas morais, com pessoas obviamente irreligiosas e imorais; pessoas política e moralmente suspeitas, inúmeros tipos duvidosos, obscuros, abandonados e desesperançados, existindo como um mal que não pode ser erradicado na periferia da sociedade. Esse foi o escândalo verdadeiro. Ele tinha mesmo que ir tão longe?... Que tipo de amor perigoso e ingênuo é esse, que não conhece seus limites: as fronteiras entre os colegas conterrâneos c estrangeiros, membros e não-membros do partido, entre vizinhos e pessoas distantes, entre chamados honrados e desonrados, entre pessoas morais e imorais, boas e ruins? Como se a distinção não fosse absolutamente necessária aqui. Como se não devêssemos julgar nesses casos. Como se pudéssemos sempre perdoar nessas circunstâncias. Hans Kung
Porque a luz do sol que brilha e a chuva que cai são oferecidas tanto aos que amam a Deus quanto aos que o rejeitam, a compaixão do Filho acolhe aqueles que ainda estão vivendo no pecado. O sorrateiro fariseu dentro de todos nós se esquiva dos pecadores. Jesus se vira para eles com gentil graciosidade. Ele se mantém atento, do início ao fim, à vida deles, em favor de sua conversão "que é sempre possível, até o último momento".
Juliano Fabrício na nova série #provocações – “O impostor que vive em mim/Brennan Manning.”
