"HIPOCRISIA" é a palavra que Jesus usou para caracterizar muita coisa.
No grego clássico, hupokrités era, primeiro, um orador e, então, um ator. Assim, figuradamente, a palavra passou a ser aplicada a qualquer pessoa que trata o mundo como se fosse um palco onde ela executa um papel. Deixa de lado a sua verdadeira identidade e assume uma identidade falsa. Já não é mais ela mesma, mas disfarça-se, personalizando alguma outra pessoa. Usa uma máscara. No teatro, não há mal algum ou mentira da parte dos atores que executam os seus papéis. E uma situação convencional. O auditório sabe que veio assistir a uma peça; não é iludido.
O problema com o hipócrita religioso, por outro lado, é que deliberadamente pretende enganar as pessoas. E como um ator na sua representação (de modo que o que vemos não é a pessoa real, mas um papel, uma máscara, um disfarce), mas é totalmente diferente do ator neste sentido: participa de alguma prática religiosa, que é uma atividade real, e a transforma em algo diferente daquilo que é na realidade, isto é, numa peça faz-de-conta, numa exibição teatral diante de um auditório. E tudo é feito para receber aplausos.
Nosso Senhor está preocupado do começo ao fim deste Sermão com as motivações, com os pensamentos escondidos no coração.
Juliano Fabricio
Relendo o sermão do monte
[com a lente de John Stott)
