A cena da lavagem dos pés destaca-se como um dos acontecimentos mais significativos da vida de Jesus.
Até aquele momento a finalidade de todas as coisas era alguém chegar no topo e, uma vez atingindo o topo, lá permanecer, ou, mais, tentar subir ainda mais alto. Mas aqui esse homem já no topo — que era rabi, mestre, professor — subitamente se rebaixa até o chão e começa a lavar os pés dos seus discípulos. Nesse ato único Jesus simbolicamente inverteu toda a ordem social. Dificilmente entendendo o que estava acontecendo, até os seus próprios discípulos ficaram quase horrorizados com o seu comportamento.
O poder do mundo, o sistema religioso mais sofisticado do seu tempo aliado ao império político mais poderoso, coloca-se em ordem de batalha contra uma figura solitária, o único homem perfeito que já viveu.
Mais tarde naquela mesma noite surgiu uma discussão entre os discípulos acerca de quais deles eram considerados mais importantes. Notavelmente, Jesus não negou o instinto humano de competição e de ambição. Simplesmente redirecionou-o: “o maior entre vós seja como o menor; e quem governa seja como quem serve”. Foi quando proclamou: “Eu vos confio um reino” — um reino, em outras palavras, fundamentado no serviço e na humildade. Na lavagem dos pés, os discípulos haviam visto um quadro vivo do que ele queria dizer.
Seguir esse exemplo não ficou mais fácil em dois mil anos.
........................................
[Creio no amor como uma fragilidade poderosa]
Os valentes não são os que pegam em armas, mas os que conseguem adensar gentileza.
As pequenas atitudes - muitas vezes anônimas – revelam a nossa fortaleza ou a nossa falência.
A caridade tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo pode.
Juliano Fabricio
em busca dessa poderosa fragilidade
