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“Se ninguém me perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fez a pergunta, já não sei.” Santo Agostinho – Confissões) |
Mamãe, o que é o tempo? – pergunta o entusiasmado garotinho. Ah, filhinho, tempo é aquilo que o relógio marca, são as horas que passam. É a divisão em passado, que é aquilo que já aconteceu; presente, que é o que estamos vivendo exatamente agora, e o futuro, que é aquilo que ainda vai acontecer. – responde a mãe, aliviada pelo desconforto da pergunta e contente pela resposta genial. – Entendeu filho? Mais ou menos. Quer dizer que o que estou falando agora é o presente? Sim! – disse a mãe. Mas não acabou de passar? Sim… Não seria então passado? É… E o que ainda estou terminando de dizer, não é futuro? Sim, filho… Então não entendi nada! Querido, quando você crescer um pouquinho você entende!
Fico pensando se Santo Agostinho não teve, quando criança, tal conversa com sua mãe. Ele cresceu e continuou sem entender. Em seu livro “Confissões” faz algumas belas reflexões sobre o tema. Essas pareceram confirmar o conceito que tinha quando criança. Há, de fato, assuntos que, por nos serem colocados desde pequenos, simplesmente os aceitamos sem nos questionarmos se este é o melhor caminho a se seguir.
Tal ocorre com o tempo. Não há dúvidas que esse, assim como o conhecemos é uma criação. Deus o fez e, portanto, antes de existir uma idéia temporal Ele já existia. Isso, certamente, causa-nos uma confusão mental. Perguntas do tipo “Quando Deus surgiu?” ou “Deus sempre existiu?” não fazem sentido. Reduzem nossa resposta a um lapso temporal, a um conceito que nós temos por convenção. É tentar submeter o Criador à criação. Deus está, portanto, fora da esfera cronológica.
Em uma análise mais cuidadosa percebemos que o tempo é subjetivo, uma abstração apenas. Passado, presente e futuro existem apenas em nossas mentes. O tempo pretérito já ocorreu, portanto não existe desde que passou. O futuro também não existe porque ainda não aconteceu. Resta-nos o presente. Se o levarmos ao extremo, este seria apenas um pequeno lapso, impossível de se mensurar, instantaneamente transformado em passado. Neste ponto, Santo Agostinho conclui que, talvez, o que exista são, simplesmente, o presente das coisas passadas, o presente das presentes e o presente das futuras. Acrescentaria eu, ou melhor, explicaria que o que percebemos por tempo, são as lembranças do que se passou e expectativas do por vir, que influem no agora.
Sendo assim, o que determina nosso modo de viver é o como lidamos com nossas lembranças e expectativas, com nosso passado e futuro. Primeiramente, precisamos ter paz com nossas memórias. Entender como Deus trabalhou em cada momento para nos construir qual somos. Gratidão. Assimilar erros, analisar vitórias. É necessário também um bom convívio com as expectativas. Planejamento. É o não ser vítima do acaso, mas determiná-lo. Saber aonde se quer ir. Dessa forma nossa realização pessoal encontra-se no agora. Muitos a depositam nas lembranças, no como se vivia bem no passado. Esse, porém, engana porque nossa memória é seletiva e nostálgica. Outros apostam suas fichas nas expectativas: “Quando fizer isto ou aquilo estarei realizado.”. Jogam sua felicidade para frente. Esperança falsa que engole nossos dias. Fato é que nunca seremos completos no agora e, justamente por isso, precisamos da convivência com passado e futuro. Não podemos ser somente expectativa, promessa. Nem tampouco nostalgia. Planejamento, gratidão. Talvez uma versão cristã para o carpe diem.
Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente. Hebreus 13:8
Para que a tua confiança esteja no SENHOR, faço-te sabê-las hoje, a ti mesmo. Provérbios 22:19
Juliano Fabricio
