O julgamento depende do que vemos, de quão profundamente olhamos para o outro, de quão honestamente encaramos a nós mesmos, de quão dispostos estamos a ler a história humana por trás do rosto apavorado.
A gentileza de Jesus para com os pecadores fluía de sua capacidade de ler seus corações. Por trás das poses mais emburradas e dos mais desconcertantes mecanismos de defesa das pessoas, por trás dos seus ares de arrogância, por trás do seu silêncio, do seu desdém e dos seus litígios, Jesus via criancinhas que não haviam sido amadas o bastante e que haviam parado de crescer porque alguém havia deixado de acreditar nelas. Sua extraordinária sensibilidade levava Jesus a falar dos fiéis como crianças, por mais altos, ricos, inteligentes e bem-sucedidos que fossem.
"Certo de sua salvação pela graça única de nosso Senhor Jesus Cristo"... é o pulsar do coração do evangelho, uma jubilosa libertação do medo do Resultado Final, uma convocação à auto-aceitação, e liberdade para uma vida de compaixão para com os outros.
É óbvio que não estamos tratando aqui de uma questão evangélica trivial. O amor compassivo é o eixo da revolução moral cristã e o único sinal jamais dado por Jesus pelo qual um discípulo seria reconhecido: "Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" (Jo 13:34,35). O novo mandamento fundamenta a nova aliança no sangue de Jesus. O amor fraternal é um preceito tão central que Paulo não hesita em declará-lo cumprimento de toda a lei e dos profetas (Rm 13:8-10).
O perigo aqui não é o exagero ou a ênfase excessiva. O perigo espreita em nossas sutis tentativas de racionalizar nossa moderação com respeito a esse assunto. Dar a outra face, andar a segunda milha, não oferecer resistência à ofensa e perdoar setenta vezes sete não são caprichos do Filho do Homem. "Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor" (Gl 5:6).
"A razão exige moderação no amor como em todas as coisas", escreve John Mckenzie, "mas a fé destrói a moderação aqui. A fé não tolera o amor moderado a um semelhante mais do que tolera um amor moderado entre Deus e o homem".
Mais uma vez, a gentileza para conosco constitui o cerne de nossa gentileza para com os outros. Quando a compaixão de Cristo é interiorizada e apropriada pelo eu ("[Ele] não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega" [Mt 12:20]), ocorre a reviravolta de uma postura de compaixão para com os outros. Numa situação em que causa e efeito se confundem, a trilha da gentileza traz cura para nós mesmos, e a gentileza para conosco produz cura nos outros. A solidariedade para com os fracos liberta aquele que recebe a compaixão e liberta o que a concede na consciência alerta de que "eu sou o outro".
Certamente que o amor duro e a disciplina têm seu lugar na família cristã. Se não forem ensinadas a diferenciar o certo do errado, crianças podem tornar-se facilmente neuróticas. Entretanto, apenas a disciplina administrada com amor é corretiva e produtiva. A disciplina que brota da ira e do espírito de vingança é desagregadora na família e incoerente na igreja. Apresentar um ultimato a um adolescente viciado: "Busque tratamento ou caia fora", é uma reação amorosa e talvez salvadora, desde que uma distinção clara entre a ação e o agente seja mantida. Enfim....Tem que existir um relacionamento.
"Certo de sua salvação pela graça única de nosso Senhor Jesus Cristo"... é o pulsar do coração do evangelho, uma jubilosa libertação do medo do Resultado Final, uma convocação à auto-aceitação, e liberdade para uma vida de compaixão para com os outros.
É óbvio que não estamos tratando aqui de uma questão evangélica trivial. O amor compassivo é o eixo da revolução moral cristã e o único sinal jamais dado por Jesus pelo qual um discípulo seria reconhecido: "Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" (Jo 13:34,35). O novo mandamento fundamenta a nova aliança no sangue de Jesus. O amor fraternal é um preceito tão central que Paulo não hesita em declará-lo cumprimento de toda a lei e dos profetas (Rm 13:8-10).
O perigo aqui não é o exagero ou a ênfase excessiva. O perigo espreita em nossas sutis tentativas de racionalizar nossa moderação com respeito a esse assunto. Dar a outra face, andar a segunda milha, não oferecer resistência à ofensa e perdoar setenta vezes sete não são caprichos do Filho do Homem. "Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor" (Gl 5:6).
"A razão exige moderação no amor como em todas as coisas", escreve John Mckenzie, "mas a fé destrói a moderação aqui. A fé não tolera o amor moderado a um semelhante mais do que tolera um amor moderado entre Deus e o homem".
Mais uma vez, a gentileza para conosco constitui o cerne de nossa gentileza para com os outros. Quando a compaixão de Cristo é interiorizada e apropriada pelo eu ("[Ele] não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega" [Mt 12:20]), ocorre a reviravolta de uma postura de compaixão para com os outros. Numa situação em que causa e efeito se confundem, a trilha da gentileza traz cura para nós mesmos, e a gentileza para conosco produz cura nos outros. A solidariedade para com os fracos liberta aquele que recebe a compaixão e liberta o que a concede na consciência alerta de que "eu sou o outro".
Certamente que o amor duro e a disciplina têm seu lugar na família cristã. Se não forem ensinadas a diferenciar o certo do errado, crianças podem tornar-se facilmente neuróticas. Entretanto, apenas a disciplina administrada com amor é corretiva e produtiva. A disciplina que brota da ira e do espírito de vingança é desagregadora na família e incoerente na igreja. Apresentar um ultimato a um adolescente viciado: "Busque tratamento ou caia fora", é uma reação amorosa e talvez salvadora, desde que uma distinção clara entre a ação e o agente seja mantida. Enfim....Tem que existir um relacionamento.
Juliano Fabricio
