...algumas dimensões da religiosidade tradicional perderam força.
Algumas permanecem.
Continuo deslumbrado com o mistério de Deus. Extasiado com Jesus, consigo reconfigurar convicções sobre Deus. Abro mão de uma divindade marcada pelo poder para optar pelo amor. Inspirado no Sermão da Montanha, redesenho os contornos da existência. Desconsidero fé e certeza como sinônimos. Creio e, ao mesmo tempo, hospedo dúvidas.
Certas dimensões teológicas perderam todo o sentido para mim.
Abandonei a compreensão que alguns teólogos nutriram sobre a Bíblia. Quando reconheço a minha incapacidade de aceitá-los, não questiono a verdade, só não aceito a verdade deles.
Acho esquisito Santo Agostinho ensinar que o pecado original seja transmitido através da relação sexual.
Não concordo com São Tomás de Aquino quando ele afirma que a alegria futura de Deus será contemplar as labaredas do inferno queimando os ímpios por toda eternidade.
Não consigo dizer sim aos argumentos de Calvino, nas Institutas, de que Deus criou pessoas com o único objetivo de condená-las a um lago de enxofre – e que em sua misericórdia, ele criou outros para o céu.
Trato como infantil e tosco, o raciocínio de que os mortos em tragédias não têm o que lamentar. Para os fundamentalistas, os que perderam os filhos já salvos, devem se alegar: eles foram para o céu. Sem qualquer emoção emendam: o ímpio estava condenado de qualquer maneira; assim, em vista da eternidade, a morte deles não representa grande tragédia.
Leio qualquer texto, inclusive os sagrados, com uma pergunta: há outros ângulos para esta leitura que não consigo perceber? Questiono, porque sei: mesmo que a Bíblia não contenha falhas, os olhos de quem lê estão contaminados.
#fragmentos de
